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Song Sung Blue: Um Sonho a Dois traz Kate Hudson e Hugh Jackman em tributo à Neil Diamond

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Song Sung Blue: Um Sonho a Dois começa devagar, quase como um sussurro de feira estadual, onde Mike Sardina, interpretado por um Hugh Jackman que aqui não é Wolverine nem o cara dos musicais grandões, é apenas um cantor sem rumo. A câmera do cineasta Craig Brewer passeia pelos bastidores sujos, pela fumaça de cigarro e pelas risadas falsas, até que Kate Hudson aparece como Claire, cabeleireira que canta no escuro. Aí rola aquela faísca imediata, sabe? Não é amor à primeira vista forçado, é tipo duas almas perdidas se reconhecendo na bagunça. E quando ela solta o insight — “por que não o Neil Diamond?” — tudo muda, mas sem fogos de artifício: só uma ideia simples que vira uma vida inteira.

Craig Brewer realiza Song Sung Blue: Um Sonho a Dois sem cair na armadilha do biopic bonzinho. Nada de flashbacks dramáticos pra todo lado, nada de “olha como a gente sofreu”. Ele mistura o real com o showbiz, usa a música para respirar, não para tapar buraco. Quando a banda Relâmpago (o apelido de Mike) e Trovão (Claire) decola — e Jim Belushi surge como o empresário que parece saído de um sonho ruim —, você sente o cheiro de estrada, o suor, a plateia pedindo Sweet Caroline. Aí ele te joga a bomba: tudo desaba. Não explico o quê, mas fica claro que Brewer adora te arrastar pra cima só pra te soltar. E o roteiro, ah, o roteiro é esperto: quebra a fórmula, te faz torcer, depois duvidar, depois torcer de novo, como se a vida não desse desconto pra ninguém.

Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Kate Hudson é o coração latejante do filme. Ela não só canta, ela sangra Neil Diamond — e faz você acreditar que a música salva. Hugh é ótimo, claro, mas Kate transforma cada falsete em desabafo, cada gesto em grito contido. Michael Imperioli na banda é uma surpresa boa, quase invisível no início, depois essencial como um dos amigos que seguram as pontas quando tudo quebra. Já Belushi rouba a cena com aquela cara de “eu avisei”, mas de um jeito leve, humano. O elenco inteiro canta junto, e não é dublagem: é voz crua, errada na medida, perfeita pro filme.

O que pega mesmo é o depois. Quando o acidente acontece — e vai acontecer, respira fundo —, o filme vira outra coisa. Não tem chororô barato, tem gente se levantando. Eles reconstroem a banda, reconstroem o amor, e você percebe que a trilha sonora não era só Neil, eram eles dois cantando pro mundo inteiro que dá pra recomeçar. Brewer filma Song Sung Blue: Um Sonho a Dois com luz baixa, câmera tremida, como se a gente estivesse ali, na sala de jantar, quando decidem voltar. E quando Sweet Caroline toca de novo, perto do fim, não é clichê: é vitória quieta, daquelas que te deixam mudo na cadeira.

Leve quem você ama para assistir Song Sung Blue: Um Sonho a Dois, desligue-se do resto do mundo e entre de coração aberto. Pode não ser o melhor biopic da vida, mas é um daqueles filmes raros que te fazem querer abraçar a tela. No final, é amor puro — entre os dois, com a música, com a vida resiliente que luta e não desiste apesar dos infortúnios. No escurinho do cinema, se quiser chorar, chore; ninguém está olhando. E se dançar na poltrona, tudo bem também — eles querem isso mesmo.

Desliguem os celulares e excelente diversão. 

Bruno Giacobbo
Bruno Giacobbo
Um dos últimos românticos, vivo à procura de um lugar chamado Notting Hill, mas começo a desconfiar que ele só existe mesmo nos filmes e na imaginação dos grandes roteiristas. Acredito que o cinema brasileiro é o melhor do mundo e defendo que a Boca do Lixo foi a nossa Nova Hollywood. Apesar das agruras da vida, sou feliz como um italiano quando sabe que terá amor e vinho.

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