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“Arapuca”, espetáculo imersivo inspirado em Lima Barreto e Esmeralda Ribeiro , chega ao SESC Ramos

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Clara é uma jovem moradora de São Gonçalo, criada aos moldes de uma família superprotetora. Durante sua festa de 17 anos, a família descobre que ela teve um romance com Cassi, homem branco que tem fama de seduzir e desamparar jovens negras. O que começa como uma celebração logo se revela uma trama de suspense e denúncia, em que a realidade e a ficção se misturam. Inspirado em Clara dos Anjos, de Lima Barreto, e Guarde Segredo, de Esmeralda Ribeiro, Arapuca é um espetáculo-festa que confronta o passado e o presente, convidando o público a participar desse jogo entre acolhimento e desconforto. 

Arapuca trabalha em uma encenação que desafia as fronteiras entre realidade e ficção, tensionando a participação do público e evocando um teatro de suspense, inspirado em jogos como Detetive e narrativas de mistério, onde a verdade se desdobra em camadas. Aqui, os espectadores não assistem a tudo passivamente, mas sim usufruem de uma experiência sensorial imersiva, bebendo, comendo e acompanhando a festa da protagonista como convidados.

A audiência vai ter, assim, acesso a um caminho de transformação que afetou também todos os envolvidos na produção. Para a atriz Lore, o processo atravessou a todos profundamente,  “porque discussões presentes na obra também fazem parte das nossas vivências. A pesquisa nos levou a revisitar histórias pessoais e coletivas, criando um espaço de escuta, partilha e elaboração. É um espetáculo que transforma quem faz, antes mesmo de chegar ao público”.

O conceito de espetáculo-festa se materializa tanto na ambientação quanto na construção dramatúrgica. O samba, o chorinho e os sons das ruas compõem a trilha sonora e a paisagem sonora do espetáculo, evocando a vivência periférica e sua potência cultural. A estética da encenação se ancora na visualidade suburbana, tomando como referência a obra de Heitor dos Prazeres, tanto na paleta de cores quanto na representação de corpos negros em espaços de sociabilidade. O jogo teatral propõe uma imersão, na qual o espectador, inicialmente convidado a celebrar, se vê progressivamente envolvido na tensão dramática da denúncia. O ator Felipe Moraes conta que “os sons do subúrbio estão presentes durante toda a encenação, trazendo uma familiaridade sonora ao nosso público. A cozinha e seus objetos sonorizam a narrativa; a música e os instrumentos tocados pelos artistas/personagens aproximam-se das festas suburbanas de fundo de quintal e do karaokê, nostalgia das festas em família”.

Ao cruzar tempos históricos e vozes distintas, Arapuca se propõe a resgatar a memória da obra de Lima Barreto sob um olhar contemporâneo e decolonial, denunciando a perpetuação das violências de gênero, raça e classe que ele já apontava em seu tempo.

SERVIÇO: Data: 11/09 Horário: 19h SESC Ramos: R. Teixeira Franco, 38 – Ramos  Classificação: 14 anos

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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