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Douglas Lopes apresenta séries de fotografias emblemáticas na Fábrica Bhering

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O artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes, nascido e criado na Favela da Maré, inaugura exposição individual no quinto andar da Fábrica Bhering. Com curadoria de Vinicius Mesquita, “Entre a favela, o inferno e o céu” apresenta séries de fotografias emblemáticas de sua produção e uma instalação inédita.

A mostra é parte de um projeto mais amplo de Lopes, contemplado com uma bolsa de dois anos no Programa de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (Pista), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Conduzido por agentes culturais de diferentes favelas e complexos, o programa tem como objetivo estimular iniciativas concebidas e desenvolvidas a partir desses territórios. Além da exposição, o projeto contempla a publicação de um livro e a reestruturação da plataforma digital do fotógrafo, que será relançada no evento, e passa a se chamar Estúdio Maré.

Treze fotografias digitais de 150 x 100cm cada, impressas sobre tecido e suspensas por cabos de aço, formam a instalação inédita “Círculo de fogo” (2026). A sobreposição de imagens dos alunos do Núcleo de Formação em Dança do Centro de Arte da Maré faz alusão ao espectro das cores do fogo. O trabalho ocupa o espaço central da galeria e cria um caminho visual a ser percorrido pelos visitantes. “Gosto de brincar com o fogo e da conexão entre a luz do fogo e a fotografia”, conta o artista.

Em preto e branco, a fotografia digital “Nas águas desta baía há muito tempo” (2024), o artista toma emprestado o título de um livro de Nei Lopes para mostrar a área do antigo Pier Maria Angu, na Favela da Kelson. Antigamente próspero, o espaço segue como uma área de pesca e lazer, apesar da poluição das águas e dos sinais de degradação do espaço. A obra também evidencia como questões sociais e territoriais interferem no acesso à cidade e aos espaços de lazer.

Desde 2014, Douglas Lopes vem construindo sua trajetória de forma independente, buscando inserir sua fotografia em diferentes circuitos de circulação. Em sua pesquisa, ele  inverte o olhar da chamada “fotografia antropológica”: com lugar de fala, ele constrói uma narrativa em que os lugares e seus habitantes não aparecem apenas como objetos de observação, mas como protagonistas de suas próprias histórias.

A partir de um olhar atento às contradições da cidade, ele encontra outras narrativas possíveis para lugares frequentemente vistos de fora. A exposição reflete sobre questões sociais e políticas, ao mesmo tempo em que usa a potência da fotografia para imaginar outra vida urbana no Rio de Janeiro.

Serviço 17 setembro de 2026 até 18 de fevereiro de 2027 / Fábrica Bhering | R. Orestes, 28 | 5º – Santo Cristo

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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