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Centro Cultural Lavradio mergulha em nova fase durante a Semana de Arte do Rio

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A histórica Rua do Lavradio ganha um espaço cultural renovado durante a Semana de Arte do Rio, que acontece de 16 a 27 de setembro. Após dez anos de funcionamento como Galeria Scenarium, o casarão de 1874, no Centro do Rio, amplia sua atuação e passa a se chamar Centro Cultural Lavradio. A mudança vai além do nome: o espaço reforça sua vocação para as artes visuais e a preservação da memória, inaugura a Biblioteca Carioca e reativa seu auditório, abrindo novas possibilidades para debates, palestras, lançamentos de livros, apresentações e encontros culturais.

Durante a Semana de Arte do Rio, o Centro Cultural Lavradio terá funcionamento ampliado, de quarta a domingo, das 10h às 18h, com entrada gratuita. A programação reúne arte contemporânea, acervos históricos e diferentes olhares sobre a cidade em “Rio, Abraço Coletivo”, “Guerreiras”, “Uma Viagem à Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”, “Azul Cobalto – Azulejos e Memórias” e em duas obras de grandes dimensões de Charles Barreto em homenagem a Arthur Bispo do Rosário.

Sobre as exposições:

Rio, Abraço Coletivo Reúne cerca de 50 obras de 25 artistas, entre pinturas, esculturas, vídeos e assemblages. A mostra aproxima artistas de diferentes estados brasileiros que tiveram trabalhos publicados na revista ARTNow Report, de nomes radicados na Fábrica Bhering e em outros espaços criativos, promovendo um encontro de diferentes origens, linguagens e perspectivas da produção artística.

Dentre os artista, destacam-se: Adriano Daruge; Alcina Morais; Anna Siqueira; Andréia Vasconcelos; Antonio Brandi; Armando Paollilo; Axel Sande; Brígida de Murtas; Danielle Sandi; Edna Schomblum; Germano; Gian Scopolatempore, Guilherme Otero; Maíra Pellicano; Marcelo Cortes; Márcia Leivas; Martha Niklaus; Otamy e Pompéia Scapolatempore.

Guerreiras O embate entre o passado e a contemporaneidade ganha contornos de pura poética  visual na exposição do artista e diretor cultural do Grupo Scenarium, Charles Barreto. A mostra apresenta uma série inédita de assemblages criadas a partir de um objeto insólito e carregado de história: antigos moldes de madeira utilizados na chapelaria. Resgatados do esquecimento e transformados em suporte para novas composições, os objetos dão origem a figuras femininas que evocam soberania, resistência e altivez. Cada obra funciona como um monumento à força da mulher, coroada não apenas por adornos, mas por sua própria trajetória de lutas e conquistas.

O processo de criação utiliza o contraste de texturas e temporalidades. A rusticidade da madeira antiga e desgastada e o peso dos objetos vintage dialogam diretamente com a transparência e o brilho moderno do cristal e do acrílico. Essa justaposição cria um jogo sofisticado de luz e sombra, onde o frágil e o resistente se fundem, espelhando a complexidade da alma feminina: profunda, multifacetada e indestrutível.

Mais do que uma apreciação estética, Guerreiras convida o público a um mergulho reflexivo sobre identidade, ancestralidade e poder. As peças deixam de ser meros objetos decorativos para se tornarem guardiãs de memórias, assumindo o papel de protetoras de um templo interior onde a vulnerabilidade é transformada em escudo.

Homenagem ao artista Bispo do Rosário Duas obras de grandes dimensões também do artista Charles Barreto homenageiam o artista sergipano Arthur Bispo do Rosário, que teve a maior parte da sua vida artística no Rio de Janeiro. Hoje grande parte do seu acervo está exposto no Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea (mBrac).

Uma Viagem à Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro A história e as transformações da cidade conduzem a exposição de caráter afetivo que reúne objetos, imagens e peças históricas para percorrer diferentes momentos da trajetória carioca. Em vez de seguir uma narrativa exclusivamente cronológica, a mostra busca aproximar o visitante das memórias, costumes e mudanças urbanas e sociais que atravessaram o Rio ao longo dos séculos.

Entre as peças apresentadas estão fotografias raras da cidade; um ampliador fotográfico do século XIX, com quatro metros de comprimento (semelhante aos utilizados por artistas como Marc Ferrez, Augusto Malta e Nicolau  Facchinetti); uma forma em ferro datada do século XVII, usada no transporte de blocos de açúcar para Europa. A semelhança do penhasco carioca com esta forma deu origem ao nome Pão de Açúcar; um raríssimo busto de Getúlio Vargas de autoria do escultor Leão Veloso, autor de monumentos como a estátua do Senador Pinheiro Machado na Praça Nossa Senhora da Paz e do monumento equestre do General Osório em Porto Alegre; e uma Carruagem Vitória do século XIX, construída pelo francês Henri Binder, e batizada em homenagem à Rainha Vitória da Inglaterra. Utilizado no transporte dos nobres e das classes mais abastadas da época, o veículo ajuda a evocar o cotidiano de uma cidade em que carruagens percorriam vias como a própria Rua do Lavradio. 

Azul Cobalto – Azulejos e Memórias Apresenta uma seleção da Coleção Nelson Torzecki, acervo formado por cerca de 3 mil itens e mais de 200 tipos diferentes de azulejos, reunidos pelo colecionador e empresário a partir do final da década de 1980. Com peças provenientes de países como Holanda, França, Bélgica, Portugal, Alemanha e Inglaterra, a mostra percorre diferentes técnicas e estilos e apresenta os azulejos como testemunhos da arquitetura e da vida cotidiana ao longo dos séculos.

Biblioteca Carioca reúne acervo dedicado à história e à memória do Rio Outra novidade desta nova fase do Centro Cultural Lavradio é a Biblioteca Carioca, criada para dar maior visibilidade ao acervo bibliográfico e histórico reunido pelo artista e diretor cultural do Grupo Scenarium, Charles Barreto e do ativador cultural Plínio Fróes. Organizada em torno de temas como Rio Antigo, período em que a cidade foi capital da República, artes, personalidades e fotografia, a biblioteca nasce como um espaço de preservação e compartilhamento da memória urbana, boêmia, musical e cultural do Rio, voltado a pesquisadores, estudantes, moradores e visitantes da cidade.

Entre as raridades do acervo estão um Atlas Mundi aquarelado, datado de 1730; uma rara edição de “Os Lusíadas”, de 1880, limitada a 100 exemplares e produzida em homenagem ao imperador Pedro II; e um álbum de fotografias da Exposição de 1908. A coleção reúne ainda duas peças ligadas a Nair de Teffé: um retrato em pastel a óleo realizado pelo pintor francêsGeorges-Antoine Rochegrosse Guirand de Scévola e um busto em mármore de Carrara, ambos retratando a artista, caricaturista e ex-primeira-dama do Brasil.

Outro conjunto preservado é formado por 31 menus comemorativos do Jockey Club, produzidos entre 1972 e 1976, acompanhados por 31 desenhos a bico de pena com cenas do Rio de Janeiro, entre elas a antiga sede do clube na Avenida Rio Branco. Completa a seleção o raro “Álbum da Cidade do Rio de Janeiro – Homenagem à Visita de Sua Majestade Imperial Rei Alberto I ao Brasil”, de 1920, que reúne fotografias do rei Alberto I, da Bélgica, e do presidente Epitácio Pessoa, além de 103 imagens da cidade e 103 anúncios de estabelecimentos comerciais e indústrias cariocas da época.

SERVIÇO:
16 a 27 de setembro de 2026
Centro Cultural Lavradio (antiga Galeria Scenarium)

Rua do Lavradio, 15
@centroculturallavradio
De quarta a domingo, das 10h às 18h (durante a Semana de Arte do Rio).
Entrada gratuita

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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