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	<title>Bruno Giacobbo, Autor em Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Bruno Giacobbo, Autor em Rota Cult</title>
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		<title>A Divina Sarah Bernhardt acompanha o auge de uma mulher à frente de seu tempo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem me acompanha por aqui sabe que eu nunca fui exatamente um entusiasta das cinebiografias. Sempre enxerguei esse gênero com certa desconfiança. Mas parece que os deuses do cinema resolveram brincar comigo. Nas últimas semanas, tenho sido surpreendido por algumas boas produções desse tipo e, aos poucos, revendo meus próprios preconceitos. A mais recente delas [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Quem me acompanha por aqui sabe que eu nunca fui exatamente um entusiasta das cinebiografias. Sempre enxerguei esse gênero com certa desconfiança. Mas parece que os deuses do cinema resolveram brincar comigo. Nas últimas semanas, tenho sido surpreendido por algumas boas produções desse tipo e, aos poucos, revendo meus próprios preconceitos. A mais recente delas é<em>&nbsp;A Divina Sarah Bernhardt</em>, novo filme do diretor francês Guillaume Nicloux sobre aquela que talvez tenha sido a maior atriz da história do teatro moderno.</p>



<p class="has-text-align-center">O leitor pode até estar se perguntando quem foi Sarah Bernhardt. E tem todo o direito de não saber. Estamos falando de uma artista que se tornou uma celebridade internacional em uma época em que não existiam cinema, televisão, redes sociais ou qualquer outro mecanismo capaz de transformar alguém em estrela da noite para o dia. Sarah Bernhardt conquistou fama percorrendo o mundo com suas apresentações teatrais. Passava anos em turnê e chegou, inclusive, ao Brasil, onde foi assistida pelo imperador Dom Pedro II, um de seus grandes admiradores. Aliás, o filme relembra esse episódio em uma cena curiosa, quando uma de suas assistentes lê cartas de congratulações recebidas pela atriz e, entre elas, aparece justamente uma correspondência assinada pelo monarca brasileiro.</p>



<p class="has-text-align-center">Guillaume Nicloux também acerta ao não transformar&nbsp;<em>A Divina Sarah Bernhardt</em>&nbsp;em uma simples cronologia da vida da protagonista. O filme começa já no início do século XX, com uma Sarah Bernhardt, a atriz Sandrine Kiberlain, adoentada, prestes a enfrentar uma cirurgia e convivendo com os arrependimentos que a idade inevitavelmente traz. Afinal, quem não chega a determinado momento da vida olhando para trás e pensando no que poderia ter feito diferente? A partir desse ponto, ela passa a revisitar seu passado ao conversar com Sacha Guitry, filho do grande ator francês Lucien Guitry, vivido por Laurent Lafitte, que foi também o grande amor de sua vida. Nessas lembranças, conhecemos um pouco mais da mulher por trás do mito e entendemos melhor as escolhas, os acertos e os erros que moldaram sua trajetória.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Filme biográfico retrata a incansável dedicação ao teatro da figura que ficou conhecida como &#8220;A Divina&#8221;, bem como os sacrifícios corporais e emocionais que moldaram sua trajetória nos palcos.</h2>



<p class="has-text-align-center">Um dos grandes méritos do filme é justamente a maneira como ele reconstitui essa época. A fotografia de Yves Cape e o figurino de Anaïs Romand trabalham em perfeita sintonia para transportar o espectador à Paris da virada do século XIX para o século XX. Tudo parece cuidadosamente pensado para que a ambientação funcione de maneira natural, sem chamar mais atenção do que a própria história. É uma produção elegante, bonita de se ver e que consegue convencer pela riqueza dos detalhes.</p>



<p class="has-text-align-center">Filmes que se apoiam em lembranças, arrependimentos e revisitações do passado muitas vezes acabam escorregando para o sentimentalismo exagerado. Felizmente, não é o caso aqui. A<em>&nbsp;Divina Sarah Bernhardt</em>&nbsp;é um filme leve e, em muitos momentos, bastante divertido. Sarah era uma mulher à frente de seu tempo, alguém que hoje provavelmente teria atitudes consideradas absolutamente normais, mas que, na passagem do século XIX para o XX, incomodava muita gente justamente por romper convenções. Essa personalidade forte rende boas situações ao lado de Lucien Guitry e também de Pitou, seu fiel secretário e escudeiro, interpretado por Laurent Stocker. Ela o trata com dureza quase o tempo todo; ele reclama sem parar, mas fica evidente que existe ali uma relação de afeto construída ao longo dos anos.</p>



<p class="has-text-align-center">Talvez tenha sido justamente isso que mais tenha me conquistado. Um dos meus maiores receios com cinebiografias sempre foi encontrar filmes que transformam seus protagonistas em figuras inalcançáveis, quase divinas. Curiosamente, este se chama&nbsp;<em>A Divina Sarah Bernhardt</em>, mas faz exatamente o contrário. Mostra uma mulher extraordinária sem canonizá-la, sem esconder suas contradições e seus defeitos. E isso, para mim, faz toda a diferença. Começar a semana assistindo a um filme leve, bem produzido e inteligente foi uma grata surpresa. Ele estreia no próximo dia 16 e, sinceramente, acho que vale o ingresso. Eu recomendo bastante.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e excelente diversão.</strong></p>
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		<title>Uma Infância Alemã aborda a confusão moral de uma criança tentando compreender o mundo dos adultos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Filmes que colocam uma criança no centro dos horrores da guerra definitivamente não são uma novidade. Pelo menos dois grandes clássicos do cinema seguiram esse caminho e deixaram marcas profundas no imaginário dos espectadores. Um deles é o americano&#160;O Menino do Pijama Listrado&#160;(2008). O outro é o soviético&#160;Vá e Veja&#160;(1985). Em ambos, meninos vivenciam os [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Filmes que colocam uma criança no centro dos horrores da guerra definitivamente não são uma novidade. Pelo menos dois grandes clássicos do cinema seguiram esse caminho e deixaram marcas profundas no imaginário dos espectadores. Um deles é o americano&nbsp;<em>O Menino do Pijama Listrado</em>&nbsp;(2008). O outro é o soviético&nbsp;<em>Vá e Veja</em>&nbsp;(1985). Em ambos, meninos vivenciam os efeitos devastadores dos conflitos armados, cada um à sua maneira, mas sempre de forma chocante e inesquecível. Agora chega aos cinemas&nbsp;<em>Uma Infância Alemã</em>, do cineasta Fatih Akin, mais um filme que escolhe o olhar de uma criança para abordar a guerra. A diferença é que seu protagonista não está em um campo de concentração nem em meio aos combates. Ainda assim, ele vive cercado pelos fantasmas do conflito.</p>



<p class="has-text-align-center">O jovem Nanning, interpretado por Jasper Billerbeck, vive na ilha de Amrum, na costa da Alemanha. À primeira vista, trata-se de um lugar paradisíaco, distante dos campos de batalha e aparentemente protegido da destruição que toma conta da Europa. Mas a guerra está presente ali de outras formas. Enquanto parte da comunidade segue acreditando nos ideais nazistas e na liderança de Adolf Hitler, outros habitantes aguardam ansiosamente o fim do conflito. Entre eles está Tessa Bendixen, personagem vivida pela excelente Diane Kruger. No meio desse cenário está Nanning, um garoto que ainda não sabe exatamente o que pensar. Como toda criança, ele absorve aquilo que escuta dos adultos ao seu redor.</p>



<p class="has-text-align-center">Em casa, sua mãe, Hille Hagener, interpretada por Laura Tonke, é uma defensora convicta do regime nazista. Esposa de um oficial da SS enviado ao front, ela acredita que Hitler representa o melhor caminho para a Alemanha. Já no cotidiano, o menino demonstra algo diferente: empatia, compaixão e uma bondade natural que parecem entrar em conflito com a educação que recebe. Quando escuta Tessa comemorando o iminente fim da guerra e criticando Hitler, conta o ocorrido à mãe. Ela exige que o filho denuncie a vizinha. Ele não o faz, mas a própria mãe toma a iniciativa. Como consequência, Nanning acaba sendo tratado como traidor por alguém que gostava dele. É um dos muitos momentos em que&nbsp;<em>Uma Infância Alemã</em>&nbsp;mostra a confusão moral de uma criança tentando compreender um mundo dominado pelos adultos.</p>



<p class="has-text-align-center">Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a notícia cai como uma bomba naquela pequena comunidade. Enquanto muitos comemoram, a mãe de Nanning mergulha em uma profunda depressão. E o garoto, sem entender completamente o que está acontecendo, tenta ajudá-la da única maneira que conhece. Tudo o que ela deseja é um simples pão branco acompanhado de manteiga e mel. Algo banal para nós hoje, mas um verdadeiro luxo na Alemanha devastada pela guerra. Movido pelo amor à mãe, Nanning embarca em uma missão para conseguir os ingredientes necessários. Ao longo dessa jornada, vemos um menino tentando preservar a própria humanidade em um ambiente marcado pela escassez, pela dor e pelas consequências de uma ideologia derrotada.</p>



<p class="has-text-align-center">É justamente por isso que&nbsp;<em>Uma Infância Alemã</em>&nbsp;desperta sentimentos contraditórios. Em alguns momentos sentimos raiva de Nanning por atitudes influenciadas pela educação que recebeu. Em outros, sentimos pena dele. Quando assistimos à obra de coração aberto, entendemos que ele é, antes de tudo, um produto de seu meio. Um garoto moldado pelas circunstâncias. E são os momentos de empatia que acabam falando mais alto. Como quando salva a vida de um menino polonês refugiado que estava se afogando. Apesar de já ter sido perseguido e hostilizado pelo garoto anteriormente, Nanning não hesita em estender a mão quando percebe que a vida dele está em risco. São cenas como essa que revelam quem ele realmente é por trás da doutrinação que o cerca.</p>



<p class="has-text-align-center">Dirigido pelo consagrado cineasta alemão-turco Fatih Akin,&nbsp;<em>Uma Infância Alemã</em>&nbsp;é um filme duro, triste e profundamente humano. Mais uma vez, Akin demonstra enorme sensibilidade ao abordar temas históricos complexos. Mas existe aqui um detalhe que torna tudo ainda mais impactante: o roteiro foi escrito em parceria com Hark Bohm, e Nanning funciona como uma espécie de alter ego do próprio co-roteirista. Muitas das situações retratadas ao longo dos 93 minutos de duração são inspiradas diretamente em suas experiências de infância. Quando descobrimos isso, cada cena ganha ainda mais peso emocional. Soma-se a isso a fotografia deslumbrante de Karl Walter Lindenlaub, que transforma a beleza natural da ilha em um contraste permanente com a tristeza da história. O resultado é um dos trabalhos visualmente mais bonitos que chegarão aos cinemas em 2026.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Uma Infância Alemã</em>&nbsp;apresenta um garoto no centro dos horrores da guerra. Ele talvez não testemunhe as mesmas atrocidades vistas em&nbsp;<em>O Menino do Pijama Listrado</em>&nbsp;ou&nbsp;<em>Vá e Veja</em>, mas suas experiências não são menos importantes, dolorosas ou impactantes. É um filme sobre inocência, doutrinação, culpa, sobrevivência e esperança. Um filme que emociona, provoca reflexão e permanece na memória muito depois do término da sessão. Eu recomendo com muita convicção. Vale cada centavo do ingresso.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e excepcional diversão.&nbsp;</strong></p>
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		<title>Triste e Belo Mundo, uma comédia romântica libanesa, delicada e sensível</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
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<p class="has-text-align-center">Se&nbsp;<em>Triste e Belo Mundo&nbsp;</em>fosse uma produção britânica ou norte-americana, provavelmente seria estrelado por Julia Roberts, Hugh Grant ou algum outro casal clássico das comédias românticas. Mas o filme vem do Líbano e carrega consigo todas as particularidades, dores e belezas de um país que raramente ocupa o centro das atenções do grande público. Indicado pelo país para disputar uma vaga no Oscar de 2026, o longa marca a estreia de Cyril Aris na ficção e já chega demonstrando uma maturidade impressionante para um diretor que até então era conhecido principalmente por seus documentários.</p>



<p class="has-text-align-center">A história acompanha Nino e Yasmina, interpretados por Mounia Akl e Hassan Akil. Nascidos no mesmo dia, com apenas um minuto de diferença entre eles, os dois se conhecem ainda na infância e vivem aquele tipo de paixão que apenas as crianças conseguem experimentar: intensa, sincera e aparentemente eterna. Mas o mundo além dos muros da escola é muito mais complicado do que o pátio onde brincam. Problemas familiares acabam separando os dois, enquanto o próprio Líbano atravessa décadas marcadas por crises políticas, corrupção, dificuldades econômicas e conflitos que tornam a vida cotidiana cada vez mais difícil.</p>



<p class="has-text-align-center">O tempo passa em&nbsp;<em>Triste e Belo Mundo</em>&nbsp;e os dois crescem. Yasmina se transforma em uma respeitada consultora econômica, alguém que observa o futuro do país com ceticismo. Ela não acredita que o Líbano voltará a ser aquilo que um dia foi, nem que se tornará um lugar capaz de oferecer perspectivas reais para as próximas gerações. Nino, por outro lado, segue um caminho oposto. Administrando o restaurante herdado da família, ao lado dos amigos Chafic (Tino Karam) e Leila (Nadyn Chalhoub), ele mantém uma visão otimista da vida e do país. Seu restaurante, que mistura tradições da culinária libanesa com influências internacionais, acaba funcionando como uma extensão de sua própria personalidade: aberta, acolhedora e esperançosa.</p>



<p class="has-text-align-center">O reencontro acontece por acaso. Um incidente leva Nino ao escritório da mãe de Yasmina e, posteriormente, aos corredores de um hospital. Sem reconhecer imediatamente a antiga paixão de infância, os dois voltam a cruzar seus caminhos. Aos poucos, pequenos detalhes, lembranças e coincidências fazem com que percebam quem realmente são. E é justamente aí que o filme encontra sua principal força. Mais do que uma história romântica,&nbsp;<em>Triste e Belo Mundo</em>&nbsp;fala sobre memória, destino, pertencimento e sobre a maneira como o tempo transforma as pessoas sem apagar completamente aquilo que elas foram um dia.</p>



<p class="has-text-align-center">Mas o grande destaque da obra talvez esteja na forma como Cyril Aris escolhe contar essa história. Uma das soluções mais inteligentes do diretor é a utilização de imagens que simulam antigas fitas VHS para representar o passado. Essas sequências contrastam diretamente com a fotografia contemporânea do restante do filme, criando uma separação visual clara entre memória e presente. O efeito funciona de maneira admirável, reforçando a sensação de nostalgia e ajudando o espectador a compreender como aquelas lembranças continuam vivas, ainda que desgastadas pelo tempo. Outro recurso igualmente interessante é a decisão de nunca mostrar claramente os rostos dos pais dos protagonistas durante as passagens da infância. Vemos seus corpos, ouvimos suas vozes, mas seus rostos permanecem ocultos, como se fossem lembranças incompletas preservadas apenas de forma fragmentada na memória dos personagens.</p>



<p class="has-text-align-center">O resultado é um filme delicado, sensível e extremamente bem realizado. É difícil não sair da sessão se perguntando por que a obra ficou fora da lista final de indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Trata-se de uma estreia em ficção extremamente segura, conduzida por um diretor que demonstra domínio narrativo e visual raros para alguém em seu primeiro longa de ficção.&nbsp;<em>Triste e Belo Mundo</em>&nbsp;é uma história de amor, mas também é uma história sobre um país, sobre a passagem do tempo e sobre a persistência da esperança em meio às dificuldades. Um filme belo, melancólico e profundamente humano. Uma estreia que coloca Cyril Aris imediatamente no radar de qualquer pessoa que goste de bom cinema..</p>



<p><strong>Desliguem os celulares e excelente diversão.</strong></p>
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		<title>Hit para Dois, uma comedia romântica espirituosa</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alguém disse ou escreveu certa vez que a música é a forma mais próxima e mais fácil de nos conectarmos com Deus. Os religiosos provavelmente discordarão e dirão que esse papel pertence à oração, à conversa direta com o Divino. Eu não sei quem está certo. Aliás, também não sou exatamente uma pessoa da música. [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Alguém disse ou escreveu certa vez que a música é a forma mais próxima e mais fácil de nos conectarmos com Deus. Os religiosos provavelmente discordarão e dirão que esse papel pertence à oração, à conversa direta com o Divino. Eu não sei quem está certo. Aliás, também não sou exatamente uma pessoa da música. Sou muito mais dos filmes, dos livros e dos programas esportivos. Mas existe alguém que realmente não aprecie uma boa música? Mesmo quem não passa o dia todo ouvindo canções acaba sendo tocado por elas em algum momento. E talvez seja justamente por entender esse poder que o irlandês John Carney, diretor e roteirista (aqui em conjunto com Peter McDonald) de <em>Hit Para Dois</em>, construiu toda a sua carreira ao redor da música.</p>



<p class="has-text-align-center">Para quem não associa imediatamente o nome à filmografia, Carney é o diretor e roteirista de obras como <em>Apenas uma Vez</em> (2007), <em>Mesmo Se Nada Der Certo</em> (2013) e Sing Street: Música e Sonho (2016). Filmes diferentes entre si, mas unidos por um mesmo elemento: a música como força motriz das histórias e das emoções dos personagens. Em seu novo trabalho, <em>Hit Para Dois</em>, essa característica aparece mais uma vez. Não há aqui uma comédia romântica nos moldes de seus filmes anteriores, mas existe a mesma sensibilidade, o mesmo carinho pelos personagens e a mesma crença de que a música pode transformar vidas.</p>



<p class="has-text-align-center">A trama de <em>Hit Para Dois</em> acompanha Rick, personagem vivido por Paul Rudd. Quando jovem, ele sonhava em se tornar uma estrela do Rock, mas a vida aconteceu. Casou com uma jovem irlandesa, dessa união nasceu outra jovem irlandesa, os boletos começaram a chegar e, desta forma, acabou encontrando estabilidade como cantor de uma banda de casamentos, algo que aqui no Brasil compararíamos a um cantor de churrascaria. Só que, durante uma apresentação em um castelo na Irlanda, ele conhece Danny Wilson, interpretado por Nick Jonas, (sim, ele mesmo, o integrante da boy band <em>Jonas Brothers</em>).</p>



<p class="has-text-align-center">Astro internacional da música e melhor amigo do noivo, Danny acaba subindo ao palco para uma participação improvisada. A química entre os dois é imediata. Era muito claro que eles se entenderiam, afinal, a música corre na veia de ambos. Mais tarde, após o casório, entre conversas, bebidas e violões, eles acabam passando a noite compondo músicas juntos. Só que Rick e Danny pertencem a mundos completamente diferentes. Um teve seus sonhos interrompidos pela realidade; o outro vive exatamente o sonho que o primeiro abandonou.</p>



<p class="has-text-align-center">Meses depois, Rick escuta em um shopping uma música que conhece muito bem. Não apenas conhece: ele acredita ter sido o verdadeiro autor da canção. O problema é que Danny a transformou em um enorme sucesso mundial e Rick não possui nenhuma prova concreta de sua participação na composição. A partir daí, o filme se transforma em uma jornada de perseverança. Enquanto familiares, amigos e colegas duvidam de sua história, Rick segue tentando provar que não está louco. E é justamente nessa busca obstinada que o roteiro de&nbsp;<em>Hit Para Dois</em>&nbsp;encontra sua força. Em nenhum momento o personagem perde a esperança, e isso acaba contaminando também o espectador.</p>



<p class="has-text-align-center">John Carney acerta mais uma vez. Admito que fui ao cinema sem saber praticamente nada sobre o filme e sequer tinha percebido que ele era o diretor do projeto. Antes da sessão, cheguei a comentar com uma amiga que provavelmente assistiria a mais um filme genérico. Felizmente, estava completamente enganado. <em>Hit Para Dois</em> é daqueles filmes que abraçam o espectador. É, certamente, uma obra que faz companhia. Funciona quando estamos felizes, funciona quando estamos tristes e funciona especialmente quando precisamos acreditar que as coisas ainda podem dar certo. Há uma sinceridade muito bonita em tudo o que acontece na tela.</p>



<p class="has-text-align-center">Além disso, o longa-metragem é extremamente competente em seus aspectos técnicos. A direção é segura, o roteiro é coeso e bem amarrado, as atuações funcionam muito bem e a narrativa flui de forma natural do início ao fim. Paul Rudd entrega mais uma atuação carismática, enquanto Nick Jonas surpreende interpretando uma versão ficcionalizada de alguém muito próximo daquilo que ele próprio representa no mundo real: uma estrela musical surgida em uma boy band. E, antes que eu me esqueça, a relação de Rick com o seu melhor amigo, Sandy, vivido pelo próprio co-roteirista Peter McDonald, me fez lembrar bastante a de Hugh Grant e Rhys Ifans em&nbsp;<em>Um Lugar Chamado Notting Hill</em>&nbsp;(1999).&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">O resultado final é tão redondo que fiquei me perguntando se não havia deixado passar algum problema. Pensei durante horas sobre o que tinha assistido e simplesmente não encontrei grandes falhas. Talvez elas existam e eu não as tenha visto. Ou talvez John Carney tenha realmente conseguido realizar mais uma obra especial. E talvez, quem sabe, a música realmente seja uma das formas mais bonitas de nos conectarmos com Deus. Os religiosos, como escrevi anteriormente, provavelmente discordarão, mas aí já é um problema filosófico e não fílmico. Agora, independentemente da resposta para essa questão, uma coisa eu posso afirmar: <em>Hit Para Dois</em> merece ser visto. Eu recomendo fortemente. </p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e excelente diversão.</p>
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		<title>Todo Mundo em Pânico 6 atualiza a sátira cinematográfica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 16:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há 26 anos, os irmãos Wayans lançavam&#160;Todo Mundo em Pânico&#160;(2000), filme que revolucionaria o gênero da paródia cinematográfica. Criadores, roteiristas, produtores e diretores dos dois primeiros longas da franquia, eles acabaram afastados de uma obra que ajudaram a construir, enquanto novos capítulos eram produzidos sem sua participação.&#160;Agora, mais de duas décadas depois, retornam à série [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Há 26 anos, os irmãos Wayans lançavam&nbsp;<em>Todo Mundo em Pânico</em>&nbsp;(2000), filme que revolucionaria o gênero da paródia cinematográfica. Criadores, roteiristas, produtores e diretores dos dois primeiros longas da franquia, eles acabaram afastados de uma obra que ajudaram a construir, enquanto novos capítulos eram produzidos sem sua participação.&nbsp;Agora, mais de duas décadas depois, retornam à série com&nbsp;<em>Todo Mundo em Pânico 6</em>, trazendo de volta a marca registrada de uma das famílias mais importantes da comédia americana contemporânea. E, principalmente, da comédia negra americana. Se nos anos 1970 o cinema teve o fenômeno da&nbsp;<em>Blaxploitation</em>&nbsp;— tão admirado e homenageado por cineastas como Quentin Tarantino — os Wayans construíram algo semelhante dentro do humor, produzindo filmes feitos a partir de sua própria visão de mundo, mas voltados para todos os públicos.</p>



<p class="has-text-align-center">Como acontece desde o primeiro filme,&nbsp;<em>Todo Mundo em Pânico 6</em>&nbsp;utiliza a franquia&nbsp;<em>Pânico</em>&nbsp;(1996-2026) como principal estrutura narrativa. Quem assistiu ao mais recente capítulo da série de terror reconhecerá diversas cenas recriadas quase quadro a quadro, agora transformadas em piada. Mas limitar a franquia a uma simples paródia de Pânico seria um erro. O terror criado por Wes Craven e Kevin Williamson funciona apenas como espinha dorsal para uma enorme colagem de referências. Nesta nova edição, surgem citações e paródias de obras como&nbsp;<em>Corra!</em>&nbsp;(2017),&nbsp;<em>A Substância</em>&nbsp;(2024),&nbsp;<em>Premonição</em>&nbsp;(2000-2025),&nbsp;<em>Wandinha</em>&nbsp;(2022-2025),&nbsp;<em>M3gan</em>&nbsp;(2023-2025),&nbsp;<em>Terrifier</em>&nbsp;(2016-2024),&nbsp;<em>Longlegs</em>&nbsp;(2024) e&nbsp;<em>A Hora do Ma</em>l (2025) e diversos outros sucessos recentes do horror, todos misturados em uma grande salada cômica conduzida pelos Wayans.</p>



<p class="has-text-align-center">Naturalmente, ninguém deveria procurar aqui uma história elaborada ou um roteiro digno de premiações. Não é esse o objetivo do filme. A proposta sempre foi simples: construir gags, piadas e situações absurdas capazes de arrancar gargalhadas do público. O espectador entra na sala de cinema para esquecer os problemas do lado de fora e simplesmente rir. A questão é saber se o filme consegue cumprir essa missão. E a resposta, como acontece com toda comédia, depende muito de quem está assistindo. Humor é algo profundamente subjetivo. O que faz este crítico rir pode não provocar qualquer reação em outro espectador, e vice-versa.</p>



<p class="has-text-align-center">No meu caso,&nbsp;<em>Todo Mundo em Pânico 6</em>&nbsp;começa de maneira extremamente eficiente. Uma das primeiras sequências, claramente inspirada em&nbsp;<em>Premonição</em>&nbsp;(2000-2025), arrancou gargalhadas altas e sinceras. Durante boa parte da projeção eu me diverti bastante. O problema é que, em determinado momento, senti que o longa perde ritmo. As piadas continuam surgindo, mas com menor frequência e menor impacto. Os risos, que eram constantes no início, tornam-se mais espaçados. E, em uma obra cuja proposta principal é fazer rir, o ritmo é um elemento fundamental.</p>



<p class="has-text-align-center">Também é importante destacar algo que acompanha a franquia desde seu nascimento: o humor politicamente incorreto. Os Wayans não fazem concessões nesse aspecto. Utilizando seu próprio lugar de fala, criam inúmeras piadas envolvendo questões raciais, algumas leves, outras bastante agressivas. Logo na abertura, por exemplo, uma personagem afirma ser negra dentro de um restaurante sofisticado e os clientes brancos começam a esconder bolsas e pertences, enquanto uma senhora chega ao ponto de engolir o próprio colar de pérolas. Trata-se de um tipo de humor que certamente não agradará a todos. Assim como aconteceu nos filmes anteriores, haverá espectadores que se incomodarão profundamente com essas escolhas. E isso precisa ser dito antes da compra do ingresso.</p>



<p class="has-text-align-center">No saldo final,&nbsp;<em>Todo Mundo em Pânico 6</em>&nbsp;entrega aproximadamente duas horas de diversão descompromissada e muitas risadas. Se não faz sentido cobrar profundidade dramática ou sofisticação narrativa, vale destacar as atuações. Marlon e Shawn Wayans continuam demonstrando um talento cômico raro, criando momentos que funcionariam perfeitamente em um palco de stand-up ou em uma peça teatral. Regina Hall e Anna Faris retornam em participações que ajudam a despertar a nostalgia dos fãs, enquanto uma das melhores piadas do filme surge quando os próprios Wayans fazem referência aos capítulos produzidos sem sua participação, deixando escapar uma divertida ponta de ressentimento. Para quem está precisando rir neste feriado de Corpus Christi, a recomendação é clara: vá ao cinema. Apenas saiba exatamente o tipo de humor que encontrará pela frente.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Desligue o celular e excelente diversão.</p>
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		<title>Chopin, Uma Sonata em Paris: Cinebiografia evita qualquer romantização ensolarada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chopin, Uma Sonata em Paris, novo filme do cineasta Michal Kwiecinski, começa de maneira extremamente inusitada. A trilha sonora e a construção imagética inicial fazem parecer, por alguns instantes, que estamos diante de um episódio de &#8220;Stranger Things&#8221; (2016-2025). Paris surge como uma cidade escura, de céu permanentemente cinzento, enquanto um incômodo zumbido de mosca domina o [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center"><em>Chopin, Uma Sonata em Paris</em>, novo filme do cineasta Michal Kwiecinski, começa de maneira extremamente inusitada. A trilha sonora e a construção imagética inicial fazem parecer, por alguns instantes, que estamos diante de um episódio de &#8220;Stranger Things&#8221; (2016-2025). Paris surge como uma cidade escura, de céu permanentemente cinzento, enquanto um incômodo zumbido de mosca domina o espaço sonoro. Então vemos o compositor polonês Frédéric Chopin, interpretado por Eryk Kulm, imóvel em uma cadeira, quase como um cadáver esquecido pelo tempo. Mas ele ainda não morreu. Subitamente desperta, salta da cadeira e vai para a rua. É uma abertura forte, impactante e cheia de personalidade — exatamente o tipo de início que imediatamente desperta a curiosidade do espectador.</p>



<p class="has-text-align-center">Quem costuma me ler aqui no&nbsp;<em>Rota Cult</em>&nbsp;sabe que cinebiografias, definitivamente, não estão entre os meus gêneros favoritos. Musicais e cinebiografias são obras que assisto, eventualmente escrevo sobre, mas raramente me conquistam de verdade. Aqui, no entanto, Kwiecinski consegue aquilo que considero fundamental: prender a minha atenção durante praticamente toda a projeção. Com 1h53min de duração, o filme opta inteligentemente por retratar apenas o período final da vida de Chopin, já estabelecido em Paris, sem cair naquela estrutura convencional e preguiçosa de acompanhar o personagem da infância até a morte por tuberculose. E talvez essa seja mesmo a decisão mais acertada da obra, porque é justamente em Paris que Chopin se transforma em &#8220;Chopin&#8221;.</p>



<p class="has-text-align-center">O roteiro de&nbsp;<em>Chopin, Uma Sonata em Paris&nbsp;</em>explora principalmente a relação do compositor com duas figuras fundamentais de sua trajetória: o húngaro Franz Liszt, também compositor, vivido por Victor Meutelet, e a escritora francesa George Sand, interpretada por Joséphine de La Baume. Enquanto Liszt surge quase como um contraponto artístico e intelectual, Sand é claramente apresentada como o grande amor da vida de Chopin. E o contraste entre os dois funciona muito bem. Ele é reservado, tímido diante do público, embora extremamente espirituoso entre amigos. Ela, ao contrário, é expansiva, provocadora, uma mulher muito à frente de seu tempo — fumava charutos em público, vestia-se como homem e carregava consigo pensamentos libertários incomuns para a época. São almas bem distintas que acabam se encontrando.</p>



<p class="has-text-align-center">Talvez a principal falha de&nbsp;<em>Chopin, Uma Sonata em Paris</em>, enquanto cinebiografia, esteja justamente nessa relação. Em nenhum momento fica verdadeiramente claro para o espectador o quanto George Sand foi fundamental como musa inspiradora das obras mais célebres de Chopin. Essa percepção acaba surgindo apenas depois da sessão, em uma inevitável pesquisa despertada pelo interesse que o próprio longa provoca. Ainda assim, é impossível negar a força dramática construída entre os dois personagens. Outra percepção tardia, igualmente fruto de pesquisas posteriores, é a de que o diretor se inspirou em&nbsp;<em>A Pior Pessoa do Mundo</em>&nbsp;(2021) ao escolher o modo como iria apresentar o seu protagonista. E, de fato, há uma boa dose de semelhança entre os protagonistas das duas obras.</p>



<p class="has-text-align-center">Outras duas relações importantes retratadas pela obra são as de Chopin com o jovem prodígio Carl Filtsch, papel de Theo Grundmann Brechet, seu principal aluno, que morreria, tragicamente, aos 14 anos, também vítima da tuberculose, e com o rei Luís Felipe I, vivido pelo inglês Lambert Wilson. E é através do chamado &#8220;rei burguês&#8221; que o músico passa a frequentar os salões franceses e a ampliar seu reconhecimento. Afinal, Chopin ainda não vivia da imortalidade de suas composições — vivia de aulas, concertos e da aristocracia que financiava a arte naquele período.</p>



<p class="has-text-align-center">O aspecto mais fascinante de&nbsp;<em>Chopin, Uma Sonata em Paris</em>, porém, talvez passe pela maneira como Kwiecinski decidiu filmar a melancolia. Tudo aqui possui uma atmosfera soturna, pesada, quase febril. Mesmo quando Chopin viaja para Maiorca ao lado de George Sand — período que, teoricamente, representaria mais qualidade de vida ao compositor tuberculoso — o filme evita qualquer romantização ensolarada. Há chuva, há cinza, há um constante sentimento de desgaste emocional. E essa escolha estética conversa diretamente com a própria essência de Chopin: um homem genial, revolucionário artisticamente, mas profundamente melancólico. Sua vida jamais foi feita apenas de luz.</p>



<p class="has-text-align-center">E acredito que seja justamente por isso que o desfecho me conquistou de vez. O longa-metragem evita mostrar Chopin no tradicional leito de morte e encontra uma saída visual muito mais elegante e criativa para encerrar sua trajetória. Foi nesse instante final que a obra terminou de me abraçar por completo.&nbsp;<em>Chopin, Uma Sonata em Paris</em>&nbsp;— título brasileiro que, aliás, considero muito inferior ao original&nbsp;<em>Chopin, Chopin!</em>, a forma como as pessoas o chamavam nas ruas — é uma cinebiografia recomendada não apenas para os amantes de música clássica ou os fãs do gênero, mas também para espectadores que, como eu, normalmente mantêm certa distância desse tipo de filme. E ver essa obra no cinema faz diferença, especialmente pela fotografia extraordinária de Michal Sobocinski.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e excepcional diversão.</p>
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		<title>Cansei de Ser Nerd: Fernando Caruso constrói nuances dramáticas inesperadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Cansei de Ser Nerd]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As segundas-feiras costumam ser complicadas para a maior parte das pessoas. Uma nova semana se descortina pela frente, cinco dias ininterruptos de trabalho, e quase todo mundo já está pensando no próximo final de semana. Dito isto, poucas coisas parecem melhores do que começar essa jornada semanal assistindo a uma boa comédia. E foi justamente [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">As segundas-feiras costumam ser complicadas para a maior parte das pessoas. Uma nova semana se descortina pela frente, cinco dias ininterruptos de trabalho, e quase todo mundo já está pensando no próximo final de semana. Dito isto, poucas coisas parecem melhores do que começar essa jornada semanal assistindo a uma boa comédia. E foi justamente em uma segunda-feira que tive a chance de conferir o primeiro longa-metragem do premiado diretor de arte Gualter Pupo como cineasta.&nbsp;<em>Cansei de Ser Nerd</em>&nbsp;mistura comédia, ficção científica e suspense em uma narrativa que, aos poucos, vai revelando que pretende ser muito mais do que aparenta em seus minutos iniciais.</p>



<p class="has-text-align-center">O protagonista Airton, interpretado por Fernando Caruso, é o típico nerd eterno. Já adulto, continua agindo como adolescente: mora com a mãe, cultiva hábitos juvenis e divide suas neuroses com o inseparável amigo Ulisses, vivido por Pedro Benevides. Quando Airton decide ir à festa de vinte anos de formatura do colégio, percebe-se rapidamente que há algo mal resolvido naquele passado. O trauma envolve Juliana, personagem de Bia Guedes, antiga paixão do protagonista, afastada dele após um mal-entendido que o roteiro propositalmente esconde do público. O reencontro, portanto, não nasce apenas da nostalgia, mas da tentativa desesperada de entender um passado que Airton nunca conseguiu superar.</p>



<p class="has-text-align-center">A festa acontece em uma casa soturna, escura, quase decadente, localizada em uma rua ainda mais estranha do que a própria residência. Quando os personagens entram naquele ambiente que mais parece um clube secreto — onde quase se espera que alguém peça uma senha para atravessar a porta —&nbsp;<em>Cansei de Ser Nerd</em>&nbsp;dá uma guinada e muda completamente de tom.</p>



<p class="has-text-align-center">Em meio a ex-colegas que parecem presos no tempo, uma banda formada justamente pelos antigos mauricinhos, patricinhas e praticantes de bullying toma o palco. É aí que a comédia adolescente tardia ganha ares tarantinescos, ou melhor, ecos diretos do cinema de Robert Rodriguez. Em muitos momentos, a sensação é a de termos sido transportados para dentro de&nbsp;<em>Um Drink no Inferno</em>&nbsp;(1996), obra escrita por Tarantino e dirigida por Rodriguez. O público passa então a tentar decifrar o mistério: afinal, estamos diante de uma história de vampiros? Ficção científica? O longa brinca justamente com essa indefinição de gêneros, e talvez esse seja o seu maior mérito.</p>



<p class="has-text-align-center">O interessante é que&nbsp;<em>Cansei de Ser Nerd</em>&nbsp;não se acomoda na fórmula fácil da comédia nacional descartável. Gualter Pupo demonstra criatividade ao misturar referências e atmosferas distintas, construindo uma narrativa que instiga o espectador a permanecer atento, curioso para descobrir o que aquela penumbra esconde. Existe um charme muito particular nessa mistura improvável de humor, suspense e estranhamento. Entretanto, em determinado momento, a fórmula parece se esgotar.</p>



<p class="has-text-align-center">Esse esgotamento não chega a comprometer o resultado final, mas deixa a impressão de que o longa-metragem poderia ser um pouco mais curto — ou talvez precisasse desenvolver melhor determinadas ideias para sustentar plenamente sua duração. Ainda assim, o saldo permanece positivo justamente porque o filme nunca deixa de ser interessante e aposta em uma gama de efeitos especiais bem legais.</p>



<p class="has-text-align-center">Fernando Caruso é, sem dúvida, o grande destaque da produção. Utilizando o humor que lhe é característico, o ator constrói também nuances dramáticas inesperadas, transformando Airton em uma espécie de Dom Quixote contemporâneo, alguém que atravessa seus próprios delírios em busca de uma paixão do passado enquanto enfrenta moinhos que talvez não sejam tão imaginários assim. Como contraponto, João Velho reforça mais uma vez a imagem de antagonista que carrega desde os tempos de&nbsp;<em>Malhação</em>&nbsp;(1995-2020).</p>



<p class="has-text-align-center">No final das contas,&nbsp;<em>Cansei de Ser Nerd</em>&nbsp;pode até apresentar alguns excessos e irregularidades, mas acerta justamente por ousar. E isso, em um cenário onde tantas comédias parecem nascer prontas para serem esquecidas, já é uma qualidade enorme. Dito isto, obviamente, não tenho como não recomendar.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e ótima diversão.</p>
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		<title>Golpe Explosivo entrega exatamente aquilo que promete, flertando com certa criatividade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 12:55:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sabe aquele filme que, em um primeiro momento, parece ser apenas mais uma obra genérica e descartável, mas que, aos poucos, começa a se transmutar em algo um pouco mais interessante? Pois bem: este é exatamente o caso de&#160;Golpe Explosivo, novo trabalho do diretor David Mackenzie, cineasta que, há cerca de dez anos, chamou atenção [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Sabe aquele filme que, em um primeiro momento, parece ser apenas mais uma obra genérica e descartável, mas que, aos poucos, começa a se transmutar em algo um pouco mais interessante? Pois bem: este é exatamente o caso de&nbsp;<em>Golpe Explosivo</em>, novo trabalho do diretor David Mackenzie, cineasta que, há cerca de dez anos, chamou atenção com o ótimo&nbsp;<em>A Qualquer Custo</em>&nbsp;(2016), um faroeste moderno disfarçado de thriller criminal. Aqui, Mackenzie parte de uma premissa bastante simples: durante uma obra no centro de Londres, uma bomba da Segunda Guerra Mundial é encontrada. A descoberta paralisa a região, mobiliza polícia, exército e autoridades, enquanto a tensão cresce em torno da necessidade de remover o explosivo antes que ele transforme a cidade em tragédia.</p>



<p class="has-text-align-center">É nesse contexto que surge o Major Will Tranner, personagem vivido por Aaron Taylor-Johnson, especialista em bombas e veterano da Guerra do Afeganistão encarregado de liderar a operação. Só que a bomba, na verdade, funciona mais como um pretexto narrativo, uma grande cortina de fumaça para algo muito maior que acontece paralelamente. Enquanto todas as atenções estão voltadas para o artefato explosivo, um grupo de criminosos liderado pelo personagem de Theo James se esconde em um prédio vizinho a um banco, esperando o momento ideal para executar um roubo meticulosamente planejado.</p>



<p class="has-text-align-center">A partir daí, o roteiro de Ben Hopkins desenvolve uma trama de ação e suspense eficiente, dessas que fazem o público se ajeitar na cadeira do cinema. Existe uma pergunta que atravessa praticamente toda a narrativa: como aqueles homens sabiam da existência da bomba? Como poderiam estar preparados para agir justamente no instante em que as autoridades e a população estivessem distraídas? São questionamentos que ajudam o filme a ganhar camadas mais interessantes do que aparentava possuir nos primeiros minutos. E talvez esteja aí a principal qualidade de&nbsp;<em>Golpe Explosivo</em>: ele entende perfeitamente como manipular a curiosidade do espectador.</p>



<p class="has-text-align-center">Ainda assim, existe um momento em que o longa parece desistir de qualquer ambição maior e aceita confortavelmente aquilo que sempre esteve destinado a ser: mais um filme de assalto e tensão feito para entreter sem reinventar absolutamente nada. Isso não chega a ser um problema. Pelo contrário. Ao sair da cabine de imprensa, em uma manhã chuvosa em um cinema do Rio de Janeiro, comentei com um colega que havia gostado do filme e que determinada revelação no ato final melhorara bastante minhas impressões. Ouvi dele uma definição que não consegui refutar: &#8220;mais um bom filme de Sessão da Tarde&#8221;.</p>



<p class="has-text-align-center">Se estivéssemos em outra época, eu concordaria integralmente com essa leitura.&nbsp;<em>Golpe Explosivo</em>&nbsp;tem aquela energia dos filmes que a Globo reprisava à exaustão nas tardes de semana e que, inevitavelmente, faziam qualquer pessoa parar diante da televisão por alguns minutos — ou por duas horas inteiras. Hoje, porém, ele parece pertencer mais ao mundo do streaming: é o típico longa que passa rapidamente pelos cinemas, entra no catálogo da Netflix, do Prime Video ou de qualquer outra plataforma e, poucos dias depois, aparece ali estampado como &#8220;Top 2 da semana&#8221;. E, sinceramente, isso faz total sentido.</p>



<p class="has-text-align-center">Sem querer reinventar a roda, partindo do genérico, flertando com certa criatividade e eventualmente retornando ao genérico,&nbsp;<em>Golpe Explosivo</em>&nbsp;entrega exatamente aquilo que promete. É um filme que entretém, prende a atenção, oferece boas cenas de ação e ainda guarda uma surpresa final razoavelmente eficiente. Acima de tudo, é um longa honesto em suas intenções: não tenta parecer mais inteligente do que realmente é. No final das contas, trata-se apenas de um bom entretenimento pipoca — uma maneira eficiente de esquecer os problemas do lado de fora da sala escura por cerca de duas horas. E, diante de tanta honestidade, não tenho como deixar de recomendá-lo.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e boa diversão.</p>
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		<title>Sexo e Destino: Márcio Trigo dirige novo filme espírita nacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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<p class="has-text-align-center">No momento em que somos bombardeados pela notícia de que a novela <em>A Viagem</em> (1994) ganhará uma versão cinematográfica, oferecendo uma nova visão da história de Alexandre, Diná, Otávio Jordão e Doutor Alberto para novas gerações, mais um filme espírita chega aos cinemas brasileiros. Aliás, este é um filão bastante explorado no cinema nacional dos últimos anos. <em>Sexo e Destino</em>, dirigido por Márcio Trigo, é baseado em um best-seller do espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira, que começa como um drama amoroso relativamente simples.</p>



<p class="has-text-align-center">Marina (Letícia Agustin) e sua irmã Marita (Carol Macedo) apaixonam-se pelo mesmo homem, Gilberto (Bruno Gissoni). Gilberto, inicialmente, é o namorado de Marita. Só que ele nunca a amou de verdade. A certeza vem quando conhece Marina, que, por sua vez, se encanta e corresponde sem saber que ele é o namorado de sua irmã. O choque provocado pela descoberta da traição parece apontar para um melodrama centrado nesse triângulo amoroso, mas o filme rapidamente abandona esse conflito inicial para seguir por outros caminhos.</p>



<p class="has-text-align-center">A história passa então a se apoiar nas famílias daqueles personagens e em seus dramas particulares. Marina e Marita são filhas de Cláudio (Antônio Fragoso) e Márcia (Raquel Rizzo), um casal consumido pelo desgaste do tempo, pelo alcoolismo e pela falta de afeto. Já Gilberto é filho de Nemésio (Tato Gabus Mendes) e Beatriz (Totia Meireles), uma mulher em estado terminal cuidada justamente por Marina, enfermeira da família. Tudo soa, do princípio ao fim, bastante rocambolesco e muito piegas.</p>



<p class="has-text-align-center">É nesse ambiente que surgem alguns dos conflitos mais relevantes da narrativa de&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>, especialmente o assédio constante de Nemésio sobre a jovem. O problema é que, apesar da quantidade de personagens e conflitos, o longa-metragem nunca consegue organizar dramaticamente todas essas linhas narrativas de forma satisfatória.</p>



<p class="has-text-align-center">Existe uma velha máxima no cinema que diz que um roteiro escrito por muitas mãos costuma ser um roteiro fadado ao fracasso. Evidentemente, toda regra possui exceções.&nbsp;<em>Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)</em>&nbsp;(2015), vencedor do Oscar de Filme e Roteiro Original, foi escrito por quatro roteiristas e funciona brilhantemente. Em&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>, infelizmente, isso não acontece. São seis roteiristas construindo uma trama, como eu já escrevi, rocambolesca e marcada por problemas graves de desenvolvimento.</p>



<p class="has-text-align-center">Um dos principais defeitos está justamente na transformação dos personagens. A doutrina espírita — assim como o cristianismo, de maneira geral — acredita na regeneração moral do indivíduo, na possibilidade de arrependimento e evolução espiritual. O problema é que, em&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>, essas mudanças acontecem de forma abrupta demais. Personagens extremamente mesquinhos tornam-se pessoas melhores quase da noite para o dia, sem que o roteiro construa adequadamente esse processo. Assim, 1h50 de duração claramente não é suficiente para desenvolver tantos dramas, conflitos e arcos de forma simultânea e satisfatória.</p>



<p class="has-text-align-center">As atuações de&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>&nbsp;também pouco ajudam. E, quando personagens frágeis encontram interpretações pouco convincentes, o resultado, inevitavelmente, desaba. O elenco reúne nomes experientes e conhecidos, como Tato Gabus Mendes, Totia Meireles, Antônio Fragoso e Rafael Cardoso — este, o melhor em cena, mas abandonado lá pelas tantas pelo texto para ser resgatado só mais tarde —, porém o centro emocional da história reside em Bruno Gissoni e Letícia Agustin.</p>



<p class="has-text-align-center">Bruno é um ator competente, mas aqui parece não encontrar o tom do personagem em nenhum momento. Já Letícia, que eu não conhecia até assistir ao filme, infelizmente causa uma impressão ruim. Sua Marina não possui carisma, não convence emocionalmente e tampouco estabelece uma química minimamente sólida com Gilberto. Soma-se a isso uma direção extremamente convencional de Márcio Trigo, incapaz de dar personalidade ao longa-metragem. A sensação constante é a de um diretor operando o tempo todo no piloto automático.</p>



<p class="has-text-align-center">Talvez o momento que melhor sintetize os problemas do filme esteja em seu terço final, quando&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>&nbsp;decide mergulhar de vez na doutrina espírita e apresentar as vidas passadas daqueles personagens. O longa retorna ao Brasil Colônia, ao Rio de Janeiro do século XVIII. A intenção é claríssima: explicar espiritualmente os sofrimentos, os comportamentos e as relações daquelas pessoas no presente, partindo da crença espírita de que a alma reencarna sucessivas vezes em busca de evolução moral.</p>



<p class="has-text-align-center">Em teoria, este é um elemento dramaticamente poderoso. Na prática, porém, o recurso surge tarde demais, é desenvolvido às pressas e acaba ampliando ainda mais a sensação de desorganização narrativa.&nbsp;<em>Sexo e Destino</em>&nbsp;até possui temas interessantes e um material filosófico rico em mãos, mas falha justamente no mais importante: transformar tudo isso em cinema vivo, envolvente e dramaticamente consistente. Agora, é torcer para que a nova versão de&nbsp;<em>A Viagem</em>&nbsp;seja melhor e não macule o clássico televisivo.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares.</p>
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		<title>O Rei da Internet traz estética Pop, dinâmica e ágil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De vez em quando, nós, críticos de cinema, somos surpreendidos por filmes que não imaginávamos assistir. Isso aconteceu comigo no ano retrasado, com&#160;Bandida: A Número 1&#160;(2024), de João Wainer, sobre uma criminosa real nos morros do Rio de Janeiro. Agora, sob a direção de Fabrício Bittar, acabei de assistir ao longa-metragem&#160;O Rei da Internet, outra [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">De vez em quando, nós, críticos de cinema, somos surpreendidos por filmes que não imaginávamos assistir. Isso aconteceu comigo no ano retrasado, com&nbsp;<em>Bandida: A Número 1</em>&nbsp;(2024), de João Wainer, sobre uma criminosa real nos morros do Rio de Janeiro. Agora, sob a direção de Fabrício Bittar, acabei de assistir ao longa-metragem&nbsp;<em>O Rei da Internet</em>, outra história real, um autêntico true crime sobre Daniel Nascimento, o maior hacker do Brasil no início do século XXI.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>O Rei da Internet</em>&nbsp;narra a ascensão de Daniel, que, com apenas 16 anos, tornou-se um fenômeno, ganhando mais de um milhão de reais mensais, em uma vida que pais como o dele jamais poderiam proporcionar. Interpretado por João Guilherme Ávila, o personagem explora os primórdios da internet no Brasil, uma ferramenta que o fez superar a timidez, o bullying escolar e a total falta de jeito com as meninas, para se tornar, assim, um protagonista no mundo digital, onde se considerava imbatível.</p>



<p class="has-text-align-center">Fabrício Bittar, oriundo da MTV Brasil, onde dirigiu programas como, por exemplo, <em>Verão MTV</em>, utiliza muito de sua experiência pregressa em <em>O Rei da Internet</em>. A estética Pop, dinâmica e ágil é a marca do diretor, que aqui vive o seu melhor momento, entregando uma obra à altura do surpreendente <em>Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro</em>(2018). A influência visual e narrativa típica de videoclipes permeia cada cena e cada frame, conferindo um ritmo de blockbuster, mesmo sem o orçamento de um.</p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, o elenco reforça essa força narrativa: João Guilherme brilha no papel principal; Marcelo Serrado encarna o poderoso chefão da quadrilha que recruta o adolescente prodígio, já Emilio de Mello dá vida ao pai preocupado com a honra da família e Débora Ozório vive a inocente namoradinha de Daniel. Mesmo com 2h16, o longa-metragem se desenrola de forma tão envolvente, vibrante e acelerada que o tempo passa sem que se perceba. A voz em off de João Guilherme conduz o espectador, revelando os bastidores dessa vida de hacker.</p>



<p class="has-text-align-center">O filme não impõe uma lição moral. Daniel, após ser preso, hoje vive de forma relativamente modesta, dando palestras e prestando consultoria sobre cibersegurança, mas sem qualquer sinal de arrependimento. Assim como outras obras de Bittar,&nbsp;<em>O Rei da Internet</em>&nbsp;desafia o politicamente correto, privilegiando uma narrativa honesta e sem maniqueísmos. É um filme pop, ágil, uma ótima pedida para quem quer diversão, sem abrir mão da reflexão sobre os riscos da internet.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e ótima diversão.</p>
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