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“Desmonumento”, performance do artista cearense Wellington Gadelha, estreia no Petrobras Futuros

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O que permanece de uma estrutura quando sua matéria começa a ruir? É a partir dessa interrogação que o artista Wellington Gadelha concebeu “Desmonumento”, sua nova criação artística que funde performance, arte sonora e cinema expandido.

“‘Desmonumento’ nasce de um conjunto de inquietações que venho investigando em minha trajetória artística. São questões que atravessam minha percepção sobre o corpo, sobre os lugares que ocupo e sobre as estruturas que organizam nossas experiências. Tenho me interessado cada vez mais por compreender como a arquitetura, a matéria e os imaginários de grandeza e permanência participam da maneira como determinados corpos, sobretudo os racializados, são vistos, situados e reconhecidos no mundo”, explica Gadelha.

Em sua nova performance, o foco recai sobre o tijolo, elemento tão comum da construção civil e da urbanização brasileira. Para Gadelha, ele carrega vários significados: está na base de casas, muros e edifícios, mas também delimita fronteiras e organiza desigualdades. A encenação transita na fronteira entre as artes cênicas e a instalação imersiva. Pequenas fissuras ganham as proporções de grandes superfícies visuais nas projeções, enquanto vibrações quase imperceptíveis do atrito da matéria se transformam em imponentes paisagens sonoras. O público presencia simultaneamente a ação física do artista no palco e a sua transfiguração em escalas monumentais através do audiovisual, alterando a percepção habitual de volume e espaço.

“Comecei a me interessar pela unidade mínima de determinadas construções, por aquilo que sustenta uma arquitetura antes mesmo de ela adquirir sua forma monumental. Foi assim que o tijolo passou a ocupar um lugar central na investigação. Os corpos que erguem determinadas estruturas nem sempre são aqueles que podem habitá-las ou usufruir plenamente delas. Por outro lado, para esses mesmos corpos periféricos, o tijolo adquire o valor de vínculo, de pertencimento e trégua: ‘minha casa’. Essa ambiguidade atravessa diretamente as questões de racialidade e espacialidade que venho investigando”, complementa o artista.

A pesquisa recente de Gadelha se desdobra em três momentos interconectados: AUlBA (apresentado na Galeria da Liberdade, antigo Mausoléu Castelo Branco, em Fortaleza/2025), Kbça de Gelo (obra voltada para a escuta e o tempo/2026) e, agora, Desmonumento. 

“Não espero necessariamente que o público saia com uma interpretação única sobre o que viu. Me interessa mais a possibilidade de provocar deslocamentos, de fazer com que algo aparentemente ordinário, como um tijolo, possa ser percebido em sua complexidade”, declara o artista. 

Serviço: Temporada: 5 a 22 de novembro de 2026
Dias e horário: Quinta a domingo, às 19h
Local: Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia
Endereço: Rua Dois de dezembro, 63 – Flamengo
Lotação: 63 lugares, sendo 1 espaço para PCR, 1 assento para pessoa obesa e 1 assento reservado para acompanhante de PCR.
Ingressos: Gratuitos – Retirados via Sympla
Classificação Indicativa: 12 anos

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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