- Publicidade -

“Papaizinho” em temporada no Teatro Gláucio Gill

Publicado em:

Em diálogo com o livro “Quem matou meu pai”, de Édouard Louis, Caio Scot e Felipe Rocha encenam as dificuldades de representar os papéis de filho e pai — tanto na vida quanto no palco. Entre a ficção e o documental, “Papaizinho” escava os estereótipos que moldam o imaginário desses papéis.

Tendo como disparador o encontro do ator, diretor e dramaturgo Caio Scot, com o livro “Quem Matou Meu Pai”, do escritor francês Édouard Louis, “Papaizinho,” está de volta ao Rio de Janeiro, com dramaturgia desenvolvida por Caio, Felipe Rocha, Júlia Portes, Lucas Cunha e Luisa Espindula – esta última assinando com Caio a direção. Além do livro, que considera o universo interno de um filho gay e sua relação com o mundo e com seu pai, na estrutura principal da montagem estão ainda as vivências do próprio Caio, com memórias resgatadas em VHS familiares antigos, e as audições gravadas para encontrar um pai para o espetáculo. Reunindo Caio Scot e Felipe Rocha em cena, a peça realiza curta temporada a partir de 10 de setembro, quintas, sextas às 20h, no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana.

O espetáculo põe Édouard, Caio e seus pais – e outros pais – frente a frente. Uma jornada de autodescoberta desse garoto, que em frente ao espelho tentou entender o que em seu corpo fazia com que os outros o chamassem de ‘viado’. Ele, agora, um homem, vai ao apartamento de seu pai, que não vê há muito tempo, e quando abre a porta se depara com alguém que não reconhece mais. Na impossibilidade de penetrar a solidão um do outro, eles se encontram em uma história marcada por intolerância, incomunicabilidade e resistência.

“Durante o processo, fiz um trabalho de interlocução artística com o cineasta argentino Manuel Abramovic e explicitei minha vontade de testar pais pra peça e o Manu falou que poderíamos levar isso pra dentro da peça. Adorei essa ideia como processo de busca desse pai, desses pais, dessas possibilidades de pais, tão distintos, tão parecidos, tão únicos – mas tão identificáveis nos clichês. A partir da audição, que ouviu 15 das mais de 100 pessoas inscritas, descobrimos novas possibilidades de caminho”, relembra Caio. “As pessoas compartilharam suas histórias com uma generosidade que nos impressionou, precisávamos fazer muito pouco para que se abrissem, claramente o assunto as mobilizava”, complementa Luisa.

A montagem apresenta diferentes histórias de relações de pais e filhos, e experimenta tipos de conexões possíveis onde, muitas vezes, as trocas perdem o contorno, mostrando assim o quão complexas são essas figuras. As projeções em vídeos complementam a cena, apresentando histórias variadas que vão da negligência e falta de carinho – temas tão comuns nas relações paternas – ao afeto dos pais presentes, que têm seus filhos como a coisa que mais amam no mundo.

Ao longo do desenvolvimento da dramaturgia aglutinou-se na montagem todo material recolhido, levando toda a equipe a pensar o quão interessante e importante é refletir sobre esses papéis. Afinal, o que é ser pai e o que é ser filho? O que cabe a um e o que cabe a outro?

“Tentamos mostrar que essa relação é infinita — e que os estereótipos, que categorizam e simplificam, nos ajudam pouco (ou nada) a inventar novos jeitos de convivermos e lidarmos com as dores e alegrias desse vínculo. Mas também nos sentimos sem saída: como falar de problemas relacionais já tão conhecidos por todos nós e, ainda assim, propor algo novo? Não exatamente uma solução, mas novos caminhos.”, conclui Júlia Portes.

SERVIÇO: 10 de setembro até 02 de outubro / Teatro Gláucio Gill – Copacabana / Ingressos pelo site ou direto na bilheteria

Rota Cult
Rota Cult
Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

Mais Notícias

Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Nossas Redes

2,459FansGostar
216SeguidoresSeguir
125InscritosInscrever
4.310 Seguidores
Seguir
- Publicidade -