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Orquestra Sinfônica Brasileira inicia a Série Mundo com uma homenagem à Espanha

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A Orquestra Sinfônica Brasileira inicia a Série Mundo com uma homenagem à Espanha nos dias 29 e 30 de maio, sendo a primeira apresentação na Sala Cecília Meireles e a segunda no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O maestro espanhol Francisco Valero-Terribas assume a batuta e a soprano Gabriella Pace é a solista dos concertos. No repertório, obras de Joaquín Turina, Miguel Ortega, Borja Mariño e Henrique Oswald.

Ao lado de Albéniz, Granados e De Falla, Joaquín Turina figura como um dos mais destacados compositores nacionalistas da Espanha. A sua vocação musical se manifestou cedo, ainda na infância, e aos 15 anos o adolescente já esboçava sua primeira ópera. O sucesso e o reconhecimento, no entanto, só viriam anos depois, com a estreia de seu poema sinfônico La Procesión del Rocío, Op. 9, que abre este programa. A obra retrata a celebração da Romaria do Rocío, procissão que parte do bairro sevillano de Triana em honra à Virgem, e se divide em duas partes, encadeadas sem pausa. 

O bloco central do programa é dedicado à música espanhola contemporânea e traz duas obras escritas a partir de poemas de Federico Garcia Lorca. Que tantos compositores do passado e do presente tenham se voltado para a obra deste poeta diz muito tanto sobre a alta voltagem emocional do conteúdo poético quanto sobre a vocação musical do próprio texto lorquiano. Seus versos são marcados por uma forte atenção à dimensão sonora, com aliterações e onomatopeias e padrões rítmicos que parecem aspirar eles mesmos à condição de partitura. O misterioso Romance de la luna, luna, de Miquel Ortega, foi escrito primeiramente para voz e piano, e integra um ciclo de três peças, todas baseadas em poemas de Lorca. A linguagem da obra é neotonal e o poema escolhido narra uma cena em que a lua se personifica como figura sedutora e fatal, e um menino cigano paga com a vida sua fascinação por ela. Na sequência, será ouvida Vaqueros en Nueva York, de Borja Mariño, também concebida originalmente para voz e piano em 2024 e que será ouvida hoje em sua estreia na versão orquestral. A tensão do ciclo se inscreve já no título: Fuente Vaqueros é a terra natal de Lorca e Nova York, cidade onde o poeta viveu entre 1929 e 1930 e que o confrontou com a alienação e a violência da modernidade. É a faceta mais dissonante do poeta que Mariño convoca aqui e para fazê-lo, ele dissolve na tessitura das canções ecos fantasmáticos de Gershwin, Joplin e Cole Porter.

Da fronteira geográfico-interartística da obra de Mariño, o programa avança para um diálogo com a música nacional, apresentando a Sinfonietta Op. 27, de Henrique Oswald, que embora seja associado à tradição europeia, ocupa um lugar singular na história da música brasileira. A obra, marcada por grande riqueza orquestral, sintetiza as maiores qualidades do compositor: linguagem refinada, lirismo e elegância formal. Distante do nacionalismo explícito que ganharia força nas décadas seguintes, a peça revela um Brasil cosmopolita, em diálogo direto com a herança romântica europeia. 

SERVIÇO:

Série Mundo Espanha

Dia 29 de maio (sexta-feira), às 19h

Local: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47 –  Lapa, Rio de Janeiro – RJ)

SERVIÇO:

Série Mundo Espanha

Dia 30 de maio (sábado), às 19h

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano, S/N – Centro – Rio de Janeiro – RJ)

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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