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Mano Wladimir inaugura sua segunda individual na Galeria Lado B

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O artista visual Mano Wladimir inaugura sua segunda individual na Galeria Lado B, no Centro do Rio. Com curadoria da crítica e historiadora da arte Bruna Costa, a mostra reúne uma série de pinturas, três serigrafias e uma série de carrancas.

As seis esculturas, produzidas em cerâmica, partem do interesse pessoal de Mano pelas tradicionais carrancas do Rio São Francisco, esculpidas em madeira, originalmente fixadas na proa das embarcações para espantar maus espíritos e espantar criaturas folclóricas das águas. “Eu pesquiso há um tempo esta manifestação cultural brasileira. É uma forma de colocar minha arte a serviço do que já existe, de uma herança popular, mantendo meu interesse pelo monstruoso, pelo fantástico e pelo grotesco”, conta o artista.

Segundo a curadora, “a produção de Mano Wladimir se localiza em um universo mágico entre o sagrado e o profano. Materializa-se sobretudo em pinturas e esculturas de cerâmica, explorando uma iconografia inspirada num tempo longínquo, mas ao mesmo tempo tão próximo e familiar”.

Além de três serigrafias da série “Criaturas da língua portuguesa” onde o artista produz um bestiário de criaturas com estética medieval, um dos destaques da exposição são as 31 pinturas, divididas em quatro grupos: “Os sábios”, “Iluminuras”, “Altares mundanos” e “Terra além”.

Em “Os sábios”, onde o artista compartilha seu olhar atento ao outro, de maneira a estar presente na troca e no diálogo. Já “Iluminuras” faz referência direta às ilustrações e pinturas decorativas feitas à mão que enfeitavam manuscritos antigos, especialmente durante a Idade Média. Esta série, com muitos símbolos de referência, faz também alusão ao movimento armorial, que buscava a produção de uma arte brasileira erudita fundamentada nas raízes da cultura popular nordestina e no folclore.

“Santos, batalhas, criaturas imaginadas, frequentes em iluminuras medievais, moldaram um imaginário ocidental que fora transportado e digeridas para o território que hoje chamamos de Brasil, não de maneira pura e direta, mas permeada por mediações e sub-divisões da cultura ibérica, com influências árabes, por exemplo, em choque com as civilizações originárias e afro-diaspóricas”, explica Bruna Costa.

Na série “Altares mundanos”, o artista retrata oratórios presentes em estabelecimentos tradicionais do Rio de Janeiro, elemento frequente em diversas regiões da cidade. “Esses espaços ordinários carregam uma relação mais direta e familiar com seus frequentantes, e sobrevivem aos tempos com a ajuda da proteção constante de seus pequenos altares, montados pela devoção de seus proprietários e trabalhadores. “, completa Bruna.

A última série, “Terra além”, aborda uma terra imaginária que o artista visita de forma recorrente em seus sonhos e que dialoga com o mundo imaginal (mundus imaginalis), uma realidade espiritual intermediária entre o mundo físico e o intelecto puro. Cunhado pelo filósofo e orientalista Henry Corbin a partir da mística sufi, o termo se refere a um território onde habitam os símbolos, arquétipos e visões, acessível através da imaginação ativa. “Me coloco como um viajante, uma espécie de Debret, documentando este local. É uma forma de religar a arte ao divino, de me colocar como artista em contato com uma realidade mais sutil”, completa.

Serviço: 5 de julho até 1º de agosto
Local: Centro Cultural Lado B
Primeiro de Março, 14 — Centro

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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