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“NESTA” discute pressão estética, maternidade e autonomia

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Solo “NESTA”, de Flora Bulcão, mistura dança-teatro e performance para discutir pressão estética, maternidade e autonomia. Um corpo nu dentro de um saco plástico abre a cena de NESTA, solo da bailarina e performer Flora Bulcão que estreia na Sala Preta do Espaço Cultural Sérgio Porto. A imagem sintetiza o ponto de partida do espetáculo: o corpo como território de controle e espaço para subversão. A obra acontece em uma zona híbrida entre dança-teatro, performance e artes visuais, linguagens que fazem parte da formação da artista. 

Com uma mulher cisgênero como protagonista, NESTA propõe uma lupa sobre os processos e narrativas referentes a este corpo, da menarca à pós-menopausa, atravessando temas como maternidade, pressão estética, sexualidade, envelhecimento e autonomia. O título carrega múltiplos significados: remete ao presente (“nesta”), ao “ninho” (do inglês nest) e à ideia de origem e pertencimento. O espetáculo tem forte caráter autobiográfico, mas dialoga com experiências coletivas de mulheres e pessoas feminilizadas. A nudez, presente em cena, aparece de forma não erotizada, como instrumento de investigação. 

Segundo a artista, “o solo aborda as potências de um corpo feminino, que continua sendo desvalorizado, diminuído e excluído em grandes parcelas de poder e reconhecimento da sociedade. O grande diferencial é mostrar esse corpo feminino de forma não erotizada e criar novas formas pra esse corpo, como uma espécie de teatro de animação a partir do corpo nu”, comenta. 

O projeto surge como desdobramento da pesquisa iniciada por Flora Bulcão no trabalho de conclusão de curso em Artes Visuais da UERJ, que resultou na performance “Algo tão doce”, onde ela expunha a dura realidade do assédio sexual no Brasil. A partir dessa experiência, a artista sentiu a urgência de criar uma obra que não apenas evidenciasse a violência de gênero, mas também oferecesse um caminho de superação. 

Durante seu mestrado em dança na Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGDan-UFRJ), Flora desenvolveu a dissertação “Sangramentos Cicatrizáveis – NESTA em performance (2023)”, onde fundamenta sua pesquisa em estudos sobre cura, ancestralidade e continuidade da vida, em diálogo com autoras como Anna Halprin, bell hooks e Clarissa Pinkola Estés. 

“A faculdade de Artes Visuais fez com que eu me apaixonasse pelo hibridismo e pela pluralidade de maneiras de fazer arte. Em cada semestre tínhamos matérias de diferentes fazeres artísticos como pintura, escultura, performance, gravura, cinema. Essa formação, somada à minha experiência como bailarina, me deu a urgência de misturar tudo neste trabalho”, relata. 

Outro destaque é a participação, em vídeo, da mãe da artista, Heloisa Lyra Bulcão, que amplia a discussão ao trazer a perspectiva de diferentes gerações sobre os papéis femininos, entre escolhas pessoais e expectativas sociais. Flora compartilha sua experiência pessoal e reflexões sobre um tema que insiste à espreita do corpo de mulheres, sobretudo próximo aos 30 anos: ser ou não ser mãe. A maternidade é abordada também pela perspectiva de filha e avó. Ao fortalecer a troca intergeracional, essencial na construção da identidade feminina, o espetáculo honra as mulheres que vieram antes sem deixar de iluminar a possibilidade de novos caminhos.

SERVIÇO  Temporada: de 1 a 17 de maio / Local: Espaço Cultural Sérgio Porto (Sala Preta) – R. Humaitá, 163 – Humaitá / Ingressos em https://bileto.sympla.com.br/ Classificação: 14 anos

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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