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Treze Dias, Treze Noites oferece tensão constante em filme baseado em fatos reais

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Treze Dias, Treze Noites é um filme franco-belga dirigido por Martin Bourboulon que reconta, baseada em fatos reais, a evacuação da embaixada francesa em Cabul entre 15 e 28 de agosto de 2021, logo depois dos Estados Unidos entregarem o Afeganistão ao novo governo talibã recém-eleito, após anos de ocupação estrangeira. No centro das ações, está o comandante Mohammed Bida, vivido pelo ator Roschdy Zem, um auxiliar militar do embaixador francês.

Tendo que lidar com uma multidão na porta da embaixada, um punhado de cidadãos franceses morando em Cabul e afegãos desesperados por refúgio, Bida decide arriscar tudo. Logo no início de Treze Dias, Treze Noites, ele organiza o resgate de um amigo, um oficial do serviço secreto afegão, que está escondido dentro de um restaurante. Paralelamente, o militar abre os portões para que a multidão entre, enquanto tensas negociações junto aos talibãs são realizadas com o intuito de evacuar totalmente o local.

Treze Dias, Treze Noites mantém uma tensão enervante do começo ao fim, durante quase duas horas, com a maior parte das cenas dentro da embaixada. Lá, o clima aperta nas conversas para esvaziar o lugar e levar todo mundo para o aeroporto. Aí entra Eva, interpretada pela atriz Lyna Khoudri, funcionária de uma ONG, afegã com nacionalidade francesa, que conhece os dois lados e vira intérprete para Bida — mesmo receosa, porque suas atitudes “ocidentais” batem de frente com o que os talibãs esperam de mulheres.

O longa-metragem de Bourboulon tem ainda outro personagem importante: a jornalista Kate, interpretada pela atriz dinamarquesa Sidse Babette Knudsen, que luta para salvar um grupo de artistas afegãos que também estavam na tal multidão. Apesar da recusa inicial de Bida, a sua argumentação de que eles seriam os primeiros caçados pelo novo regime acaba dando certo. Essas duas mulheres, coadjuvantes fortes, valentes e independentes, levam a gente a ficar com medo do que pode acontecer com elas pelo que representam.

No último terço de Treze Dias, Treze Noites, depois de negociar ônibus e vans, a comitiva sai em carreata rumo ao aeroporto. Apesar das promessas talibãs de não atrapalhar, os percalços vêm, e o suspense não arreda o pé. Só é possível respirar quando o grupo chega, enfim, ao seu destino final, mas mesmo aí o filme guarda uma surpresa chocante. É um respiro curto, porque os créditos ainda jogam na cara: essa foi a maior evacuação francesa da história, e, apesar das promessas do Talibã sobre direitos das mulheres, as restrições até hoje só aumentam.

O ponto forte de Treze Dias, Treze Noites é exatamente essa tensão constante, o ar rarefeito que não deixa ninguém relaxar. As cenas dentro da embaixada e o trajeto final funcionam bem para mostrar o caos real, sem exageros. E o foco nas mulheres — Eva e Kate — dá um peso ainda maior: uma humanitária secular com raízes afegãs e uma repórter que roda o mundo. As duas incomodam o governo teológico simplesmente por existirem. No fundo, o filme não é só sobre evacuar gente; é sobre como, às vezes, tudo muda para permanecer como antes.

Desliguem os celulares e boa diversão.

Bruno Giacobbo
Bruno Giacobbo
Um dos últimos românticos, vivo à procura de um lugar chamado Notting Hill, mas começo a desconfiar que ele só existe mesmo nos filmes e na imaginação dos grandes roteiristas. Acredito que o cinema brasileiro é o melhor do mundo e defendo que a Boca do Lixo foi a nossa Nova Hollywood. Apesar das agruras da vida, sou feliz como um italiano quando sabe que terá amor e vinho.

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