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“Eles Não Usam Black-Tie” retorna aos palcos no Centro Cultural Justiça Federal

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Há histórias que o tempo não aposenta. Escrita em 1956, quando Gianfrancesco Guarnieri tinha pouco mais de vinte anos, “Eles não usam black-tie” segue atravessando gerações. E agora, volta ao palco justamente no ano em que se completam 20 anos da morte de seu autor (1934–2006).

Ambientada em uma comunidade do Rio de Janeiro, a peça retrata o impacto de uma greve na vida de uma família trabalhadora, revelando os conflitos entre os interesses individuais e a força da luta coletiva. No centro da trama está o jovem operário Tião que, dividido entre o casamento com Maria e o medo de perder o emprego, decide furar a greve e entra em rota de colisão com o pai, Otávio, um velho militante sindical.

Marco do realismo no teatro brasileiro, o texto nasceu de um olhar vanguardista para a classe trabalhadora. No elenco, Pedro Rocha, Nino Batista, Tai Xavier, Laura Campos Braz, João Velho, João Amorim, Vini Venancio, Mara Uchoa, Bruna Kury, Ricardo Lopes e Tatiane Melo dão vida à família de Otávio e aos moradores do morro.

Depois de temporadas no Vidigal, no Leblon e no Centro, o espetáculo retorna à região da Cinelândia, território de trabalho, circulação e manifestações políticas, e endereço simbólico para uma obra que fala diretamente à classe trabalhadora. Não à toa, o diretor coleciona relatos de espectadores que se reconheceram na trama, como o de um funcionário dos Correios que, em plena greve da categoria, saiu do teatro dizendo viver, ali fora, exatamente aquela história.

“Curiosamente, ou talvez infelizmente, neste momento político, a peça volta a ser extremamente relevante. Ela traz uma discussão muito importante sobre o coletivo e o individual, e o Guarnieri deixa muito espaço para o público tirar as próprias conclusões”, afirma o diretor, que também integra o elenco. 

Ele lembra que as mobilizações da classe trabalhadora seguem vivas, como os recentes casos dos entregadores por aplicativo e dos motoristas de ônibus no Rio de Janeiro.  “É uma categoria muito unida e, ao mesmo tempo, marcada pela ilusão de que cada um pode enriquecer individualmente. Aos poucos, essas pessoas percebem que estão sendo exploradas por empresas que não oferecem direitos básicos”.

Sem abrir mão do respeito ao texto original, a montagem rompe com o realismo puro ao incorporar elementos de happening (forma de arte em que o espetáculo se torna um acontecimento único e imprevisível, com participação ativa do público) e referências brechtianas.

“Minha intenção é ‘trair com respeito’: oferecer uma nova leitura, quebrar a quarta parede, fazer o público participar e estimular um distanciamento crítico. Em vez de apenas provocar emoção, a ideia é também despertar uma reflexão racional”, conclui João Velho.

Serviço: Temporada: de 7 a 30 de agosto de 2026 / Dias: sextas, sábados e domingos, às 19h / Local: CCJF – Centro Cultural Justiça Federal | Av. Rio Branco, 241 – Centro / Ingressos: https://www.sympla.com.br| Classificação: 14 anos | Lotação: 141 lugares

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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