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“Edson” retorna ao Rio de Janeiro no Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa

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Não foi preciso mais que uma temporada para que “Edson” conquistasse de vez os corações do público e da crítica. Tanto que, pelas duas curtas temporadas de estreia, o solo escrito, dirigido e interpretado por Matheus Macena arrebatou cinco indicações ao 37º Prêmio Shell de Teatro – onde já é figura conhecida por ter ganho a láurea na categoria Melhor Ator em 2024 por “Musical Pré-Fabricado“, de Michel Melamed. Desta vez, porém, Matheus se depara com uma dupla indicação à categoria de Melhor Ator (pela temporada de estreia no Rio de Janeiro e pela de São Paulo). Somam-se a essas duas a de Melhor Dramaturgia (Matheus Macena |RJ), Melhor Música (Pedro Nego |RJ) e Melhor Cenário (Bidi Bujnowski |RJ).

“Saber que nosso trabalho tão suado toca no coração das pessoas e, para além disso, está alçado aos melhores do ano, é muito gratificante. O que essas grandes premiações representam é a continuidade e a manutenção de um trabalho que começou independente, autoral, sem patrocínio e dentro de uma linguagem contemporânea. Eu espero mesmo que essas cinco indicações deem para nossa peça uma boa e longa expectativa de vida!”, vibra Matheus, ressaltando que, logo após levar a peça a Buenos Aires, faz questão de estar no Rio. “A segunda temporada carioca acompanhará o processo de eleição. E isso foi intencional, quero uma peça sobre o movimento estudantil acompanhando a ida às urnas, sinto que isso faz parte da minha responsabilidade como artista. Neste tempo acirrado de debate, é no teatro que desejo estar”, posiciona-se.

Ao encenar um monólogo pela primeira vez e se autodirigir, Matheus interroga o fenômeno da tragédia brasileira e suas repetições históricas. No espetáculo escrito, dirigido e interpretado por Matheus, o diretor musical e guitarrista Pedro Nego, também indicado ao Prêmio Shell, costura melodicamente a cena, onde os vestígios da factual morte de Edson Luís de Lima Souto, jovem estudante secundarista assassinado pela ditadura militar em março de 1968, enfrentam possíveis ficções do que poderia ter sido a vida da família Lima Souto e de Edson Luís. 

Após lotar suas sessões de estreia no Rio de Janeiro, na capital paulistana não foi diferente. “São Paulo é um polo de intelectualidade da criatividade. Para além de lotarmos a temporada, nossa peça teve oportunidades incríveis. Encontramos e debatemos com reais sobreviventes da tortura e da censura. Colocamos o espetáculo no centro das discussões nacionais e no espelho da vida real, e nesse encontro explodiu uma punção de memória incrível! São Paulo já havia me abraçado com outros espetáculos, como nas peças ‘Caranguejo Overdrive‘ e ‘Encantado’… Mas com o ‘EDSON’ eu retornei à cidade com total controle criativo da minha obra”, reflete Matheus.

O projeto da montagem começou um dia após o assassinato da vereadora Marielle Franco. “Percebi que esses dois assassinatos, tão importantes para a história nacional, eram separados por exatos 50 anos – Marielle em março de 2018 e Edson em março de 1968. E esse espelho temporal tão evidente só comprovava pra mim a força do retorno dos ideais de extrema direita. Então, a necessidade de contar a perspectiva e história do Edson se torna urgente, porque é recontando o passado que formulamos um futuro. E é inegável que, conforme eu mergulhava na história desse jovem de 17 anos, mais claras ficavam as similaridades das nossas narrativas. A peça é um espelho do passado”, pontua Macena, que acredita que este trabalho seja uma espécie de rito de passagem para seu amadurecimento profissional.

O epicentro da criação é a história nacional. Porém, o esforço e desejo artístico, em questão, intentam a possibilidade de contar a memória brasileira sem ter a colonização, ou a censura, como marco protagonista. No espetáculo, Pai, Mãe, Irmã e Edson criam um espelho alegórico que redime toda e qualquer família brasileira. Os quatro personagens recontam o panorama político durante a ditadura, não a partir da militância ou da classe média escolarizada, mas, sim, fundado na perspectiva do trabalhador de base, no ângulo do analfabetismo e do ponto de vista do emigrante nordestino e nortista.

Driblando o apagamento de histórico do assassinato do jovem que definiu a passeata dos Cem Mil e logo em seguida a proclamação do Ato Institucional nº 5, “Edson” analisa e verifica a história da família Lima Souto desde a saída de Belém do Pará até morte do jovem no Rio de Janeiro. No caminho narrativo, a obra tem como meta criar a oportunidade de fabular, de tomar este conto documental como reflexo de cada família brasileira. 

“Conforme o processo artístico caminhava, notei que a justiça dos fatos não era suficiente. Era necessário fabular. Afinal, para um espetáculo teatral é através da poesia que se descobre dignidade. E creio que esses são os pilares da dramaturgia: justiça para os fatos e poesia para dignidade”, pondera Matheus, que mergulhou por meses num processo de arquivologia na Biblioteca Nacional, debruçando-se sobre jornais de época, notas de rodapé e reportagens censuradas, montando, assim, um mosaico que deu a Edson uma narrativa justa. 

SERVIÇO Temporada: 09 de outubro a 1º de novembro / Horário: Sexta-feira e Sábado às 20h, Domingo às 19h / Ingressos:  https://bileto.sympla.com.br/event/126722 Local: Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa  Endereço: Rua Prudente de Moraes, 824 – Ipanema / Classificação Indicativa: 16 anos

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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