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Golpe Explosivo entrega exatamente aquilo que promete, flertando com certa criatividade

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Sabe aquele filme que, em um primeiro momento, parece ser apenas mais uma obra genérica e descartável, mas que, aos poucos, começa a se transmutar em algo um pouco mais interessante? Pois bem: este é exatamente o caso de Golpe Explosivo, novo trabalho do diretor David Mackenzie, cineasta que, há cerca de dez anos, chamou atenção com o ótimo A Qualquer Custo (2016), um faroeste moderno disfarçado de thriller criminal. Aqui, Mackenzie parte de uma premissa bastante simples: durante uma obra no centro de Londres, uma bomba da Segunda Guerra Mundial é encontrada. A descoberta paralisa a região, mobiliza polícia, exército e autoridades, enquanto a tensão cresce em torno da necessidade de remover o explosivo antes que ele transforme a cidade em tragédia.

É nesse contexto que surge o Major Will Tranner, personagem vivido por Aaron Taylor-Johnson, especialista em bombas e veterano da Guerra do Afeganistão encarregado de liderar a operação. Só que a bomba, na verdade, funciona mais como um pretexto narrativo, uma grande cortina de fumaça para algo muito maior que acontece paralelamente. Enquanto todas as atenções estão voltadas para o artefato explosivo, um grupo de criminosos liderado pelo personagem de Theo James se esconde em um prédio vizinho a um banco, esperando o momento ideal para executar um roubo meticulosamente planejado.

A partir daí, o roteiro de Ben Hopkins desenvolve uma trama de ação e suspense eficiente, dessas que fazem o público se ajeitar na cadeira do cinema. Existe uma pergunta que atravessa praticamente toda a narrativa: como aqueles homens sabiam da existência da bomba? Como poderiam estar preparados para agir justamente no instante em que as autoridades e a população estivessem distraídas? São questionamentos que ajudam o filme a ganhar camadas mais interessantes do que aparentava possuir nos primeiros minutos. E talvez esteja aí a principal qualidade de Golpe Explosivo: ele entende perfeitamente como manipular a curiosidade do espectador.

Ainda assim, existe um momento em que o longa parece desistir de qualquer ambição maior e aceita confortavelmente aquilo que sempre esteve destinado a ser: mais um filme de assalto e tensão feito para entreter sem reinventar absolutamente nada. Isso não chega a ser um problema. Pelo contrário. Ao sair da cabine de imprensa, em uma manhã chuvosa em um cinema do Rio de Janeiro, comentei com um colega que havia gostado do filme e que determinada revelação no ato final melhorara bastante minhas impressões. Ouvi dele uma definição que não consegui refutar: “mais um bom filme de Sessão da Tarde”.

Se estivéssemos em outra época, eu concordaria integralmente com essa leitura. Golpe Explosivo tem aquela energia dos filmes que a Globo reprisava à exaustão nas tardes de semana e que, inevitavelmente, faziam qualquer pessoa parar diante da televisão por alguns minutos — ou por duas horas inteiras. Hoje, porém, ele parece pertencer mais ao mundo do streaming: é o típico longa que passa rapidamente pelos cinemas, entra no catálogo da Netflix, do Prime Video ou de qualquer outra plataforma e, poucos dias depois, aparece ali estampado como “Top 2 da semana”. E, sinceramente, isso faz total sentido.

Sem querer reinventar a roda, partindo do genérico, flertando com certa criatividade e eventualmente retornando ao genérico, Golpe Explosivo entrega exatamente aquilo que promete. É um filme que entretém, prende a atenção, oferece boas cenas de ação e ainda guarda uma surpresa final razoavelmente eficiente. Acima de tudo, é um longa honesto em suas intenções: não tenta parecer mais inteligente do que realmente é. No final das contas, trata-se apenas de um bom entretenimento pipoca — uma maneira eficiente de esquecer os problemas do lado de fora da sala escura por cerca de duas horas. E, diante de tanta honestidade, não tenho como deixar de recomendá-lo.

Desliguem os celulares e boa diversão.

Bruno Giacobbo
Bruno Giacobbo
Um dos últimos românticos, vivo à procura de um lugar chamado Notting Hill, mas começo a desconfiar que ele só existe mesmo nos filmes e na imaginação dos grandes roteiristas. Acredito que o cinema brasileiro é o melhor do mundo e defendo que a Boca do Lixo foi a nossa Nova Hollywood. Apesar das agruras da vida, sou feliz como um italiano quando sabe que terá amor e vinho.

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