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Primeira grande exposição sobre memes chega ao CCBB Rio de Janeiro

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No país que figura entre os maiores produtores e consumidores de memes do mundo, rir da notícia virou também uma forma de pensar sobre ela. É dessa ideia que parte “MEME: no Br@sil da memeficação”, primeira grande exposição dedicada ao tema, que abre ao público no sábado, 7 de novembro de 2026, a partir das 12h00, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro.

A mostra reúne mais de 800 criações de 200 produtores de conteúdo e artistas para investigar o meme como linguagem e como ferramenta de crítica social e política. Obras de nomes como Anna Maria Maiolino e Nelson Leirner dividem espaço com perfis que fazem o país rir todos os dias nas redes. Depois de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, a exposição chega à cidade de O Pasquim e do Porta dos Fundos, onde fica em cartaz até 1º de fevereiro de 2027.

A mostra ocupa a rotunda e o primeiro andar do CCBB RJ e reúne vídeos, neons, esculturas, roupas, quadrinhos, pinturas, objetos, backlights, instalações audiovisuais e experiências interativas. Logo na entrada, na rotunda, onças de diferentes materiais retomam o meme “alisa meu pelo” e recebem o público numa instalação tátil.

Mais do que apresentar memes, a exposição propõe uma reflexão sobre a memeficação, fenômeno que ultrapassa o universo digital e atravessa diferentes dimensões da vida contemporânea, da política à cultura, da comunicação às relações sociais. A memeficação diz respeito à maneira como imagens, frases, gestos e acontecimentos são constantemente apropriados, reproduzidos, transformados e colocados em circulação, adquirindo novos sentidos a cada contexto. Embora tenha ganhado força com a internet e as redes sociais, essa lógica não é inteiramente nova: operações como a repetição, a paródia, a sátira e o deslocamento de significados fazem parte da história da cultura há muito tempo. Ao explorar essas continuidades e transformações, MEME: no Br@sil da memeficação convida o público a perceber como os memes não apenas refletem o mundo em que vivemos, mas também participam ativamente da construção de nossas percepções, comportamentos e disputas políticas e culturais.

“Os memes são ferramentas políticas e afetivas. É por meio deles que o Brasil elabora e expressa, em tempo real, suas diferenças sociais, raciais, de gênero e estéticas”, afirma Clarissa Diniz. “A exposição parte do humor para provocar uma pergunta: como estamos refazendo o país por meio das suas imagens mais debochadas?”

“É impossível compreender o Brasil de hoje sem entender seus memes”, afirma Ismael Monticelli, criador do @newmemeseum (2020–2025), perfil de memes no Instagram que manteve anonimamente durante cinco anos e que chegou a reunir quase meio milhão de seguidores, funcionando como uma espécie de laboratório para a concepção da exposição.

“Os memes não apenas representam a realidade: eles interferem nela, produzem memória e disputam sentidos. Enquanto fazemos memes, os memes também refazem o Brasil.”

O humor carioca ocupa boa parte do percurso e atravessa gerações. O Pasquim, semanário fundado no Rio em 1969 que fez da piada uma forma de enfrentar a ditadura, está no núcleo dedicado à sátira política, e a charge aparece com Chico Caruso e Claudius Ceccon. Da televisão e da internet vêm Marcelo Adnet, o Porta dos Fundos, coletivo de humor criado na cidade em 2012, Rafael Portugal, Raphael Vicente, Felipe Neto e Paulo Gustavo, ator e humorista nascido em Niterói.

No Rio, a exposição encontra muitos criadores da casa. Felipe Barbosa, nascido em Cabo Frio, Victor Arruda, Laura Lima, Panmela Castro, Pietrina Checcacci, Alexandre Mury, Gustavo Speridião e Regina Vater estão entre os nomes da arte contemporânea ligados ao estado que participam da mostra.

Completam o time os criadores de conteúdo Ademara, Dri Maria (Blogueira Trans), Erika Affonso, Fábio Cruz (Fabão), Felipe Haiut, Gilberto Porcidonio, Guto TV, História no Paint, Juju dos Teclados, Nathalia Cruz, Rafael Madeira e Valentina Bandeira. O carioca Gregório Duvivier, um dos fundadores do Porta dos Fundos, está entre os entrevistados do epílogo, feito com a equipe do #MUSEUdeMEMES, projeto da Universidade Federal Fluminense (UFF) coordenado pelo pesquisador Viktor Chagas.

“Será que essa vocação memética do Brasil começou mesmo com os memes digitais?”, questiona Clarissa. “Ou ela já se anunciava no Carnaval, nos bordões da TV, nas pichações e nos outdoors? O que acontece quando a política se dobra aos formatos da zoeira?”

A ideia da exposição começou a tomar forma durante a pandemia de Covid-19, a partir das conversas que os curadores mantinham à distância. “No período mais intenso do isolamento, eu e Ismael conversávamos muito pela internet e fomos percebendo como os memes haviam se tornado parte da nossa comunicação. Aquelas imagens pareciam expressar certas angústias que estávamos vivendo melhor do que muitas tentativas de colocá-las em palavras”, lembra Clarissa.

“Em julho de 2020, por sugestão da Clarissa, criei anonimamente o perfil de memes @newmemeseum. Durante cinco anos, alimentei a página sem revelar minha identidade. Clarissa era uma das poucas pessoas que sabiam que eu estava por trás dela. Acho que a ideia da exposição foi amadurecendo nesse processo, alimentada tanto pela experiência com o perfil quanto pelas nossas conversas sobre os memes e sua linguagem. Em algum momento, começamos a imaginar o que aconteceria se levássemos essa discussão para dentro de um espaço expositivo”, conta Ismael. O perfil permaneceu ativo até dezembro de 2025, quando foi removido pela Meta.

A exposição se organiza em cinco núcleos temáticos (Ao pé da letra, A hora dos amadores, Da versão à inversão, O eu proliferado e Combater ficção com ficção), com o prólogo tátil Alisa meu pelo e o epílogo Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?. Segundo os curadores, cada núcleo reúne práticas que a memeficação põe em movimento.

“MEME: no Br@sil da memeficação” é uma produção da Patuá Produções, com patrocínio do Banco do Brasil e da BB Asset.

SERVIÇO:  Endereço: Rua Primeiro de Março, 66, Centro
Período: 
07/11/2026 (a partir de 12h) a 01/02/2027 
Funcionamento: Quarta a segunda, das 9h às 20h (fechado às terças-feiras) 
Entrada: 
gratuita – Ingressos disponíveis na bilheteria do CCBB e no site bb.com.br/cultura Classificação: livre

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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