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‘Nelson Rodrigues – O Passado Sempre Tem Razão’ reestreia no Teatro das Artes

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Depois de uma bem-sucedida passagem pelo Centro Cultural Banco do Brasil – com sessões esgotadas —, o espetáculo ‘Nelson Rodrigues – O Passado Sempre Tem Razão’ começa uma nova e curta temporada. O jornalista Carlos Jardim assina a dramaturgia e a direção do monólogo que traz Bruce Gomlevsky na pele do autor de clássicos como Vestido de Noiva, O Beijo no Asfalto e Álbum de Família.

“No Rio de Janeiro há de tudo – e até cariocas”. “Por enquanto o ser humano é apenas um projeto sempre adiado”. “O trágico na amizade é o dilacerado abismo da convivência”. “Em amor, deve-se mentir, sempre!”. Tais pensamentos só poderiam nascer da mente daquele que é considerado o maior dramaturgo brasileiro de todos os tempos: Nelson Rodrigues. Frasista genial, aclamado, odiado, censurado. Respeitado até por seus detratores. Sua obra desperta os mais variados sentimentos, jamais a indiferença.

O monólogo não é uma biografia convencional. Carlos Jardim não conta de forma cronológica a vida de Nelson Rodrigues. O que está em cena é o pensamento, a palavra, a alma de um homem atormentado, contraditório e genial. “Busco mostrar o Nelson que não foge da polêmica, que faz reflexões profundas, mas que também é humano e, às vezes, até vulnerável. A intenção é mostrar seu pensamento intenso, conturbado, que até hoje se mostra vivo e relevante”, explica Jardim, que ficou mais de quatro meses mergulhado no universo do escritor.

Nada mais justo que as próprias falas e os escritos de Nelson sejam protagonistas do texto, com diversos pensamentos do autor reunidos por uma costura meticulosa. O texto que ganha o corpo de Bruce Gomlevsky é quase 100% fiel às falas e escritos originais de Nelson Rodrigues, com pequenas intervenções de Jardim que, além de mergulhar na obra do homenageado, assistiu a inúmeras entrevistas em vídeo, vasculhou o material disponível em livros e crônicas e foi pinçando trechos até chegar à forma final do texto, que conta com a colaboração do próprio Bruce.

“Cheguei à sala de leitura com um roteiro pronto, mas, desde o primeiro momento, deixei claro que estava aberto às sugestões. Bruce é um apaixonado pelo Nelson e sonhava em interpretar o dramaturgo. Conforme fomos lendo e trabalhando no texto, ele foi trazendo trechos incríveis, que se encaixavam com perfeição à ideia original”, exalta Jardim.

“Quando li a dramaturgia inicial concebida pelo Carlos Jardim já me apaixonei pelo projeto, mas sugeri que continuássemos em uma busca que pudesse enriquecer ainda mais a dramaturgia. Temos um diretor brilhante e muito aberto para um processo colaborativo”, complementa Bruce.

A relação de Bruce com Nelson Rodrigues vem de longo tempo. Dirigiu espetáculos como Bonitinha, mas Ordinária e Anti-Nelson Rodrigues. Interpretar o dramaturgo era um desejo antigo.

“Sou apaixonado pela obra dele. Com certeza, um dos maiores dramaturgos do século XX, no mundo. Um profundo conhecedor da psique humana. Autor de estilo único, criador de uma linguagem própria que, corajosamente, coloca em cena e desnuda o que há de mais profundo no inconsciente humano, despudoradamente e de forma amoral”, afirma o ator.

O monólogo traz reflexões importantes e mostra como o escritor se mantém cada vez mais atual. Em ano de eleições e Copa do Mundo, a paixão de Nelson por futebol e política e suas opiniões polêmicas entram em cena ao lado de temas sempre presentes na vida do escritor, como amor, adultério, morte, o Rio de Janeiro e suas contradições e o cotidiano pulsante do subúrbio carioca.

Para Carlos Jardim, trazer esses questionamentos é especialmente importante em um momento de intensa polarização: “O que mais me atrai é poder provocar discussões ainda muito pertinentes através do pensamento dele, especialmente no mundo de hoje, em que o diálogo e as dúvidas deram lugar a certezas absolutas e posições radicais que não admitem revisão.”

Serviço
Temporada: 25 de julho a 30 de agosto
Dias e horários: Sábados e domingos, às 20h
Local: Teatro das Artes – Shopping da Gávea
Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 52 – 2º piso – Gávea
Ingressos na bilheteria do teatro ou pelo Divertix
Classificação indicativa: 14 anos.
Duração: 60 min. 

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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