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“As Palavras”, da artista e poeta visual carioca Suely Farhi, no CCJF

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O Centro Cultural Justiça Federal recebe a exposição “As Palavras”, da artista e poeta visual carioca Suely Farhi. Com curadoria de Luiza Interlengh, a exposição reunirá dez instalações, produzidas desde 1994 até hoje, incluindo obras inéditas, que trazem como tema o universo feminino. Esta será a primeira vez que a artista reúne trabalhos com essa temática.

“Suely Farhi investiga o limiar entre palavra, imagem e espaço – a linguagem transmuta a realidade. As palavras – substantivo feminino plural – desenham o invisível e aderem aos objetos para iluminar a força da mulher”, escreve a curadora Luiza Interlenghi no texto sobre a concepção da exposição.   

Um dos destaques de “As Palavras” será a obra inédita “elogios às marias-sem-vergonha”, composta por vasos de vidro transparentes e sobrepostos, com tamanhos e formatos variados, cheios d’água, onde estão serigrafados adjetivos positivos sobre as mulheres.  “Será preciso movimentar o corpo, como uma dança, para poder ler todas as palavras”, conta a artista, que por meio de uma pesquisa sobre a flor maria-sem-vergonha, selecionou seus pontos fortes e também os pontos fracos, que foram valorados positivamente através de sinônimos. “O vapor sai dessa água e vai irradiando os elogios, fazendo um contágio invisível, uma contaminação pela palavra no ar”, ressalta.

Além disso, também inédita e produzida este ano, a obra “suspiros alfabéticos” traz 26 folhas de papel A2, em um painel de 10 metros de comprimento, cada uma com um desenho feito com uma letra do alfabeto. Duas dobras bem sutis nos papéis emolduram as letras e remetem à forma da virilha. “É uma alusão ao corpo feminino, mas o papel branco também lembra as estátuas de mármore. As letras trazem o som, o suspiro, uma sensação interna”, diz Suely Farhi.

Além das obras inéditas, outras mais antigas foram atualizadas. “A temática principal do meu trabalho são esses pontos de tensão, de questionamento, de pensamento. Eu nem notava se estava fazendo algo que era feminino ou não”, afirma a artista. Sobre a atualização de algumas obras, ela diz: “Acho que esse milênio está ensinando a ver muito claramente algumas questões. Não quer dizer que eu não fosse feminista, mas a gente vai sabendo e vendo mais claramente certas coisas, inclusive até do meu próprio passado, coisas que vivi sem falar”, completa.

Uma das obras que foi atualizada para essa exposição é “o terceiro lado”. Produzida em 2006, contém duas moedas douradas e envelhecidas em homenagem a D. Maria I, primeira rainha a governar Portugal, que era conhecida como “A louca”. Suely criou duas moedas, dentro de uma caixa, uma mostrando a frente, com a inscrição: “louca, louca, louca”, e outra mostrando o verso com a inscrição “calou, calou, calou”, em uma inversão das sílabas. “É uma das cláusulas feministas, a mulher muitas vezes é taxada de louca e muitas vezes se cala antes que a calem. Aqui mostro os dois lados da mesma moeda, mas resolvi atualizar o trabalho e colocar um terceiro espaço, que estará vazio, como uma reinvenção, uma nova saída, não apenas para a mulher, mas para todos – um espaço para reflexão”, conta a artista.

Formada em arquitetura, Suely Farhi trabalha com a junção entre espaço e palavra. Segundo ela, “os espaços são repletos de vida, de luz e sombra, de fisicalidades e de atmosferas”. Desta forma, haverá salas ocupadas por uma única obra ou pequenas obras em grandes espaços. Este é o caso de “geral da geralda”, instalação composta por uma vassoura de piaçava que empurra e sustenta a parede, que parece estar levantada pela força da vassoura encostada nela. A obra estará sozinha em uma única sala.  “Suely propõe modos alternativos de experimentar e compreender os objetos do cotidiano. Uma vassoura apoiada na parede, objeto banal, abre a indagação: o que sustenta e o que é sustentado? Quem apoia a vassoura?”, diz Luiza Interlenghi.

Ainda dentro da ideia de ênfase na ambiência, uma única e pequena caixa, de 3,5cm x 3,5cm, ocupará uma sala inteira. Com a iluminação apenas sobre ela em meio à sala escura, o espectador será atraído para a obra, que tem nome enigmático, […], e propõe uma transformação através de uma única palavra. “Ali tem uma surpresa, que é uma reversão daquele espaço, do que é vivido naquela sensação de escuridão”, conta a artista.

Obras antigas também serão apresentadas, como a instalação “a noite dos desejos” (1994), que será remontada especialmente para essa exposição. Em uma sala escura, com velas de led, pequenas luzes surgem e desaparecem, como estrelas cadentes. “noite dos desejos conduz o olhar para a dimensão do sublime e do sonho desejante, instâncias de resistência ao enfraquecimento da arte como necessidade vital”, afirma Luiza Interlenghi. O vídeo-poema “barriga” (2010), inédito, traz a imagem de um céu com nuvens brancas, de onde começa a brotar uma esfera, que vai crescendo, até aparecer a palavra “barriga” dentro dela, que, em dado momento, com a saída da palavra “ar” sobra apenas “briga”. E tudo volta ao início. “É uma respiração, o início da vida entrando na matéria”, afirma a artista.

Completam a exposição desenhos-escritas e a obra “encontro dos extremos”, em que duas taças de champanhe com as letras A e Z estão em posição de celebração, encostadas uma na outra, apoiadas sobre uma almofada de veludo. “É um círculo que se fecha, pois A é o início e Z o fim. Elas em equilíbrio instável, uma apoiada na outra e, ao mesmo tempo, em posição de brinde”, afirma a artista.

Ao longo do período da exposição serão realizadas diversas atividades, gratuitas e abertas ao público. No dia 23 de outubro, às 17h, será realizada uma visita mediada com a artista Suely Farhi e a curadora e crítica de arte Luiza Interlenghi

No dia 5 de novembro, às 17h, haverá uma visita à exposição com a presença da artista, seguida da conversa “Palavra como fonte transformadora”, com artista, educadora e psicanalista Daniela Mattos, a poeta, psicanalista e membro da Associação Mundial de Psicanálise Fatima Pinheiro e a teórica-doméstica e professora do Instituto de Artes e PPGartes Uerj Mariana Pimentel.

Na última semana da exposição, será realizado o jogo “oráculo dos pensamentos”, às 17h, criado por Suely Farhi. O jogo será realizado no dia 19 de novembro, com a participação de artistas e poetas visuais, como Adriana Maciel, Elaine Pauvolid, Martha Niklaus, Maria Moreira, Monica Barki, Fernanda Junqueira, Fernando Gerheim, Simone Cupello, Xico Chaves e outros. “O jogo é um objeto facilitador de conversas públicas. Cartas estarão sobre as cadeiras e os artistas começam a ler um trecho do texto ao acaso. Ao ler uma frase do oráculo fala o que pensa, sente, intui ou deseja. E assim segue o jogo”, conta a artista.

SERVIÇO Período de visitação: de 14 de outubro a 22 de novembro / Centro Cultural Justiça Federal Av. Rio Branco, 241 – Centro / Funcionamento: de terça a domingo, das 11h às 19h Valor: Entrada gratuita

Atividades em torno da exposição:

Dia 23 de outubro de 2026, às 17h: visita mediada com a artista e a curadora e crítica de arte Luiza Interlenghi;

Dia 5 de novembro de 2026, às 17h: visita à exposição com a presença da artista, seguida da conversa “Palavra como fonte transformadora”, com Daniela Mattos, Fatima Pinheiro e Mariana Pimentel;

Dia 19 de novembro de 2026, às 17h: jogo “oráculo dos pensamentos”.

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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