- Publicidade -

“Angélica”, de Nina Tomsic, faz uma sátira sobre a raiva feminina

Publicado em:

Dez mulheres estranhas, paranoicas, agressivas e deslumbrantes ocupam um teatro decadente. Não se sabe ao certo, mas parece que elas moram ali e estão há anos fazendo um espetáculo para ninguém, esta é “Angélica”, peça dirigida por Nina Tomsic, que faz uma sátira sobre a raiva feminina.

Com humor ácido, a montagem mistura textos de Angélica Liddell, números musicais, monólogos de autoficção e cenas criadas coletivamente. São 15 esquetes que desprezam as boas maneiras e tensionam os padrões da feminilidade ao perguntar: o que seria do mundo se as mulheres fossem tudo aquilo que disseram que elas não poderiam ser? O espetáculo fica em cartaz no Teatro Ziembinski até o fim de junho. 

A dramaturgia surgiu a partir de um processo coletivo desenvolvido durante um laboratório de atuação na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Durante os ensaios, atrizes e diretora partiram da pergunta “qual a sua relação com a raiva?” para construir cenas inspiradas em experiências pessoais, desejos secretos, traumas, fantasias e contradições do universo feminino. O resultado é uma peça atravessada por diferentes perspectivas sobre o que significa existir como mulher nos dias de hoje.

Com equipe inteiramente feminina, Angélica foi construída de forma horizontal, com a condução de Nina Tomsic, mas sem hierarquia. Estreando na direção, Nina acredita que um projeto, quando está nas mãos de todas, ganha mais força. “Eu sou uma atriz criadora, gosto de dar minhas opiniões na construção das minhas personagens e nos projetos que participo. Tenho prazer em pensar junto. Em um ensaio, nossa orientadora, Juliana Monteiro, comentou que esse processo era feminista em sua base, porque o feminismo anticapitalista recusa a hierarquia de poder”, comenta.

Inspirado na obra da encenadora espanhola Angélica Liddell, a peça traz referências da artista tanto diretamente, com alguns de seus textos costurados na dramaturgia, como no espírito subversivo da cena, que evidencia a recusa em suavizar personagens femininas complexas. “Seu trabalho malcriado e teimoso foi essencial para que o espetáculo se desenvolvesse. Ela é nosso modelo feminino”, afirma Nina. 

Segundo a diretora, “É urgente fazer o contrário de tudo que nos foi ensinado. Não como inversão: nada que é masculino nos interessa, mas vestir a coragem para sair da zona de (des)conforto imposta sobre ogênero feminino. Desde a idade média, as mulheres que fugiam do controle masculino eram vistas como bruxas, doentes, loucas ou histéricas, os anos passam e os controles se disfarçam, mas continuam presentes. O teatro é o espaço mais seguro para ousar a rebeldia de ser outra mulher. É um manifesto. Estamos nos colocando em cena da forma que gostaríamos de ver outras mulheres”, conclui. 

Depois de estrear no Palco Carlos Magno, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, com sessões lotadas, Angélica foi convidada a integrar o Seminário de Diálogos Feministas, onde realizou uma apresentação seguida de debate com o público. Agora, o espetáculo ultrapassa o ambiente acadêmico e conquista espaço no circuito teatral carioca, em sua primeira temporada fora da universidade. 

SERVIÇO Temporada: 2 a 17 de junho / Dias da semana: terças e quartas Horário: 20h00 / Local: Teatro Municipal Ziembinski – Av. Heitor Beltrão s/n,0 Ingressos:  https://bileto.sympla.com.br/ Duração: 75 minutos Classificação: 16 anos

Rota Cult
Rota Cult
Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

Mais Notícias

Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Nossas Redes

2,459FansGostar
216SeguidoresSeguir
125InscritosInscrever
4.310 Seguidores
Seguir
- Publicidade -