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Hermes Coêlho revisita “Nu” em edição ampliada

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Publicado originalmente em 2002 pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves, após vencer o Concurso Novos Autores – Prêmio Cidade de Teresina 2000, “Nu”, de Hermes Coêlho, retorna ao público 24 anos depois em uma segunda edição, revista e ampliada, pela Editora Patuá. Primeiro livro da Trilogia do Trauma, completada por Violado (2023) e eclipse (2024), a obra marca o início de uma poesia em que alienação, não pertencimento, desejo e corpo aparecem como experiências indissociáveis. Após apresentação na última Bienal do Livro de São Paulo, o autor pretende realizar eventos em Brasília (DF) e Teresina (PI).

A nova edição nasce de um reencontro do autor com os cadernos em que os poemas foram escritos, principalmente em meados dos anos 1990, em Teresina (PI). Ao revisitar o material, Hermes decidiu recuperar 17 poemas da época, agora identificados com asterisco, e retirar textos que, segundo ele, não se encaixavam na proposta filosófica do projeto. O resultado é uma espécie de “versão do diretor” de seu primeiro livro, que preserva a escrita daquele período ao mesmo tempo que incorpora o olhar do poeta sobre a própria obra décadas depois.

“Quando Eduardo Lacerda, editor da Patuá, me propôs republicar “Nu” 24 anos depois, vi a oportunidade de fazer uma espécie de ‘versão do diretor’, excluir as gorduras e acrescentar 17 poemas escritos naquela época que eu entendia como ‘explícitos demais’, que poderiam mostrar mais do que eu gostaria em termos de sexualidade. Finalmente, estou nu de verdade”, conta o autor.

“Meus livros nascem da reconstrução poética de momentos traumáticos ou de alienação vividos. Por isso, digo que Nu, Violado e eclipse contam a trajetória de metamorfose do poeta. Lagarta (Nu) —> Casulo (Violado) —> Mariposa (eclipse)”, explica Hermes.

O corpo ocupa lugar central nessa primeira etapa da trilogia. Em uma poesia marcada pela confissão, pelo erotismo e pela musicalidade, ele aparece tanto como território de desejo quanto de dor. O livro também registra o desconforto de quem se percebe estrangeiro em seu próprio lugar e em si mesmo.

“Em Nu, meus versos confessionais começam o uso de metáforas para expor minhas entranhas, minhas mazelas, meus traumas”, afirma o poeta. Para ele, trata-se do “estranhamento de perceber-se estrangeiro na própria terra e no próprio corpo. São versos de um jovem poeta mostrando sua nudez aos leitores pela primeira vez”.

Dividido em três partes, “o eu inconfesso”, “o amor que não existia” e “e mais nada”, o livro reúne poemas curtos e de forte musicalidade. No texto de abertura, o eu-lírico enumera diferentes identidades que poderia assumir, entre elas profeta, professor, publicitário, cineasta e pastor, até chegar à ideia de um sujeito ainda em formação. Em outros momentos, o desejo ganha uma dimensão física e territorial, como no verso que fala da vontade de “transar no Parnaíba”.

A relação entre poesia, corpo e libertação atravessa a concepção do autor sobre sua própria escrita. “Minha poesia é confessional e não-acadêmica. Sou catequizado por Manuel Bandeira – ‘não quero mais saber do lirismo que não é libertação!'”, afirma Hermes.

A segunda edição também amplia o diálogo de Nu com outros escritores. O livro traz orelha assinada pelo poeta Rogério Bernardes, prefácio da poeta nina rizzi e posfácio do escritor Adriano Lobão Aragão.

Bernardes define Nu como “o retrato mais honesto de uma poética contundente em formação”. No prefácio, nina rizzi relaciona a nudez presente no título e nos poemas a um procedimento de escrita que retira camadas e aparências para chegar à experiência interior. Já Adriano Lobão Aragão situa a obra como o início de uma conversa do poeta consigo mesmo e destaca a importância da nova edição para a leitura cronológica de sua produção.

Para Hermes, retornar ao livro que deu origem à trilogia também significa compreender de outra maneira a própria trajetória. “Voltar ao início de tudo para concluir a Trilogia do Trauma parece-me correto.” Ao recorrer a Hermann Hesse, o poeta sintetiza o movimento de revisitar o passado: “Mergulhar em águas conhecidas nos faz resgatar memórias inestimáveis do primeiro banho. E eu gosto de mergulhar nu”.

“Não fui eu quem escolhi a poesia. Foi a poesia que me escolheu”, resume Hermes Coêlho. “Ela jorra forte como sangue a cada vez que tenho que lidar com as complexidades da vida.”

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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