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Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra mistura humor ácido em sátira sci-fi caótica

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Na manhã de uma quinta-feira calorenta, no Rio de Janeiro, eu fui ao cinema assistir ao novo filme do criativo cineasta Gore Verbinski, o homem por trás da franquia Piratas do Caribe, que fez muito sucesso mundo afora. Neste novo filme, intitulado Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, Gore Verbinski bebe de diversas fontes para contar uma história ambientada em um futuro próximo, quase distópico.

Um homem, um viajante do tempo sem nome, interpretado pelo ator Sam Rockwell, se materializa do nada, atravessando a porta de um daqueles restaurantes americanos clássicos, típicos de pinturas de Edward Hopper. Dentro desse bar soturno, com uma luz quase falhando, diversas pessoas jantam, cada uma imersa nos próprios pensamentos: um grupo de escoteiros com o chefe, jovens estudantes, uma mulher sozinha comendo uma torta, um casal que não se toca, como se estivesse separado por um unicórnio.

Esse homem adentra o ambiente e anuncia: “Isso não é um assalto. Eu venho do futuro e venho recrutar cinco pessoas que vão me ajudar a salvar o mundo.” Óbvio que, em um primeiro momento, as pessoas duvidam, incrédulas, tiradas de suas rotinas. Elas tentam reagir, mas o homem, mal vestido, com um discurso improvável, começa a tocar nas vidas delas, falando detalhes que não poderiam ser conhecidos por alguém de fora.

É aí que entendemos que aquela cena de Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra se repete pela milésima vez, porque, em todas as outras vezes, o plano falhou. Ele diz que precisa combater uma inteligência artificial que está, aos poucos, robotizando a sociedade. A cena de adolescentes hipnotizados pelo celular é um símbolo disso. No fim, ele consegue recrutar, com muito custo, cinco voluntários, e a polícia chega, cercando o local. Ele diz a eles que devem ir até a casa de um menino de nove anos, que está, naquele exato instante, criando a tal inteligência artificial.

A partir daí, as referências se multiplicam em Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra. Há ecos de Edgar Wright, na Trilogia Cornetto, de filmes de zumbis e de O Exterminador do Futuro, com Ingrid, a personagem de Haley Lu Richardson, evocando Sarah Connor. Verbinski, assim, cria uma ficção científica futurista que, no entanto, dialoga com o presente. O filme não promete um final feliz, como em Feitiço do Tempo, mas se apropria dessa repetição para expor uma crítica aguda à nossa sociedade: uma sociedade que perdeu o diálogo, que se prendeu aos dispositivos e se tornou escrava da tela.

Com um elenco competente, liderado por Sam Rockwell e Haley Lu Richardson, e que conta ainda com Juno Temple, Michael Peña e Zazie Beetz, o filme é uma montanha-russa emocional, uma crítica atual e, ao mesmo tempo, um convite à reflexão. Eu recomendo fortemente Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra. As pessoas não vão precisar de tanta sorte assim ao escolher ver esse filme. Vão se divertir e, sinceramente, ninguém vai morrer por causa dele, mesmo que não gostem tanto quanto este crítico.

Desliguem os celulares e excelente diversão.

Bruno Giacobbo
Bruno Giacobbo
Um dos últimos românticos, vivo à procura de um lugar chamado Notting Hill, mas começo a desconfiar que ele só existe mesmo nos filmes e na imaginação dos grandes roteiristas. Acredito que o cinema brasileiro é o melhor do mundo e defendo que a Boca do Lixo foi a nossa Nova Hollywood. Apesar das agruras da vida, sou feliz como um italiano quando sabe que terá amor e vinho.

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