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“No Entanto, Ela se Move” faz investigação poética inspirada nos mistérios do universo

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Galileu Galilei foi condenado por defender que a Terra se movia. Ainda assim, dizem que murmurou: “no entanto, ela se move”. A frase atravessou séculos. Era sobre a Terra, mas também pode ser sobre o corpo, o tempo ou tudo que insiste em girar. Desse lugar nasce “No Entanto, Ela se Move”, espetáculo que une teatro e dança em uma investigação poética inspirada nos mistérios do universo e seus movimentos.

Em cena, Márcia Rubin e o idealizador do espetáculo Juracy de Oliveira são dois corpos – e não por acaso os chamamos assim – que habitam um universo em trânsito, onde dança e teatro se entrelaçam para investigar o que nos constitui como seres humanos e como matéria cósmica. É justamente nessa fronteira entre o científico e o sensível que o espetáculo encontra o seu território. A direção é de Dadado de Freitas e a dramaturgia de Pedro Kosovski.

A concepção da peça nasce de um processo coletivo entre elenco, direção e dramaturgia, numa construção que relaciona as linguagens do teatro e da dança com a ficção científica. O gesto de olhar pro céu caiu em desuso e o espetáculo metaforiza uma convocação para olharmos de novo para o cosmos para nos enxergarmos também como sociedade. 

“Pode ser um corpo humano ou um corpo celeste, espacial. Ou os dois ao mesmo tempo. Se somos feitos de poeira de estrelas, dançar, de algum modo, corresponde a uma dança cósmica. Assim, a dança, no espetáculo é o suporte e a base para as histórias que esses dois corpos apresentam ao público”, diz Dadado de Freitas, que fará uma parceria profissional inédita com Pedro Kosovski: “Somos amigos há muitos anos e de uma mesma geração na cena e nunca trabalhamos juntos. Está sendo um encontro artístico especial“.

Histórias fragmentadas trazem narrativas espaciais e o fascínio humano pelo cosmos. Os corpos em cena movem-se de modo a ecoar os movimentos dos astros: a órbita, a gravidade, a dança silenciosa das estrelas, um verdadeiro elo entre o microscópico e o infinito, entre o que somos e o que o universo é.

“No Entanto, Ela se Move” também celebra o retorno de Márcia Rubin aos palcos. Bailarina, coreógrafa e diretora de movimento, comemorando 40 anos de trajetória no teatro, com grandes conquistas como o Prêmio Shell na Categoria Especial por sua trajetória na direção de movimento, Márcia estava afastada dos palcos como intérprete há 15 anos. Gerações inteiras de atores e bailarinos passaram por sua preparação. Para celebrar este legado, algumas das movimentações que compõem a peça – todas criadas pela artista – são inspiradas em coreografias de outras peças do seu repertório, transformando sua memória corporal em dramaturgia.

Nas pesquisas sobre a relação entre movimento e  astronomia, os artistas foram conhecer a Luneta 46 (Grande Luneta Equatorial de 46 cm), o maior telescópio do Brasil, localizado no Observatório Nacional, ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, no Rio de Janeiro. O telescópio foi inaugurado em 1922 e, apenas três anos depois, o cientista Albert  Einstein passou pelo Observatório  enquanto comprovava a Teoria da Relatividade (um evento que culmina no eclipse solar de 1925 em Sobral, no Ceará). As fotografias, assinadas por Rodrigo Menezes, têm como cenário o telescópio. Uma escolha que não é apenas estética, mas sim conceitual. 

O mesmo instrumento que a humanidade usou durante séculos para tentar decifrar os mistérios do universo agora emoldura os corpos que, em cena, tentam fazer o mesmo, não com lentes e cálculos, mas com dança, movimento e poesia.

“A Márcia e o Juracy vão narrando em cena noções de movimento que são parte de uma formação em dança, e é bonito como isso também tem a ver com a questão científica”, conta Pedro Kosovski, que completa: “Explicando uma questão técnica, conseguimos produzir alguma poesia. Ou seja, a técnica da dança, a técnica da física… Tudo isso também é poesia, de algum modo. Afinal, um poema é o que todo espetáculo pretende ser“, conclui.

SERVIÇO: Temporada: de 04 a 28 de junho de 2026 Dias e horários: quinta e sexta às 20h30 | sábado e domingo às 19h / Sessões com acessibilidade em LIBRAS: 06 e 20 de junho de 2026.
Horários especiais – Copa do Mundo: Nos sábados 20 e 27 de junho, o espetáculo terá sessões extras às 20h30; e nos dias 13 e 19 de junho, não haverá sessões por conta dos jogos da Copa do Mundo. / Local: Mezanino do Sesc Copacabana Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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