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“Penelopéia – uma palestra-dançada” faz três apresentações no Teatro Gláucio Gill

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Por que, entre tantas personagens femininas mágicas e instigantes presentes na “Odisseia”, de Homero, a atriz e coreógrafa Raquel Karro se identificou com Penélope, a mulher que espera por 20 anos seu marido Ulisses voltar da Guerra de Tróia? Esta pergunta motivou a criação de “Penelopéia – uma palestra-dançada”. A obra reestreia neste momento em que o mito de Ulisses voltou aos holofotes, impulsionado pelo lançamento do filme épico “A Odisseia”, de Christopher Nolan. Assim como sua personagem-inspiradora, a criadora esperou: a obra, que chegou aos palcos em 2023, é fruto de 14 anos de pesquisa.

A obra, que une dança, teatro e performance, ganhou forma durante o mestrado em Artes da Cena na UFRJ sob a orientação de Eleonora Fabião a partir de um questionamento: por que uma das mulheres mais conhecidas na literatura ocidental está associada ao “esperar”? A estrutura dramatúrgica se baseia em três perguntas: “Por que Penélope?”, “O que se espera de Penélope?”, “E se esperássemos por Penélope, aquela que tanto esperou?

“Durante um grupo de estudos sobre a “Odisseia”, me questionei por que tinha uma identificação com Penélope, a mulher que cuidava da casa e do filho, e esperava o marido. Por que não Circe, a feiticeira que transformava os homens em porcos? Por que não Calipso, a ninfa sedutora? Por que não Atena, uma deusa? É certo que o papel de Penélope na Odisseia não se resume àquele de uma dona de casa, e também não acho que seja pouca coisa ser uma dona de casa, mas me interessa a apropriação do mito pelos interesses de uma cultura patriarcal como a nossa”, lembra Raquel Karro, e acrescenta: “Os movimentos sociais feministas vêm contribuindo para a complexificação de nossa noção de história. E se somos constituídas também pelos mitos que nos foram contados, dançá-los e recontá-los pode fazer parte de um processo de cura”.

Em “Penelopéia – uma palestra-dançada”, Raquel Karro leva à cena momentos autobiográficos que buscam refletir sobre o lugar deste mito na sociedade atual, e se pergunta: “O que fica no rastro da história? De todas as facetas do mito, o que colou em mim e nas mulheres do meu tempo?”

Sua pesquisa cênica contou com interlocução de Bianca Byington, Caio Riscado, Felipe Ribeiro, Luísa Buarque, Luísa Espíndola, Maria Palmeiro, Olívia Ferreira, Patrick Pessoa e Thierry Trémouroux. 

Nos dias que antecedem o espetáculo, a atriz também realiza a performance “Esperando por Penélope”, quando interage com transeuntes em locais de chegadas e partidas: pontos de ônibus, estações de metrô, estações de barcas, localizados nas cercanias do espaço de apresentação. Trechos em vídeo das performances são exibidos na montagem. 

Serviço Temporada: 16, 23 e 30 de setembro de 2026
Dias e horários: quartas-feiras, às 20h. Sessões com intérprete de Libras 
Teatro Gláucio Gill: Praça Cardeal Arcoverde, s/nº, Copacabana, Rio de Janeiro.
Ingressos:   https://funarj.eleventickets.com/ Classificação: Livre

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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