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Gucci celebra 60 anos do Flora e a Tiffany abre seu novo Jardim Secreto

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Junho de 2026 trouxe duas histórias que, à primeira vista, não têm nada em comum — uma é sobre um print de moda criado para uma princesa, a outra é sobre joias de altíssimo quilate —, mas que, juntas, mostram como o luxo está revisitando seus próprios arquivos para criar as novidades mais desejadas do momento.

Os 60 anos do Flora, da Gucci – Em 1966, Rodolfo Gucci encomendou ao ilustrador Vittorio Accornero um print floral para presentear Grace Kelly, então princesa de Mônaco. Seis décadas depois, o Flora é uma das estampas mais reconhecíveis da moda — e a Gucci decidiu celebrar o aniversário com a campanha de Verão 2026, ambientada justamente em Monte Carlo, em uma espécie de retorno simbólico às origens do print.

A campanha traz de volta nomes que já são lenda no universo Gucci — a icônica Jackie, que segue se consolidando como peça de culto, ao lado de Madison, Gossip, Mercato e Borsetto. O Flora aparece em diferentes suportes: nylon estampado na Jackie, lona em preto e multicolor nas totes, e seda na GG Marmont, com ferragens em dourado. É o tipo de releitura que não imita o passado, mas o atualiza — cada peça carrega o desenho de Accornero como quem carrega uma assinatura.

Do outro lado do Atlântico, a Tiffany & Co. apresentou em abril de 2026 mais um capítulo do seu Blue Book anual, batizado de Hidden Garden — Jardim Secreto. A coleção, assinada pela diretora de alta joalheria Nathalie Verdeille, explora a ideia de um jardim escondido, com peças que trazem flores, folhagens e texturas orgânicas traduzidas em pedras raras e composições que parecem ter sido colhidas, não desenhadas.

O que Gucci e Tiffany têm em comum, neste momento, é a forma como tratam seus próprios arquivos: não como museu, mas como matéria-prima viva. A Gucci não está apenas reeditando o Flora — está recontextualizando uma história real, de uma encomenda para uma princesa, dentro do imaginário contemporâneo de Monte Carlo. A Tiffany, por sua vez, usa o Blue Book — tradição que remonta ao século XIX — como espaço de experimentação máxima, onde a maison pode se permitir o que não cabe no dia a dia do varejo.

No fim, tanto o Flora quanto o Hidden Garden falam da mesma coisa: jardim, natureza, flor — temas que nunca saem de moda porque carregam algo universal. A diferença está na escala e no gesto. A Gucci aposta no reconhecimento imediato de um print que já é parte da memória visual de gerações. A Tiffany aposta no inédito, em peças que talvez nunca cheguem a uma vitrine, mas que definem o padrão pelo qual toda a coleção será lembrada. Duas maneiras diferentes de provar que, no luxo, o jardim mais desejado é sempre aquele que ainda guarda um segredo.

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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