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Daniel Senise volta a fazer uma individual no Paço Imperial, após 32 anos

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O Paço Imperial recebe a exposição “Os dois lados da janela”, com 59 obras do artista Daniel Senise, que abrangem sua produção desde 2000 até agora. A curadoria é de Pollyana Quintella, que destaca que a mostra oferece ao público a oportunidade de acompanhar os desdobramentos recentes da trajetória do artista, “através de uma articulação que privilegia aproximações não cronológicas, evidenciando recorrências e deslocamentos no interior de sua produção”. Os trabalhos expostos pertencem à coleção do artista e coleções particulares.

Artista com uma grande produção, Daniel Senise conta está apreciando a ideia desta exposição, em que há trabalhos diversos do que se costuma identificar imediatamente como sendo dele.Reconhecido pelo uso de capturas de superfícies para a realização de seus trabalhos, nessa exposição estão presentes também obras que utilizam outros materiais e tecnicas, como aquarelas, fotografias, objetos que expandem a percepção do trabalho. 

Ele salienta que considera o Primeiro Andar do Paço Imperial – ocupado integralmente pela exposição – um espaço ideal para se fazer uma exposição que apresenta um panorama da obra. As salas mostram desdobramentos e afinidades, criando relações entre obras de períodos e materiais distintos. Ele ressalta que o início do percurso, na Antessala Gomes Freire, “é como se fosse uma síntese da exposição, do que aconteceu nos últimos 25 anos”. As obras ali são as monotipias ou coletas de parede – pesquisa que notabiliza o trabalho do artista – “Verônica (Blanchard Jacques)”, 2026, com 150 x 180 cm; e “Sem título (Guggenheim Museum)”, 2022, com 150 x 300 cm; e as duas em tinta acrílica e tinta metálica sobre tecido: “J.L” (2026), 84 x 83 cm, e “Lucrécia”, de 2026, de 200 x 125 cm. Uma referência a Lucrécia Borgia (1480-1519), “personagem extensivamente representada em pinturas desde o século 16”, observa Daniel Senise. “Nessa tela vemos uma imagem constituída por marcas e intervenções aparentemente aleatórias enquadrada como uma obra em um espaço supostamente museológico”, diz.

Ao longo da exposição, o público verá ainda uma série pequenas pinturas – as “pinturinhas” de Daniel Senise, experiências que ele faz em seu ateliê, além de textos de Pollyana Quintella, as “legendas expandidas”, que comentam algumas obras ou o conjunto do ambiente.

Na Sala Gomes Freire, está “Misty Peach Vision Petal” (2004), com 2,15 metros de altura por 6,45 metros de comprimento, produzida a partir “da transferência de poeira, resíduos e marcas acumuladas no chão do ateliê para a tela”, explica Pollyana Quintella nas legendas expandidas que estarão na exposição. “O trabalho incorpora diretamente os vestígios do espaço onde foi produzido. No tríptico, uma mancha rosada atravessa as três telas. Quase invisível no piso original, o vermelho emergiu apenas após a impressão, fazendo surgir uma imagem que parecia existir latente na matéria”, conta.“Realizadas em momentos distintos sobre o mesmo chão, as impressões nunca coincidem integralmente: variações de densidade, opacidade e textura fazem com que cada tela retenha diferenças sutis, como se a própria duração do processo se inscrevesse na pintura. O título, construído a partir da combinação aleatória de palavras encontradas em um jogo de ímãs, reforça o caráter associativo da obra. ‘Misty’, ‘Peach’, ‘Vision’ e ‘Petal’ mantêm sentidos autônomos, mas, reunidas, produzem uma atmosfera rarefeita que atravessa toda a pintura”, afirma Pollyana Quintella. 

Na sala Academia dos Seletos – a sétima sala da exposição – está a obra “Arranjo em cinza e prata” (2019), com 2,44 metros de altura por 7,50 metros de comprimento, feita com os carpetes queimados no incêndio sofrido peloTeatro Villa-Lobos, em Copacabana, em 2011. Daniel Senise havia sido convidado para fazer um painel para a instituição, que iria passar por obras de renovação, quando houve o incêndio. Ele foi ao local e recolheu pedaços do tapete que cobria o chão. Anos depois, criou o trabalho com esses fragmentos, colocados sobre uma superfície de alumínio, que reflete o espectador. “O título dialoga com a obra ‘Arranjo em cinza e preto’ (1871), de James Abbott McNeill Whistler(1834-1903), artista cujo repertório reaparece em outras obras de Daniel Senise”, observa Pollyana Quintella nas legendas expandidas que estarão na exposição. 

Na sala Mestre Valentim, a última e a maior da exposição, está a obra “Vai que nós levamos as partes que te faltam” (2008), com 10 metros de comprimento por 1,20 metro de altura, uma composição de aquarelas feitas por Daniel Senise, que reproduzem um a um os tacos de madeira do corredor de sua residênciano Rio de Janeiro. Ao olhar atentamente, o público pode notar que se trata de uma “planta baixa”, com “as saídas para sala de TV, a de estar e para a cozinha”, conta o artista.

Serviço: Abertura: 4 de julho de 2026, a partir das 11h com a presença do artista / Até: 6 de setembro de 2026 / Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial Praça Quinze de Novembro, 48, Centro / @pacoimperial_rj 

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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