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“Édipo de novo?” reestreia na Casa de Cultura Laura Alvim

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Como renovar o interesse por uma história escrita há cerca de 2.500 anos? A resposta do grupo de atores que vem lotando teatros no Rio é clara: transformar uma das maiores tragédias gregas em uma comédia atualizada semanalmente com os memes e absurdos do noticiário brasileiro. Sem trair a essência da saga criada por Sófocles, “Édipo de novo?” nunca é exatamente o mesmo espetáculo.  E desta vez acontece com o tempero extra da campanha eleitoral.  

“Estamos afoitos para iniciarmos a temporada porque o Brasil não para de nos dar material. Eleição é um prato cheio. Antes mesmo de sabermos desta nova temporada, já estávamos trocando mensagens como ‘essa notícia naquele momento da peça seria ouro’. Agora vamos ter a chance de colocar tudo que pensamos em cena. Não podíamos estar mais animados”, revelam.

Dirigida por Thiago Bomilcar Braga, a montagem explora a percepção de que a política brasileira e a tragédia grega têm muito mais em comum do que parece. Reviravoltas, improváveis e acontecimentos absurdos que parecem ficção criam o terreno ideal para transportar o mito de Édipo para o Brasil de hoje. Assim, em meio ao clássico, surgem referências ao cotidiano nacional. Édipo promete não taxar as “blusinhas importadas de Atenas”, enquanto a Esfinge pode surgir defendendo a privatização das praias ou sonhando em anexar a Groenlândia. 

“É um novelão, cheio de reviravoltas, com elementos místicos, monstros, vilões e mocinhos. Até o próprio herói que seguimos, Édipo, está longe de ser bonzinho, já que carrega em si uma enorme soberba. E temos que convir que as notícias políticas do Brasil são tão trágicas ou tão cheias de reviravoltas quanto à trama grega”, comenta. 

Relembre o clássico 

Na saga criada por Sófocles, antes mesmo de nascer, Édipo já carregava uma profecia terrível: mataria o próprio pai e se casaria com a mãe. Na tentativa de escapar do destino, sua família toma uma série de decisões questionáveis, que acabam por empurrá-lo exatamente para aquilo que queriam evitar. Criado como príncipe de Corinto longe da cidade em que nasceu, Édipo toma conhecimento de tal profecia e, sem saber de toda a verdade, decide fugir de quem acredita serem seus pais, para protegê-los. No caminho ele mata um estranho, sem imaginar que era o seu pai biológico. Depois, salva Tebas de uma Esfinge e se casa com a rainha Jocasta, sua mãe biológica, também sem saber. Anos mais tarde, ao investigar uma praga que assola a cidade, Édipo descobre que o culpado que procura é ele mesmo.

Segundo o diretor, “o exagero da tragédia já tem um ar cômico. A tragédia e a comédia são interligadas. Chico Anysio dizia que ‘a tragédia de ontem é o humor de hoje’ e Marisa Orth afirma que ‘a piada boa começa quando você descobre o furo na canoa, quando a maçaneta sai na sua mão’. Os acontecimentos no mito de Édipo são tão absurdos que não tem como ignorar o humor por trás daquela desgraceira toda”.

SERVIÇO Temporada: de 31 de julho a 30 de agosto / Dias e horários: sextas e sábados às 19h; domingos às 18h Local: Espaço Rogério Cardoso – Casa de Cultura Laura Alvim Endereço: Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema Classificação: 16 anos

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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