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“FRÁGIL” leva para o palco a ausência paterna

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Tema delicado, mas de natureza universal, e que recentemente virou lei no Brasil – punindo o abandono afetivo –, a ausência paterna ganha a cena em “FRÁGIL”, solo protagonizado por Inês Oneto, com direção de Diana Herzog. O espetáculo parte de relatos reais para investigar as marcas que essa falta deixa na vida das pessoas, construindo uma narrativa sensível que mistura depoimentos, memória e criação cênica.

O texto foi escrito por Herzog e Rafaela Amodeo (também diretora de movimento), e contém relatos de entrevistas e depoimentos coletados durante a pesquisa. A peça utiliza a técnica do teatro verbatim — em que a atriz reproduz, em tempo real, áudios de testemunhos ouvidos por fones — criando um jogo entre escuta e presença. O resultado é um solo que se desdobra em múltiplas vozes, atravessado por emoções como afeto, abandono, raiva e esperança.

“A escolha pelo verbatim veio da necessidade da Inês de contar outras histórias além da dela. Ao tentar falar de si, a fragilidade do tema a leva a atravessar relatos de outras mulheres, que ecoam afetivamente — são, no fundo, histórias de filhas marcadas pela ausência paterna. O recurso busca preservar ao máximo a fala original, com o cuidado de repetir intenção e palavras com fidelidade. Assim, essas vozes costuram a dramaturgia e fazem emergir múltiplas presenças em cena, mesmo em um solo. É autoficção, mas também teatro documental”, afirma a diretora Diana Herzog. 

“FRÁGIL” nasce de uma investigação artística que envolveu diferentes públicos e especialistas, ampliando o olhar sobre o impacto da ausência paterna. Em cena, o vazio se transforma em matéria dramatúrgica: uma falta que ocupa espaços, atravessa silêncios e molda trajetórias.

Assumir o solo marcou uma virada para a atriz. “Foi um salto grande, pessoal e artístico. O projeto nasceu para três atores, mas em algum momento entendi que precisava ser um solo, mesmo sendo o meu primeiro. Parte de um lugar íntimo, mas rapidamente percebi que a ausência paterna atravessa muitas vidas. Tornou-se urgente falar sobre isso: não normalizar, não romantizar, não desculpar”, conta Inês Oneto.

A atriz também destaca a escuta como eixo da criação: “Colocar-me como mediadora dessas vozes foi, acima de tudo, um exercício de escuta. Cada história é única, mas partilha muitos pontos de contato. Em cena, trago essas experiências sem as representar literalmente, abrindo espaço para fragilidade, humor, raiva e ternura. No solo, estamos expostos, mas também livres. O que procuro é criar uma ponte com o público — um espaço de encontro onde cada um possa reconhecer algo de si e olhar para o que muitas vezes fica por dizer.”

A equipe criativa reúne ainda Clívia Cohen (direção de arte), Renato Machado (desenho de luz) e Rui Pinho Aires (direção musical), compondo uma encenação que valoriza a presença da atriz e a força dos relatos.

Mais do que um espetáculo sobre ausência, “FRÁGIL” propõe um espaço de identificação e reflexão, onde histórias individuais revelam uma experiência compartilhada.

Serviço: Dias 22, 23 e 24 de maio. Sexta e sábado, às 21h | Domingo, às 20h.
Teatro O Tablado. Av. Lineu de Paula Machado, 795 – Jardim Botânico.
Classificação: 12 anos.
Gênero: Autoficção/ Teatro documental.
Duração: 50 min. 

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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