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Pânico 7 espelha a dinâmica do original, com elenco afiado

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Pânico 7 chega com uma grande promessa: Kevin Williamson, o verdadeiro criador da franquia, finalmente dirigindo e assinando o roteiro. Depois de anos atribuindo tudo a Wes Craven (que foi um gênio), um dos cineastas mais importantes da seara do terror, mas não o autor desta franquia, ver Kevin na cadeira de diretor era uma luz no fim do túnel. E, olha, o começo entrega bonito.

Sidney Prescott (Neve Campbell) agora é Sidney Evans, casada com o xerife Mark (Joel McHale), morando em uma cidade nova, com uma filha chamada Tatum (Isabel May) — sim, o mesmo nome da amiga morta, vivida por Rose McGowan, no primeiro filme. Aliás, essa escolha, certamente, já acende uma faísca: espelha a dinâmica do original, com a garota, os amigos, o namorado, o teatro na escola. Até aí, tudo bem: o clima de Pânico 7 se constrói direitinho.

A abertura é puro Pânico! Um casal chega à casa antiga dos assassinatos, que se tornou um museu bizarro que cultua a história de Sidney e a franquia Facada, isso é metalinguagem na veia! Logo Ghostface aparece, com muita tensão, sangue falso jorrando, exatamente como o gênero pede. Corta para o dia a dia em Pine Grove, e a morte alcança a protagonista de novo. Ela precisa proteger a família, principalmente a filha. As mortes vão acontecendo, sanguinolentas, exageradas, irrealistas, mas é isso que a gente espera de um slasher. O filme até manda bem no ritmo e na direção. Williamson dirige com mão firme, sem precisar ser Craven.

Porém, o problema de Pânico 7 surge quando o mistério se resolve. A jornalista Gale Weathers (Courteney Cox) de volta e entra na jogada ao ajudar Sidney, tudo seguindo como o clássico da franquia. Mas aí o coelho sai da cartola: o assassino (ou os assassinos — veja para descobrir) é revelado, e a motivação… ah, a motivação. Dá para entender o que o filme quer dizer, o público até saca, mas não faz sentido. Infelizmente, não sustenta a história, que é fraca e forçada. Depois de tanto cuidado no começo, o final deixa um gosto amargo, como se o roteiro tivesse amarrado tudo só por amarrar, onde carne e sangue desprovidos de alma.

Não dá para dizer que Pânico 7 é ruim, longe disso. O roteiro é sólido, a direção é segura, as referências funcionam. Mas falta aquela faísca que fazia a franquia, principalmente o primeiro filme brilhar. Falta aquela ironia afiada, aquele medo que não era só sangue. Williamson faz o que se espera, dirige bem, mas não revitaliza a série que, nos anos 90, revitalizou o slasher (aqui, sim, há ironia). Assim, no fim, o filme não é uma bagunça; é só… decepcionante.

Vá ao cinema com os dois pés no chão, sem esperar milagre. Se você ama a franquia, vai gostar de ver Campbell novamente como Sidney, não à toa ela foi apontada como a nova rainha do grito, sucedendo Jamie Lee Curtis, além disso, o novo filme da franquia traz Tatum amadurecendo e Gale voltando. Pânico 7 é mais nostalgia do que susto.

Desliguem os celulares e boa diversão.

Bruno Giacobbo
Bruno Giacobbo
Um dos últimos românticos, vivo à procura de um lugar chamado Notting Hill, mas começo a desconfiar que ele só existe mesmo nos filmes e na imaginação dos grandes roteiristas. Acredito que o cinema brasileiro é o melhor do mundo e defendo que a Boca do Lixo foi a nossa Nova Hollywood. Apesar das agruras da vida, sou feliz como um italiano quando sabe que terá amor e vinho.

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