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“Cícero – a Anarquia de um Corpo Santo” traz Padre Cícero encarando a própria morte

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“Cícero – a Anarquia de um Corpo Santo”, de Samir Murad, coloca Padre Cícero diante da Morte, o espetáculo tem como proposta principal, fazer uma retrospectiva poética de sua vida, suscitando reflexões sobre o entrelaçamento da Igreja e da Política na sociedade contemporânea. Trazemos em sua humana complexidade, a figura desse mito que paira soberano, enquanto luta para não morrer. 

Discutimos o conceito de ancestralidade ao fazer Cícero passear pela pré-história do Cariri, onde seu corpo é tomado por entidades, animais e acidentes geográficos. Antevê ainda conflitos na cidade que um dia ajudou a fundar. Suas memórias sugerem um ajuste de contas consigo, com os outros e com Deus. Com a Beata Maria do Araújo que sangrou a hóstia, tocamos na questão do rebaixamento da figura feminina em função de sua negritude e pobreza, diante da supremacia masculina da Igreja. Além disso, critica-se ainda a cultura machista que pontua a narrativa assim como o preconceito do etarismo ao valorizar o poder e o saber do velho na figura de  Cícero.

“Valendo-se de referências do teatro oriental, em consonância com o pensamento de Antonin Artaud, nossa principal referência de pesquisa de linguagem e privilegiando a figura do Ator, o espetáculo utiliza-se da fisicalidade do BUTOH , uma espécie de teatro-dança japonês, assim como de conceitos extraídos do LIVRO “TIBETANO DOS MORTOS, ambos tendo no estudo da Morte sua fonte de investigação artística e  espiritual.

 O Cariri no Ceará, é uma região rica de lendas, mitos, sagas familiares e cima de tudo de uma religiosidade singular, devido ao fato de ali ter nascido e vivido a figura emblemática do Padre  Cícero. Ali através de festivais e comemorações diversas, há um notável encontro da tradição e do contemporâneo. É nesse universo poético como os versos cantados de um repentista, que Padim será desconstruído, a partir da uma evocação de um homem cheio de contradições, por trás da aparente impavidez do mito. 

Nessa atmosfera de realismo fantástico, o espectador tomará contato com a memória desse pedaço do Brasil , assim como com, a trajetória de Cícero, tirando suas próprias  conclusões  e permitindo-se  uma reflexão acerca de sua própria experiência religiosa e política.

SERVIÇO De 2 a 30 de junho (terças e quartas) às 19 h / Debate pós-peça: toda terça-feira, durante 30 minutos (Não haverá espetáculo na quarta dia 24/jun) / Teatro do CCJF: Av. Rio Branco, 241 – centro / metrô estação Cinelândia / Classificação: 14 anos | Ingressos: pela Sympla ou bilheteria do teatro

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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