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“Senhora dos Afogados”, do Teatro Oficina, chega ao Rio de Janeiro

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Após grande sucesso de crítica e público, o Teatro Oficina leva ao Rio o espetáculo ‘Senhora dos Afogados’, de Nelson Rodrigues, com direção de Monique Gardenberg.

Escrita em 1947, texto é um mergulho denso no inconsciente familiar – uma tragédia brasileira em forma e espírito, marcada por paixões, desejos proibidos e morte. “Senhora dos Afogados” nos mostra uma sociedade à beira do colapso.

Nelson Rodrigues, como dizia Zé Celso, “é um artista dionisíaco, que estupra todas as máscaras sociais no cosmo da vida como ela é”. Ele é “um outro”, para lá do bem e do mal, tão imenso quanto Shakespeare, Rimbaud e Oswald de Andrade.  

“Monique é uma parceiraça, nos conhecemos em 1994 quando levou a nossa montagem de ‘Hamlet’ para o Rio, no Parque Lage, e sempre se manteve ligada ao Zé Celso. 30 anos depois, quando voltávamos do crematório após a morte do Zé, Monique perguntou o que iríamos fazer depois da montagem da ‘Queda do Céu’, o projeto que Zé estava trabalhando na adaptação. Foi aí que falei que seria filmar ‘Senhora dos Afogados’ e, na hora, saiu a pergunta se ela topava dirigir. Topou, e a direção da Monique é sensacional, com um processo completamente diferente do que estávamos acostumados. A mistura que ela faz do teatro com cinema, e nós acostumados à câmera em cena, deu muito certo”, conta Marcelo Drummond.

Nesta encenação, o espaço cênico é atravessado por elementos audiovisuais, trilha original e climas sensoriais. Um coro recorrente de “putas do cais” evoca Zé Celso e sua montagem operística reforça o clima alucinatório da narrativa.  

Ambientada em uma casa à beira-mar, onde o oceano é mais que cenário – é extensão simbólica da psique familiar – a peça propõe um mergulho nos limites entre realidade e delírio, desejo e culpa. A casa, impregnada de sal, luto e memória, torna-se um organismo vivo: muda como as marés, ecoa as vozes silenciadas e revela as camadas subterrâneas de uma família dilacerada e uma sociedade hipócrita.  

No centro da trama está Misael (Marcelo Drummond), juiz assombrado por segredos que emergem das profundezas do passado. Ao seu redor, giram personagens tomados por impulsos inconfessáveis: Moema (Lara Tremouroux), a filha intensa, e Eduarda (Leona Cavalli), esposa e figura central de uma dinâmica familiar marcada por moralismo, poder e ressentimento.  

“Fazer ‘Senhora dos Afogados’ no Rio é especial, um mergulho ainda maior nas águas profundas do universo de Nelson Rodrigues. Ao mesmo tempo em que celebramos a continuidade do Teatro Oficina, com essa direção de Monique Gardenberg homenageando Zé Celso; num grande encontro de atores e atrizes que trabalharam com ele”, afirma Leona Cavalli.

Senhora dos Afogados é um espetáculo que convida o público a encarar seus próprios abismos. 

SERVIÇO: Datas: Setembro – 18, 19, 20, 24, 25, 26, 27 | Outubro – 01, 02 e 03  Local: Ação e Cidadania (Rua da Gamboa, 246 – Santo Cristo) Classificação indicativa: 16 anos Ingressos https://bileto.sympla.com.br/event/125561

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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