- Publicidade -

“TerapIA”, comédia solo de Natália Régia, no Teatro Café Pequeno 

Publicado em:

Tem gente que liga para a mãe quando a coisa aperta. Tem gente que marca o terapeuta. E tem gente (cada vez mais gente) que abre o celular e desabafa com o ChatGPT. É desse hábito nada solene, meio confessional, meio ridículo, que nasce “TerapIA”, comédia solo de Natália Régia, que também assina o texto.

A cada apresentação, um convidado diferente sobe ao palco numa participação especial que muda o rumo da sessão. Entre os já confirmados estão Cissa Guimarães, Alexandra Richter, Milton Cunha, Aquela Miranda, Paulo Franco, Malu Falangola, Raissa Xavier, Fernando Caruso, João Campany e Dadá Coelho. A direção é de Flavia Ruiz.

A ideia começou, como tantas coisas boas, numa conversa despretensiosa. “Eu fui percebendo que no meu processo criativo eu pedia muito a opinião da IA e gostava do que ela me trazia. De repente o raio disso foi aumentando para questões pessoais, e à medida que ela ia falando eu percebi que estava começando a ficar dependente da validação dela“, conta Natália. 

Ao dividir a ideia com amigos, Natália descobriu que não estava sozinha. Muitos também recorriam à IA para desabafar, analisar mensagens, compartilhar angústias:

“Aí comecei a pesquisar e descobri que o Brasil é considerado um dos maiores fenômenos mundiais no uso de Inteligência Artificial para suporte emocional”, diz ela, que completa: “Como eu gosto muito de falar sobre saúde mental, aquilo foi mexendo muito comigo e me dando necessidade de falar sobre”.

Em cena, o público acompanha as confissões íntimas dessa atriz-personagem em diálogo com o Chat: ela sai em busca de amor, sucesso profissional e senso de propósito, é interrompida por notícias pra lá de insólitas e se abre em sessões de terapia cada vez mais desesperadas. E, por isso mesmo, mais engraçadas.

“Eu me considero sommelier de terapia. Já fiz muitas, de várias abordagens possíveis”, diverte-se Natália. “Sou uma pessoa muito insegura, traumatizada, sensível, artista… São muitas camadas que dificultam a minha existência na terra. As 150 mil terapias que eu já fiz me ajudaram muito a existir sendo eu mesma, com tudo que eu tenho, com tudo que eu sou, e poder trazer minha arte pro mundo“, diz Natália.

Quem assina a direção – em debut nessa função – é Flávia Ruiz, que encontrou no próprio tema da peça a chave estética do espetáculo. “É um espetáculo teatral. Logo, presencial, físico, mortal a cada apresentação — o teatro vive e morre em cada performance, que jamais será igual de um dia pro outro, único, não replicável. Mas… ele fala de IA, robótica, virtualidade, industrialização de todas as coisas, incluindo, com grande ênfase, o amor”, explica a diretora. 

Dessa colisão entre o vivo e o artificial nasceram as escolhas de cena, figurino, luz e sonoplastia, que remetem sutilmente a outras épocas, inclusive aos anos 1920 e 30, período que viveu uma revolução tecnológica e comportamental comparável à de agora. Até a voz do Chat carrega essa lógica: é a própria Natália quem grava as falas, transformadas pelo ator e músico Zéis numa voz masculina e irreconhecível. “No fim das contas, é isso que uma IA é: um espelho de quem usa. É você mesmo, reciclado e jogado de volta pra você. Por isso tinha que ser a voz da própria Nati, ainda que dificilmente o público vai perceber isso. Mas faz diferença“, conclui.

SERVIÇO: Temporada: de 28 de agosto a 13 de setembro, sextas e sábados às 20h e domingos às 19h / Local Teatro Café Pequeno Endereço: Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon / Como chegar: estação de metrô Jardim de Alah / Leblon / Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/124843/d/404011/s/2646302  Classificação etária: +12

Rota Cult
Rota Cult
Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

Mais Notícias

Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Nossas Redes

2,459FansGostar
216SeguidoresSeguir
125InscritosInscrever
4.310 Seguidores
Seguir
- Publicidade -