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Luciano Figueiredo reúne obras produzidas recentemente em individual

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A Anita Schwartz Galeria de Arte recebe a exposição “Por toda parte escreverei o teu nome”, individual inédita de Luciano Figueiredo com curadoria de Luiz Chrysóstomo. Reunindo obras produzidas recentemente, a mostra marca os 60 anos de trajetória de um dos nomes mais singulares da arte brasileira e apresenta um novo núcleo de pesquisa em que pintura, palavra, cor e linguagem gráfica convergem em composições de grande precisão formal.

Nascido em Fortaleza, em 1948, e radicado no Rio de Janeiro, Luciano Figueiredo construiu uma trajetória rara. Iniciada em 1966, sua produção atravessa artes plásticas, design gráfico, poesia, cenografia, curadoria e reflexão crítica sobre a cultura brasileira. Ao longo de seis décadas, manteve interlocução com figuras centrais do país, entre elas Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Caetano Veloso, Waly Salomão e Gal Costa. Também assinou capas de discos emblemáticos e trabalhos de cenografia que ajudaram a moldar a iconografia da música brasileira contemporânea. Foi ainda coautor, ao lado de Oscar Ramos, do projeto gráfico da histórica revista Navilouca, publicação experimental decisiva na confluência entre poesia, arte e contracultura nos anos 1970.

Sua formação passa por Fortaleza e Salvador, onde estudou com o artista alemão Adam Firnekaes, ligado à tradição moderna europeia e ao legado da Bauhaus. Mais tarde, a experiência de viver em Londres ampliou decisivamente seu repertório visual e intelectual, aprofundando o diálogo com cinema, poesia e página impressa. Nas palavras de Chrysóstomo, “o folhear das páginas e a magia do mundo das luzes e sombras tornaram-se o foco do imaginário visual”, percepção que ajuda a compreender a origem de muitas constantes na obra de Figueiredo.

Embora sua atuação transite por campos diversos, a pintura permanece como eixo estruturante de seu percurso. Em sua produção, a superfície pictórica se expande em direção ao recorte, à dobra, à colagem, montagem e espacialidade. “Eu sempre tive uma relação muito forte com o jornal. A notícia nunca foi o mais importante para mim. O que me atraía era a gama de cinzas, as tonalidades, o gesto de folhear a página. Tudo isso virou uma plasticidade para mim. Daí veio uma entrada na geometria, nos círculos, nos retângulos e quadrados. Eu continuo insistindo que meu trabalho é de pintor”, afirma Luciano.

Na série inédita apresentada pela galeria, o artista parte das escalas cromáticas usadas na impressão de jornais, marcas técnicas quase invisíveis ao olhar cotidiano, para construir composições em que fragmento, ritmo e cor ganham autonomia visual. Aqui, elementos periféricos tornam-se o centro da imagem. O que servia à reprodução transforma-se em estrutura poética e a dobra de uma mera folha de jornal não é gesto casual.

Segundo Chrysóstomo, trata-se de uma pesquisa recente de grande força conceitual. “Luciano é um polímata. Seu percurso passa pelo design gráfico, pela cenografia, pela poesia, pela curadoria, pela convivência com a música popular brasileira, pelo cinema e pela pintura. Tudo isso comparece aqui. Esta não é uma retrospectiva, mas um núcleo novo. Ele aprofunda a questão da cor sem necessariamente usá-la como a entendemos de imediato. Trabalha com as guias, com aquilo que está por trás, com o que em geral ninguém vê. É quase um olhar para as vísceras da cor”, analisa.

A curadoria enfatiza uma experiência de contemplação atenta e aproximação física com os trabalhos. Em contraste com o excesso imagético e a monumentalidade frequente no circuito contemporâneo, a mostra propõe escala humana, silêncio e leitura lenta. De longe, as obras surgem como sinais mínimos. De perto, revelam camadas, cortes e relações cromáticas complexas. “As pessoas precisam se aproximar dos trabalhos para ver”, observa Chrysóstomo.

Ao longo de seis décadas, Luciano Figueiredo tratou a fragmentação como unidade. Muitas vezes, isolava-se para definir seu léxico na solidão do ateliê, construindo uma obra fiel ao tempo longo da pesquisa, ao fazer direto sobre a matéria e à disciplina silenciosa do trabalho contínuo.

O título Por toda parte escreverei o teu nome é uma promessa de circulação da palavra. Evoca memória afetiva e sugere um gesto de inscrição no mundo. É também síntese de uma dimensão recorrente da trajetória do artista: a aproximação entre linguagem verbal e visual. Admirador de Jean-Luc Godard, Luciano incorporou ao longo do tempo procedimentos de montagem, cortes e coexistência entre texto e imagem que atravessam a sua produção até hoje.

Presente em importantes coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior, Figueiredo participou de mostras de referência, entre elas edições da Bienal de São Paulo e da Bienal do Mercosul, além de exposições em instituições como MAM Rio, Pinacoteca de São Paulo, Paço Imperial e Museo Reina Sofía, em Madri. Um artista de rigor construtivo, liberdade inventiva e fidelidade absoluta ao próprio percurso.

SERVIÇO:
Abertura: 05 de maio / Anita Schwartz Galeria de Arte R. José Roberto Macedo Soares, 30 – Gávea

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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