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Marli Matsumoto apresenta exposição de Umberto Costa Barros no Tropigalpão durante a ArtRio

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Originalmente conceituada para a sede da galeria em 2023, com curadoria de Catherine Bompuis, “ONDE” chega ao Rio de Janeiro a convite do Tropigalpão, que realiza uma programação especial durante a ArtRio. A mostra reúne documentos fotográficos feitos pelo próprio artista de intervenções site-specific realizadas a partir do final da década de 1960, evidenciando o caráter precursor de sua pesquisa e sua contribuição para a ampliação das relações entre arte e arquitetura; assim como BUFFER, um trabalho de 2023. Além da exposição de Umberto Costa Barros, o espaço receberá Meteorium III,  da artista Dominique Gonzalez-Foerster,e a coletivaAtravessamentos Naturais, da Galeria Galatea, com curadoria de Tomás Toledo.

O Tropigalpão recebe um recorte da mostra original, que retoma trabalhos criados por Umberto Costa Barros em um dos períodos mais duros da ditadura militar brasileira. Integrante da geração que começou a atuar após a promulgação do Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968, o artista pertence ao contexto histórico que reuniu nomes como Cildo Meireles, Antonio Manuel, Luiz Alphonsus, Thereza Simões e Raimundo Colares. O crítico Frederico Morais definiu a atuação desses artistas como uma forma de “guerrilha artística”, marcada pela ocupação de espaços não convencionais e pelo questionamento das estruturas institucionais da arte.

Realizadas no mesmo momento em que a noção de site-specific começava a ganhar forma no debate internacional, essas intervenções fazem de Umberto Costa Barros uma figura central na história dessa prática no Brasil. Seus trabalhos não eram simplesmente instalados em determinado local: surgiam da observação de sua arquitetura, de seus materiais e de seus usos, tornando-se indissociáveis das condições espaciais e institucionais que lhes davam origem.

Com uma rigorosa economia de meios, o artista não acrescentava novos objetos ao espaço. Em vez disso, deslocava, inclinava, empilhava ou reorganizava aquilo que já estava disponível, produzindo alterações discretas capazes de transformar radicalmente a percepção do ambiente. Ao desestabilizar os usos previstos para móveis, painéis e elementos arquitetônicos, Umberto também colocava em questão as convenções da exposição, a função da arquitetura e o próprio estatuto do objeto de arte.

Por seu caráter transitório e vinculado a situações específicas, essas obras não podem ser remontadas em outros lugares. Os documentos fotográficos realizados pelo artista e apresentados em ONDE, entretanto, não funcionam somente como registros de intervenções desaparecidas. Eles constituem uma dimensão própria do trabalho, reativando no presente as ações realizadas no espaço e permitindo que o público se relacione com sua temporalidade, seus gestos e seus deslocamentos. 

Umberto nos apresenta também BUFFER, realizado em 2023 para a mostra em São Paulo, que é parte de sua pesquisa TRABALHO GRÁFICO iniciada em 1971, e que permanece.

Ao apresentar esse conjunto durante a ArtRio, a Marli Matsumoto lança luz sobre uma produção decisiva para a arte brasileira e reafirma a atualidade das questões formuladas por Umberto Costa Barros há mais de cinco décadas: onde se encontra a obra, o que define um espaço expositivo e de que maneira uma intervenção pode transformar nossa experiência de um lugar.

SERVIÇO De 17 a 27 de setembro de 2026 TROPIGALPÃO Rua Benjamin Constant, 118, Glória – 4º andar.

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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