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“Rita Lee – Balada da Louca”: Monologo traz artista fora dos palcos

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Chega aos palcos do Rio de Janeiro, enfim, “Rita Lee – Balada da Louca”, inspirado no livro “Outra Biografia”, de Rita Lee. Idealizado e escrito por Guilherme Samora, o texto adaptado em formato de monologo ganha voz com Lilia Cabral recontando os últimos anos da rainha do Rock brasileiro.

O livro retrata os últimos cinco anos da vida da artista, incluindo o diagnóstico e o tratamento contra o câncer. Na peça, o cenário é simples: três cadeiras, os astros (sol, lua e estrelas) pendurados, enquanto Lilia transita entre eles contando sobre o difícil processo da descoberta do câncer de pulmão, ainda durante a pandemia.

Projeto teve a bênção de Roberto de Carvalho.

“Rita Lee – Balada da Louca” é um monólogo corajoso e sensível. Aborda a doença (o câncer diagnosticado em 2021) com tom delicado e generoso. Ao contrario do musical, com Mel Lisboa, a peça é intima e profunda no que se trata a persona da artista. Enquanto Mel Lisboa personifica a artista no palco musical, não só na voz, mas também com seus trejeitos e humor afiado, Lilia Cabral dá voz a uma Rita Lee completamente despida da artista no palco, é, surpreendentemente, uma personagem completamente humana, sem estar no pedestal dos fãs.

A primeira biografia lançada em 2016 traz Rita Lee em tempo solar e recheada de curiosidades de bastidores musicais. Agora, vemos uma artista mais reclusa, fora dos palcos, levando a vida que escolheu para sua aposentadoria. “Rita Lee – Balada da Louca” fala de finitude e de amor, com humor e luz, faz a gente se conectar com nosso eu interior. Emociona com a atuação colossal de Lilia Cabral, trazendo sensibilidade as dores da doença. A direção de Beatriz Barros brilha ao celebrar a vida, a arte e a resistência. Além disso, “Rita Lee – Balada da Louca” é, certamente, uma reflexão filosófica sobre envelhecimento e a relação com a espiritualidade. Rita sempre foi ligada aos rituais ao lado de suas pedras, bichos de estimação e as plantas cuidadas pelo marido, Roberto de Carvalho.

Em “Rita Lee – Balada da Louca”, a vida de Rita Lee é contada com certa leveza e com a mesma honestidade escancarada do livro autobiográfico. No palco, é como se pudéssemos sentir sua energia, com certa intimidade. O monologo é rico nas palavras, singelo na caracterização de Lilia Cabral, com os cabelos cor da lua e um tom pessoal emocionante sobre a Rainha do Rock Nacional. O monólogo é prova de que a obra de Rita Lee é atemporal.

Saiba mais sobre a peça!

Alê Shcolnik
Alê Shcolnikhttps://www.rotacult.com.br
Editora de conteúdo e fundadora do site, jornalista, publicitária, fotografa e crítica de cinema (membro da ACCRJ - Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro). Amante das Artes, aprendiz na arte de expor a vida como ela é. Cultura e tattoos nunca são demais!

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