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Virginie Efira desponta na corrida pelo Oscar com “O Sentido da Vida”

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Considerado a mais volumosa (e diversificada) vitrine para o audiovisual produzido em Paris, Nice, Marselha e arredores, o Festival de Cinema Francês regressa ao Brasil entre 29 de outubro a 11 de novembro. Mobilizando salas de projeção em todo o país sem deixar de lado aquela que, neste momento, melhor traduz o simbolismo humanista da língua falada no evento: Virginie Efire!

“Às vezes, os atores se prendem às personagens, mas o essencial é em que estado a direção te coloca”, diz a estrela belga de 49 anos que pode virar o ano com uma indicação ao Globo de Ouro e cruzar janeiro indicada ao Oscar.

Num duplo encontro com o Rota Cult, um em Marrakech e o outro em Cannes, ela abriu o coração sobre dois longas-metragens que a aproximam agora de plateias brasileiras. Um, “Contos Paralelos” (“Histoires Parallèles”), do iraniano Asghar Farhadi, expandiu seu rosto em telas do Festival do Rio, e agora entra em circuito no dia 12 de novembro. O outro, “O Sentido da Vida” (“Soudain”), do japonês Ryûsuke Hamaguchi, está atualmente em cartaz no Festival de Cinema Francês. Esse ensaio existencialista trouxe para Virginie o prêmio de Melhor Atriz na Croisette, numa vitória em empate com sua colega de cena, Tao Okamoto.

Aliás, especula-se que as duas possam ser oscarizadas por essa narrativa, que passa no Rio nesta sexta, às 18h30, no CineCarioca José Wilker, dentro do Festival de Cinema Francês, outrora aqui conhecida como Varilux. “Quando você decide fazer uma personagem, abre algo dentro de você para deixar entrar coisas: de um filme que viu, de uma memória recordada. Você precisa confiar nisso”, explicou Virginie ao Rota. “O estudo, nesse sentido, não elimina o mistério da atuação. Pelo contrário: prepara o terreno para que o inesperado aconteça”.

Em “O Sentido da Vida”, Hamaguchi, diretor vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2022 por “Drive My Car” (hoje na plataforma MUBI), constrói um ensaio multicultural sobre solidariedade, dignidade e resistência. Virigie interpreta Marie-Lou Fontaine, diretora de uma instituição para idosos nos arredores de Paris que desafia as convenções ao tentar implantar o método Humanitude, apesar da resistência de sua equipe. A chegada de Mari Morisaki, dramaturga japonesa em estado terminal vivida por Tao Okamoto, transforma a rotina da instituição e estabelece entre as duas mulheres um vínculo.

“Hamaguchi é hoje um dos maiores formalistas do cinema. O que consegue dizer sobre a sociedade e a intimidade é impressionante”, afirma Virginie, que teve de lidar com o idioma local do Japão nas filmagens. “Ele simplesmente coloca a câmera no melhor lugar possível para observar a vida. É simples e, por isso, incrível.”

A premiação em Cannes por “O Sentido da Vida” , certamente, reforça a projeção internacional de uma atriz que já conquistou o César, principal distinção do cinema francês, em 2023, por “Memórias de Paris”. Antes de se firmar como uma das intérpretes francófonas mais prolíficas de sua geração, ela apresentou programas de televisão de diferentes formatos. No cinema, encontrou espaço para diversificar seu repertório em filmes como “Elle” (2016) e “Benedetta” (2021), ambos dirigidos pelo holandês Paul Verhoeven, além de “Na Cama com Victoria” e “Sibyl”, sob a direção de Justine Triet.

“Farhadi também é um diretor que pensa os planos muito antes de rodar. Com ele, há menos liberdade para o ator, muito menos. Você precisa encontrar seu lugar dentro de um plano perfeitamente desenhado”, explica, referindo-se a “Contos Paralelos”.

Inspirado pelo legado do diretor polonês Krzysztof Kieślowski (1941-1996), famoso nos anos 1990 pela “Trilogia das Cores”, Farhadi constrói agora uma trama coral sobre diferentes formas de olhar — e de invadir — a vida alheia. Isabelle Huppert vive Sylvie, escritora em crise criativa que passa a observar secretamente os moradores do prédio em frente ao seu apartamento em busca de matéria-prima para um novo romance. A contratação de um jovem assistente, Adam (Adam Bessa), dissolve pouco a pouco as fronteiras entre imaginação e realidade, abrindo caminho para uma espiral de desejo, paranoia e destruição emocional. A personagem de Virginie integra a produção de um filme e é tomada por romances tortos.

“Com grandes diretores, a gente observa um trem inteiro passando diante de nós. Quanto mais filmes eles fazem, menos precisam falar com os atores. Eles confiam. Entendem que o elenco pode alimentar um filme”, explica a atriz. “A cada longa, você aprende a se desfazer do ego, a entender que o filme não é sobre o ator… é algo maior do que você”.

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