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“Dois Rios: Um corpo d’água” investiga a autoria compartilhada na pintura

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Dois rios podem percorrer caminhos distintos até que suas águas se encontrem. A partir desse ponto, preservam as marcas de suas origens, mas passam a constituir um fluxo comum, no qual já não é possível delimitar com precisão onde termina um e começa o outro. Essa imagem orienta a exposição “Dois Rios: Um corpo d’água“, em cartaz no Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, que toma a criação compartilhada como ponto de partida para investigar os limites da autoria individual e as possibilidades da produção artística em parceria.

 Com obras produzidas a quatro mãos pelos artistas Márcia Holanda e Joésio Silveira, a mostra tem curadoria de Mariana Bahia, idealizadora do Instituto Vozes do Mundo. O projeto parte de uma questão central: o que acontece quando dois artistas dividem não apenas o espaço expositivo, mas também as decisões, os gestos e a autoria de uma mesma obra?

Em vez de apresentar trabalhos individuais lado a lado, a exposição reúne pinturas construídas sobre uma mesma superfície, nas quais cores, dimensões, técnicas, pesquisas e pinceladas se articulam a partir de escolhas conjuntas. Cada obra resulta de um processo de negociação, interferência e escuta, no qual a contribuição de um artista modifica a atuação do outro.

A experiência tem origem em uma relação de amizade construída ao longo de cerca de cinco décadas. Mais recentemente, o compartilhamento do ateliê aproximou também as práticas artísticas dos dois. A convivência cotidiana, marcada pela troca de referências, opiniões e experiências, deu origem à proposta de levar essa cumplicidade para o interior das próprias pinturas.

O exercício, no entanto, exigiu o enfrentamento de uma questão recorrente na produção artística: a relação entre identidade e autoria. Ao compartilhar a superfície pictórica, os artistas precisaram negociar escolhas e rever decisões individuais em favor de uma construção comum. O processo envolveu desde a pesquisa inicial e a definição das cores e dimensões até a execução da última pincelada.

Pintar em parceria não foi uma experiência fácil. Exigiu de nós maturidade e disposição de abrir mão do eu pelo nós. A conciliação e o consenso começaram na pesquisa, na escolha das cores, do tamanho da obra e seguiram até a última pincelada”, conta Márcia Holanda.

Pintar a quatro mãos significou, assim, colocar em xeque uma das ideias mais arraigadas da produção artística: a obra como território individual. A experiência exigiu que os artistas conciliassem perspectivas e onstruíssem, por meio do diálogo, uma linguagem comum.

Serviço
Período de visitação: 8 de outubro a 28 de novembro de 2026
Horário: de terça-feira a sábado, das 12h às 19h
Local: Centro Cultural Correios Rio de Janeiro
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro
Entrada: gratuita

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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