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	<title>Bruno Giacobbo, Autor em Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Bruno Giacobbo, Autor em Rota Cult</title>
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		<title>Nino: de sexta a segunda, de Pauline Loquès, trata com leveza um diagnóstico terminal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alguns dos melhores filmes a que a gente assiste ao longo da vida, a gente assiste sem qualquer expectativa e, muitas vezes, longe de uma sala de cinema. Eu iria assistir a&#160;Nino: de sexta a segunda, um longa-metragem francês dirigido por Pauline Loquès, pequeno, mas absolutamente envolvente, tocante, na sala do NET Rio, em Botafogo. [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Alguns dos melhores filmes a que a gente assiste ao longo da vida, a gente assiste sem qualquer expectativa e, muitas vezes, longe de uma sala de cinema. Eu iria assistir a&nbsp;<em>Nino: de sexta a segunda</em>, um longa-metragem francês dirigido por Pauline Loquès, pequeno, mas absolutamente envolvente, tocante, na sala do NET Rio, em Botafogo. Mas uma falta de luz, que deixou o cinema por mais de 12 horas no escuro, acabou me obrigando a ver esse filme em casa, por meio de um link divulgado pela assessoria de imprensa e pela distribuidora brasileira da obra.</p>



<p class="has-text-align-center">Com certeza, a experiência não é igual; assistir em casa não é a mesma coisa que no cinema, porque a sala de cinema dá condições de mergulho, de se aprofundar no filme, que o ambiente caseiro não oferece. Ainda assim, essa foi uma obra que me marcou e que já consigo rotular como inesquecível.&nbsp;<em>Nino: de sexta a segunda</em>&nbsp;retrata três dias na vida do personagem-título, vivido por Théodore Pellerin, um rapaz que, na manhã de uma sexta-feira, um dia após completar 28 anos, vai a um hospital de Paris buscar os resultados de um exame de rotina para solicitar uma simples licença médica. Só que as coisas, às vezes, não acontecem conforme imaginamos.</p>



<p class="has-text-align-center">Ao chegar lá, a recepcionista pede que ele vá ao consultório no andar superior. Ele não entende, pois achava que era só pegar os exames. No entanto, naquela cena rápida, logo percebemos que o resultado não era nada rotineiro. Em choque, Nino segue a orientação e, ao chegar lá, a médica, com uma calma para lá de blasé, informa que ele tem câncer na garganta e que o tratamento precisa começar na segunda-feira. Neste instante, o título do filme em português,&nbsp;<em>Nino: de sexta a segunda</em>, justifica-se como poucas vezes nestes anos todos de traduções e adaptações mal-ajambradas. Essa cena inicial é o ponto de partida para três dias que virarão de cabeça para baixo a vida do protagonista.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Nino: de sexta a segunda</em>&nbsp;tem uma temática pesada, complicada e, por isso, poderia ser bastante denso. Todavia, Loquès consegue tratar tudo com extrema leveza. Enxergamos esses três dias como uma jornada de interiorização, de aceitação daquela nova condição e de encontros e reencontros importantes. Nino busca a ex-namorada, vai à casa da mãe, passa o sábado à noite em uma festa que era para ser surpresa para ele e onde timidamente tenta conversar com seu melhor amigo sobre sua doença e, por fim, no domingo, após uma venda de garagem, reencontra uma colega de escola com quem cria uma conexão imediata e a quem, naturalmente, ele confia sua situação. Por essa e por outra cena, é interessante ver como o protagonista consegue se abrir muito mais com quem ele não tem uma intimidade prévia do que o contrário.</p>



<p class="has-text-align-center">A leveza da direção é um dos grandes trunfos de&nbsp;<em>Nino: de sexta a segunda</em>. A cineasta consegue tratar um tema tão pesado com uma delicadeza quase ímpar. Eu só vi algo parecido uma vez, ano passado, em&nbsp;<em>Uma Bela Vida</em>, de Costa-Gavras. Pode ser que outros filmes tenham provocado em mim a mesma sensação; porém, por ora, não me recordo de nada semelhante.&nbsp;<em>A Pior Pessoa do Mundo</em>&nbsp;também me tocou bastante, mas por motivos que nada têm a ver com doenças. Dito isto, a jornada de Nino é, ao mesmo tempo, séria e fluida, em grande parte devido aos tais encontros e desencontros. A capacidade do filme de equilibrar seriedade e doçura é rara. Quando li a sinopse, confesso que tive receio, mas fui surpreendido pela sutileza com que Loquès conduz a narrativa.</p>



<p class="has-text-align-center">A razão dessa minha experiência tão pessoal com&nbsp;<em>Nino: de sexta a segunda</em>&nbsp;se deve ao fato de que, em 2025, eu perdi um amigo para o câncer. O filme me fez revisitar esse luto e entrar em contato íntimo com os meus próprios pensamentos intrusivos (daí o receio na hora em que li a sinopse). Não foi nada fácil, mas a diretora, com o seu olhar sensível, típico de um cinema francês capaz de unir leveza e importância, tornou a minha jornada, assim como a do protagonista, um pouco menos complicada. Por fim, de algum modo, creio que, por se tratar de um estudo de personagem, o trabalho de Pauline Loquès me remeteu ao da maior cineasta de todos os tempos, Chantal Akerman, que era belga, mas fazia um cinema com nuances francesas.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e excepcional diversão.</p>
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		<title>Zico, o Samurai de Quintino: João Wainer faz mergulho pessoal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Assisti ao documentário&#160;Zico, o Samurai de Quintino, de João Wainer, em uma sessão no Cinemark, no Botafogo Praia Shopping, em uma manhã de segunda-feira, um dia e horário incomuns para ir ao cinema, a não ser em situações profissionais. Logo ao entrar, percebi que a sala estava mais vazia do que imaginava e do que [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Assisti ao documentário&nbsp;<em>Zico, o Samurai de Quintino</em>, de João Wainer, em uma sessão no Cinemark, no Botafogo Praia Shopping, em uma manhã de segunda-feira, um dia e horário incomuns para ir ao cinema, a não ser em situações profissionais. Logo ao entrar, percebi que a sala estava mais vazia do que imaginava e do que o peso de um personagem tão popular pedia. Pensei que haveria mais pessoas: mais críticos, influenciadores e até mesmo fãs. Mas não. Arthur Antunes Coimbra, o Zico, começou no futebol no final dos anos 60, nas categorias de base do Flamengo, e dali ganhou o mundo, tornando-se o maior ídolo da história do clube.</p>



<p class="has-text-align-center">O filme de Wainer, que tem no currículo o excelente&nbsp;<em>Bandida: A Número 1</em>, outra obra com um personagem real, mas sem o caráter documental, revisita a vida de Zico a partir de depoimentos de quem fez parte dessa trajetória. Entre as falas que se destacam, temos a da esposa Sandra; a de amigos e ex-colegas de time como Júnior e Paulo César Carpegiani; a de personalidades futebolísticas como o técnico Carlos Alberto Parreira e Ronaldo Fenômeno; além dos jornalistas Mauro Beting e Daniela Boaventura. O material de arquivo também é essencial: a família guardou recortes, fitas de VHS, Super 8, e tudo isso, muito bem amarrado, ajuda a contar a saga do craque.</p>



<p class="has-text-align-center">No momento em que&nbsp;<em>Zico, o Samurai de Quintino</em>&nbsp;entra na fase fora do Brasil, isso ganha um peso bastante interessante. A passagem pela Itália, onde até hoje Zico é ídolo da fanática torcida da Udinese, aparece como um período importante da carreira do ex-jogador e também como um ponto de inflexão do próprio filme; porém, é no Japão que a coisa realmente cresce. Dá para sentir o tamanho do impacto que ele teve lá, não só dentro de campo, mas na construção do futebol japonês como um todo.</p>



<p class="has-text-align-center">Quando Zico se transferiu para o Kashima Antlers, este ainda era um clube amador, ligado a uma indústria siderúrgica e batizado de Sumitomo Metals. A sua chegada ajudou a impulsionar um complexo processo de profissionalização. Dessa forma, fica claro, para quem não sabia, que, muito mais do que uma simples aventura internacional, a passagem do ídolo rubro-negro pela Terra do Sol Nascente teve um viés fundador, bem semelhante ao papel desempenhado por Pelé, na década de 70, nos Estados Unidos. O documentário faz questão de destacar e reforçar esse caráter desbravador.</p>



<p class="has-text-align-center">Enquanto obra cinematográfica,&nbsp;<em>Zico, o Samurai de Quintino</em>&nbsp;é, sem dúvida, um documentário competente, que prende a atenção. Como crítico de cinema e torcedor do Fluminense, senti o impacto, mesmo sendo torcedor de um clube rival. Entretanto, é inegável que o apelo maior é para os torcedores do Flamengo, pois Wainer segue uma cartilha tradicional, o que garante uma cômoda e confortável segurança narrativa. Assim, pode-se dizer, por exemplo, que falta a ousadia que abunda no trabalho anterior do diretor –&nbsp;<em>Bandida: A Número 1</em>&nbsp;–, mas não dá para negar que ele entrega o que prometeu, e isso é um grande mérito.</p>



<p class="has-text-align-center">A história de Zico e do documentário&nbsp;<em>Zico, o Samurai de Quintin</em>o começa lá atrás, nas peladas do bairro suburbano de Quintino, e percorre um caminho que nos leva do Brasil ao Japão, passando pela Itália. E, nesta estrada pavimentada por reminiscências imagéticas e saudades urdidas em depoimentos sinceros, o momento de maior sinceridade acontece quando o próprio biografado revela, após muito refletir, que, se tivesse escutado o seu coração, não teria ido à Copa de 1986, já que, na época, estava muito longe das suas melhores condições físicas. Tocou o meu coração, e eu recomendo o filme: vale a pena.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e boa diversão.</p>
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		<title>Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra mistura humor ácido em sátira sci-fi caótica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na manhã de uma quinta-feira calorenta, no Rio de Janeiro, eu fui ao cinema assistir ao novo filme do criativo cineasta Gore Verbinski, o homem por trás da franquia Piratas do Caribe, que fez muito sucesso mundo afora. Neste novo filme, intitulado Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, Gore Verbinski bebe de diversas fontes para contar uma [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Na manhã de uma quinta-feira calorenta, no Rio de Janeiro, eu fui ao cinema assistir ao novo filme do criativo cineasta Gore Verbinski, o homem por trás da franquia <em>Piratas do Caribe</em>, que fez muito sucesso mundo afora. Neste novo filme, intitulado <em>Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra</em>, Gore Verbinski bebe de diversas fontes para contar uma história ambientada em um futuro próximo, quase distópico.</p>



<p class="has-text-align-center">Um homem, um viajante do tempo sem nome, interpretado pelo ator Sam Rockwell, se materializa do nada, atravessando a porta de um daqueles restaurantes americanos clássicos, típicos de pinturas de Edward Hopper. Dentro desse bar soturno, com uma luz quase falhando, diversas pessoas jantam, cada uma imersa nos próprios pensamentos: um grupo de escoteiros com o chefe, jovens estudantes, uma mulher sozinha comendo uma torta, um casal que não se toca, como se estivesse separado por um unicórnio.</p>



<p class="has-text-align-center">Esse homem adentra o ambiente e anuncia: &#8220;Isso não é um assalto. Eu venho do futuro e venho recrutar cinco pessoas que vão me ajudar a salvar o mundo.&#8221; Óbvio que, em um primeiro momento, as pessoas duvidam, incrédulas, tiradas de suas rotinas. Elas tentam reagir, mas o homem, mal vestido, com um discurso improvável, começa a tocar nas vidas delas, falando detalhes que não poderiam ser conhecidos por alguém de fora.</p>



<p class="has-text-align-center">É aí que entendemos que aquela cena de&nbsp;<em>Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra</em>&nbsp;se repete pela milésima vez, porque, em todas as outras vezes, o plano falhou. Ele diz que precisa combater uma inteligência artificial que está, aos poucos, robotizando a sociedade. A cena de adolescentes hipnotizados pelo celular é um símbolo disso. No fim, ele consegue recrutar, com muito custo, cinco voluntários, e a polícia chega, cercando o local. Ele diz a eles que devem ir até a casa de um menino de nove anos, que está, naquele exato instante, criando a tal inteligência artificial.</p>



<p class="has-text-align-center">A partir daí, as referências se multiplicam em&nbsp;<em>Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra</em>. Há ecos de Edgar Wright, na&nbsp;<em>Trilogia Cornetto</em>, de filmes de zumbis e de&nbsp;<em>O Exterminador do Futuro</em>, com Ingrid, a personagem de Haley Lu Richardson, evocando Sarah Connor. Verbinski, assim, cria uma ficção científica futurista que, no entanto, dialoga com o presente. O filme não promete um final feliz, como em&nbsp;<em>Feitiço do Tempo</em>, mas se apropria dessa repetição para expor uma crítica aguda à nossa sociedade: uma sociedade que perdeu o diálogo, que se prendeu aos dispositivos e se tornou escrava da tela.</p>



<p class="has-text-align-center">Com um elenco competente, liderado por Sam Rockwell e Haley Lu Richardson, e que conta ainda com Juno Temple, Michael Peña e Zazie Beetz, o filme é uma montanha-russa emocional, uma crítica atual e, ao mesmo tempo, um convite à reflexão. Eu recomendo fortemente&nbsp;<em>Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra</em>. As pessoas não vão precisar de tanta sorte assim ao escolher ver esse filme. Vão se divertir e, sinceramente, ninguém vai morrer por causa dele, mesmo que não gostem tanto quanto este crítico.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e excelente diversão.</p>



<p></p>
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		<title>Treze Dias, Treze Noites oferece tensão constante em filme baseado em fatos reais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Treze Dias, Treze Noites&#160;é um filme franco-belga dirigido por Martin Bourboulon que reconta, baseada em fatos reais, a evacuação da embaixada francesa em Cabul entre 15 e 28 de agosto de 2021, logo depois dos Estados Unidos entregarem o Afeganistão ao novo governo talibã recém-eleito, após anos de ocupação estrangeira. No centro das ações, está [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center"><em>Treze Dias, Treze Noites</em>&nbsp;é um filme franco-belga dirigido por Martin Bourboulon que reconta, baseada em fatos reais, a evacuação da embaixada francesa em Cabul entre 15 e 28 de agosto de 2021, logo depois dos Estados Unidos entregarem o Afeganistão ao novo governo talibã recém-eleito, após anos de ocupação estrangeira. No centro das ações, está o comandante Mohammed Bida, vivido pelo ator Roschdy Zem, um auxiliar militar do embaixador francês.</p>



<p class="has-text-align-center">Tendo que lidar com uma multidão na porta da embaixada, um punhado de cidadãos franceses morando em Cabul e afegãos desesperados por refúgio, Bida decide arriscar tudo. Logo no início de&nbsp;<em>Treze Dias, Treze Noites</em>, ele organiza o resgate de um amigo, um oficial do serviço secreto afegão, que está escondido dentro de um restaurante. Paralelamente, o militar abre os portões para que a multidão entre, enquanto tensas negociações junto aos talibãs são realizadas com o intuito de evacuar totalmente o local.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Treze Dias, Treze Noites</em>&nbsp;mantém uma tensão enervante do começo ao fim, durante quase duas horas, com a maior parte das cenas dentro da embaixada. Lá, o clima aperta nas conversas para esvaziar o lugar e levar todo mundo para o aeroporto. Aí entra Eva, interpretada pela atriz Lyna Khoudri, funcionária de uma ONG, afegã com nacionalidade francesa, que conhece os dois lados e vira intérprete para Bida — mesmo receosa, porque suas atitudes &#8220;ocidentais&#8221; batem de frente com o que os talibãs esperam de mulheres.</p>



<p class="has-text-align-center">O longa-metragem de Bourboulon tem ainda outro personagem importante: a jornalista Kate, interpretada pela atriz dinamarquesa Sidse Babette Knudsen, que luta para salvar um grupo de artistas afegãos que também estavam na tal multidão. Apesar da recusa inicial de Bida, a sua argumentação de que eles seriam os primeiros caçados pelo novo regime acaba dando certo. Essas duas mulheres, coadjuvantes fortes, valentes e independentes, levam a gente a ficar com medo do que pode acontecer com elas pelo que representam.</p>



<p class="has-text-align-center">No último terço de&nbsp;<em>Treze Dias, Treze Noites</em>, depois de negociar ônibus e vans, a comitiva sai em carreata rumo ao aeroporto. Apesar das promessas talibãs de não atrapalhar, os percalços vêm, e o suspense não arreda o pé. Só é possível respirar quando o grupo chega, enfim, ao seu destino final, mas mesmo aí o filme guarda uma surpresa chocante. É um respiro curto, porque os créditos ainda jogam na cara: essa foi a maior evacuação francesa da história, e, apesar das promessas do Talibã sobre direitos das mulheres, as restrições até hoje só aumentam.</p>



<p class="has-text-align-center">O ponto forte de&nbsp;<em>Treze Dias, Treze Noites</em>&nbsp;é exatamente essa tensão constante, o ar rarefeito que não deixa ninguém relaxar. As cenas dentro da embaixada e o trajeto final funcionam bem para mostrar o caos real, sem exageros. E o foco nas mulheres — Eva e Kate — dá um peso ainda maior: uma humanitária secular com raízes afegãs e uma repórter que roda o mundo. As duas incomodam o governo teológico simplesmente por existirem. No fundo, o filme não é só sobre evacuar gente; é sobre como, às vezes, tudo muda para permanecer como antes.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e boa diversão.</p>
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		<title>Narciso, de Jefferson De, faz releitura do mito grego</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Narciso, de Jefferson De, é um daqueles filmes que pegam você de surpresa. A história começa colorida, viva, quase barulhenta: um garoto (Arthur Ferreira), preto, humilde, rejeitado por uma família adotiva, volta para o lar temporário de Carmen (Ju Colombo) — uma mulher que não é mãe, mas cuida como se fosse. Lá, estão Joaquim [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center"><em>Narciso</em>, de Jefferson De, é um daqueles filmes que pegam você de surpresa. A história começa colorida, viva, quase barulhenta: um garoto (Arthur Ferreira), preto, humilde, rejeitado por uma família adotiva, volta para o lar temporário de Carmen (Ju Colombo) — uma mulher que não é mãe, mas cuida como se fosse. Lá, estão Joaquim (Bukassa Kabengele) e Alexandre (Faiska Alves); todos o tratam bem, mas Narciso chega fechado, triste, como se o mundo tivesse que provar algo.</p>



<p class="has-text-align-center">Carmen tenta ensinar valores — nada de presente fácil ou de aceitar o que não vem de verdade —, e o dia a dia é duro, mas cheio de gente. Até que aparece uma caixa velha de brinquedos com uma bola de basquete murcha dentro. Alexandre a enche no borracheiro e diz: &#8220;É mágica, quique três vezes e faça um pedido&#8221;. Narciso ri, acha bobagem, lembra que não é mais uma criança e guarda a bola. Até que, em uma noite qualquer, após um cochilo na frente da TV, ela começa a quicar sozinha, e surge o gênio (Seu Jorge), oferecendo um único desejo. E aí começa quase um novo filme.</p>



<p class="has-text-align-center">O protagonista pede uma família rica. E, em um momento de dúvida, indaga: &#8220;Posso ser rico e preto?&#8221;. O gênio diz que sim, mas Narciso questiona, reflete e chega à conclusão de que, normalmente, os pretos são pobres e os brancos são ricos. Dessa forma, pede para ser branco, mas quer que os amigos ainda o vejam preto. O gênio avisa: &#8220;Quando estiver com a família, você será visto como um menino branco; com os amigos, um menino preto. Mas não olhe no espelho, senão tudo acaba&#8221;. E essa é a sacada genial do longa-metragem&nbsp;<em>Narciso</em>.</p>



<p class="has-text-align-center">O desejo vira uma armadilha, porque identidade não se divide assim. E, como em um passe de mágica,&nbsp;<em>Narciso</em>&nbsp;se transforma: o filme colorido vira uma película em preto e branco. Na cena seguinte, o menino acorda em uma mansão, com os pais que viu em um comercial de plano de saúde — Marcelo Serrado e Fernanda Nobre —, um pouco antes de adormecer. Tudo parece perfeito: governanta, motorista. Só que ele está preso. Não sai sozinho, não corre, não brinca. Sem a liberdade que tinha antes, ele pensa: &#8220;Ser rico é isso?&#8221;.</p>



<p class="has-text-align-center">A fotografia em preto e branco, assinada pela diretora Lílis Soares, é o grande trunfo de <em>Narciso</em>. Seu uso não se dá somente por uma questão estética, ela, certamente, representa o desejo do protagonista, que queria riqueza, mas não acreditava que poderia ser preto e rico ao mesmo tempo. Então a magia acontece, mas não é ele. O filme vira um espelho quebrado quando Narciso foge, se mete em confusão e vê o reflexo em um caco de vidro. Pronto: o desejo é desfeito. E, ao voltar para o lar de Carmen, ele percebe o quanto certas coisas faziam falta. O filme não diz que a pobreza é melhor do que a riqueza, mas afirma que felicidade não se compra nem se troca por cor.</p>



<p class="has-text-align-center">A releitura do mito grego é criativa. No original, após recusar o amor de uma ninfa, um amaldiçoado Narciso se apaixona pelo próprio reflexo. Já em&nbsp;<em>Narciso</em>, o filme, Jefferson De inverte: o garoto não se apaixona por si — ele se rejeita. Quer ser outro menino, viver outra vida. O reflexo, neste caso, faz com que ele volte à sua realidade, e só após essa experiência é que percebe que tudo o que queria era ser amado.</p>



<p class="has-text-align-center">O cineasta Jefferson De tem, em sua filmografia, outros longas-metragens muito bons, como, por exemplo, <em>Bróder</em> (2011), <em>M8 &#8211; Quando a Morte Socorre a Vida</em> (2019) e <em>Doutor Gama</em> (2021). Contudo, é neste misto de drama social e fantasia que o realizador brasileiro alcança o seu ápice criativo.  </p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e ótima&nbsp; diversão.</strong></p>
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		<title>A Noiva!: Maggie Gyllenhaal faz releitura de a noiva de Frankenstein</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 21:21:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Noiva!]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Noiva!, dirigido e escrito por Maggie Gyllenhaal, parte de uma premissa conhecida: a mulher que, após ser morta, é reanimada por uma cientista para se tornar a companheira do Frankenstein. Mas não se engane — o filme não cabe em rótulo algum. É terror, claro — como não seria, vindo do romance de Mary [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center"><em>A Noiva!</em>, dirigido e escrito por Maggie Gyllenhaal, parte de uma premissa conhecida: a mulher que, após ser morta, é reanimada por uma cientista para se tornar a companheira do Frankenstein. Mas não se engane — o filme não cabe em rótulo algum. É terror, claro — como não seria, vindo do romance de Mary Shelley? —, mas também é filme de gangster, tributo à Hollywood dos anos 30, vaudeville, boemia e feminismo escancarado. E nada soa excessivo. O que impressiona é como Gyllenhaal costura essas camadas sem que apareça a linha — ao contrário do monstro.</p>



<p class="has-text-align-center">O Frankenstein de Christian Bale é fã declarado de Ronnie Reed — personagem de Jake Gyllenhaal que parece saído de um filme de James Cagney — e foge de cidade em cidade com a Noiva, vivida por Jessie Buckley. Em cada parada, cinemas. Em cada cinema, os mesmos filmes de seu ídolo. O roteiro de <em>A Noiva!</em> respira aquela Era: <em>Anjos de Cara Suja</em>, <em>Heróis Esquecidos</em>, rajadas de metralhadora que evocam <em>Bonnie e Clyde</em>, tudo com o ritmo e a malícia do vaudeville. Estamos na década de 30, na Chicago da Lei Seca, na Nova York dos neons. E, ainda assim, nada soa como colcha de retalhos.</p>



<p class="has-text-align-center">A fotografia de Lawrence Sher é o que faz&nbsp;<em>A Noiva!</em>&nbsp;cintilar. As cenas noturnas são menos escuridão e mais espetáculo: como se a Times Square inteira fosse palco da Broadway. A luz dos cabarés rasga o breu, o contraste entre glamour e crime vibra. Becos sombrios, letreiros luminosos, poeira dançando na projeção de filmes antigos — é um convite para não piscar. Sher não ilumina apenas; ele constrói atmosfera. E Gyllenhaal sabe exatamente quando tensionar e quando liberar o fôlego.</p>



<p class="has-text-align-center">Com esse pano de fundo, cabe a Jessie Buckley dominar o filme. Depois da indicação ao Oscar por <em>Hamnet</em>, onde pode ser vista em um papel mais contido, agora ela assumi um papel que é pura explosão. Na primeira cena, ao provocar o capo mafioso Vito Lupino, já incendeia a tela: é holofote de 1000 W. Reanimada, torna-se ainda maior — uma mulher que não pede licença para existir. A mancha preta ao lado da boca, marca da reanimação, vira símbolo. Mulheres passam a reproduzi-la como quem reivindica território. O feminismo aqui não discursa; age. Ela não é vítima. É ícone. E Buckley sustenta isso com uma energia inédita na própria carreira. Para mim, supera Hamnet. É seu melhor trabalho.</p>



<p class="has-text-align-center">No núcleo policial, Peter Sarsgaard cumpre bem o papel do detetive Jake Wiles, mas quem realmente cresce é Penélope Cruz, como a afiada Myrna Mallow. O que começa como secretária logo se revela mente investigativa mais ágil que a do chefe. Ela percebe antes, entende antes, age antes. No desfecho, é dela o movimento final. <em>A Noiva!</em> não anuncia a força feminina, demonstra.</p>



<p class="has-text-align-center">Com 2h06, o filme passa sem arrastar. Não há gordura. E ainda há um gesto metalinguístico elegante: logo no início, Jessie Buckley surge como Mary Shelley — já morta — afirmando que a história que queria contar era outra. A referência ao longa de 1935 é clara, mas aqui ganha novo peso. É como se o fantasma da autora decidisse reescrever o próprio mito.</p>



<p class="has-text-align-center">Por fim, <em>A Noiva!</em> é menos sobre monstros e mais sobre mulheres que se recusam a se calar — e sobre quem tenta silenciá-las com balas, grades ou rótulos. Maggie Gyllenhaal não entrega um remake; entrega uma tomada de posição. E Jessie Buckley, com sua voz rouca e olhar cortante, é o coração que pulsa no centro desse espetáculo febril.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e excepcional diversão.</strong></p>
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		<title>Mother&#8217;s Baby: Johanna Moder constrói um suspense angustiante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mother&#8217;s Baby, da diretora Johanna Moder, chega como um soco quieto: a tela escura, o silêncio que pesa e, de repente, a gente já está dentro da cabeça de Julia (Marie Leuenberger), uma maestrina de sucesso que, junto com o marido Georg (Hans Löw), tenta engravidar. Não é terror, não é drama comum, é algo [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center"><em>Mother&#8217;s Baby</em>, da diretora Johanna Moder, chega como um soco quieto: a tela escura, o silêncio que pesa e, de repente, a gente já está dentro da cabeça de Julia (Marie Leuenberger), uma maestrina de sucesso que, junto com o marido Georg (Hans Löw), tenta engravidar. Não é terror, não é drama comum, é algo que te faz prender o fôlego sem saber por quê. Desde o início, fica claro que não será fácil: o ritmo lento, as luzes frias, tudo parece dizer &#8220;aguenta aí&#8221;. E, com a ajuda do médico Vilfort (Claes Bang), eles conseguem. </p>



<p class="has-text-align-center">Com o passar do tempo, Julia começa a sentir uma estranha inquietação. Ela não reconhece o filho, será que aquele bebê é realmente dela? E aí reside a força de <em>Mother&#8217;s Baby</em>: na ambiguidade. A gente duvida o tempo todo. Estamos diante de uma depressão pós-parto? Ou há algo de errado com a criança? A direção e o roteiro evitam o didatismo, e isso é ótimo. Os closes no rosto da protagonista, a quase ausência do choro infantil, o jeito como o marido parece distante&#8230; tudo isso constrói um suspense angustiante. É como se o filme respirasse com ela.</p>



<p class="has-text-align-center">Mas aí surge o problema: <em>Mother&#8217;s Baby</em> não oferece uma saída. O desfecho é abrupto, quase cruel, não encerra, não consola, não provoca raiva nem alívio. E isso dói. A paciência que o filme exige não se refere apenas ao tempo de tela, afinal, não é muito longo (1h48), mas a suportar o vazio que surge depois. E, se isso não bastasse, a fotografia sorumbática, o rigor do inverno europeu, a neve e o céu cinza-chumbo que tomam conta da cena intensificam essa dor e a crueza do instante final.</p>



<p class="has-text-align-center">Lá pelas tantas, <em>Mother&#8217;s Baby</em> flerta com a ficção científica sem jamais assumir: e se o problema não for apenas mental? E se a fertilização, o corpo, o filho&#8230; tiverem se transformado em outra coisa? Essa é uma das perguntas que o desfecho abrupto não responde. Nesse ínterim, o acréscimo de axolotes — anfíbios também conhecidos como salamandra-mexicana e de laboratórios secretos na trama fazem você cogitar uma súbita mudança de gênero, deixando o espectador refletindo por dias.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mother&#8217;s Baby</em> é um filme que não te abraça,  ele te deixa sozinho com as perguntas. E, de um jeito torto, é isso que o faz permanecer na memória. Se você suportar o silêncio, sairá transformado. Recomendo só para quem tiver estômago para a dor sem resolução. Para quem passou por depressão pós-parto, ou está próximo de alguém que esteja passando, pode ser forte demais.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e boa diversão.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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		<title>Pânico 7 espelha a dinâmica do original, com elenco afiado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[franquia]]></category>
		<category><![CDATA[Ghostface]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pânico 7 chega com uma grande promessa: Kevin Williamson, o verdadeiro criador da franquia, finalmente dirigindo e assinando o roteiro. Depois de anos atribuindo tudo a Wes Craven (que foi um gênio), um dos cineastas mais importantes da seara do terror, mas não o autor desta franquia, ver Kevin na cadeira de diretor era uma luz [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center"><em>Pânico 7</em> chega com uma grande promessa: Kevin Williamson, o verdadeiro criador da franquia, finalmente dirigindo e assinando o roteiro. Depois de anos atribuindo tudo a Wes Craven (que foi um gênio), um dos cineastas mais importantes da seara do terror, mas não o autor desta franquia, ver Kevin na cadeira de diretor era uma luz no fim do túnel. E, olha, o começo entrega bonito.</p>



<p class="has-text-align-center">Sidney Prescott (Neve Campbell) agora é Sidney Evans, casada com o xerife Mark (Joel McHale), morando em uma cidade nova, com uma filha chamada Tatum (Isabel May) — sim, o mesmo nome da amiga morta, vivida por Rose McGowan, no primeiro filme. Aliás, essa escolha, certamente, já acende uma faísca: espelha a dinâmica do original, com a garota, os amigos, o namorado, o teatro na escola. Até aí, tudo bem: o clima de <em>Pânico 7</em> se constrói direitinho.</p>



<p class="has-text-align-center">A abertura é puro <em>Pânico</em>! Um casal chega à casa antiga dos assassinatos, que se tornou um museu bizarro que cultua a história de Sidney e a franquia Facada, isso é metalinguagem na veia! Logo Ghostface aparece, com muita tensão, sangue falso jorrando, exatamente como o gênero pede. Corta para o dia a dia em Pine Grove, e a morte alcança a protagonista de novo. Ela precisa proteger a família, principalmente a filha. As mortes vão acontecendo, sanguinolentas, exageradas, irrealistas, mas é isso que a gente espera de um slasher. O filme até manda bem no ritmo e na direção. Williamson dirige com mão firme, sem precisar ser Craven.</p>



<p class="has-text-align-center">Porém, o problema de <em>Pânico 7</em> surge quando o mistério se resolve. A jornalista Gale Weathers (Courteney Cox) de volta e entra na jogada ao ajudar Sidney, tudo seguindo como o clássico da franquia. Mas aí o coelho sai da cartola: o assassino (ou os assassinos — veja para descobrir) é revelado, e a motivação&#8230; ah, a motivação. Dá para entender o que o filme quer dizer, o público até saca, mas não faz sentido. Infelizmente, não sustenta a história, que é fraca e forçada. Depois de tanto cuidado no começo, o final deixa um gosto amargo, como se o roteiro tivesse amarrado tudo só por amarrar, onde carne e sangue desprovidos de alma.</p>



<p class="has-text-align-center">Não dá para dizer que <em>Pânico 7</em> é ruim, longe disso. O roteiro é sólido, a direção é segura, as referências funcionam. Mas falta aquela faísca que fazia a franquia, principalmente o primeiro filme brilhar. Falta aquela ironia afiada, aquele medo que não era só sangue. Williamson faz o que se espera, dirige bem, mas não revitaliza a série que, nos anos 90, revitalizou o <em>slasher</em> (aqui, sim, há ironia). Assim, no fim, o filme não é uma bagunça; é só&#8230; decepcionante.</p>



<p class="has-text-align-center"> Vá ao cinema com os dois pés no chão, sem esperar milagre. Se você ama a franquia, vai gostar de ver Campbell novamente como Sidney, não à toa ela foi apontada como a nova rainha do grito, sucedendo Jamie Lee Curtis, além disso, o novo filme da franquia traz Tatum amadurecendo e Gale voltando. <em>Pânico 7</em> é mais nostalgia do que susto.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e boa diversão.</p>
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		<title>Sirât: Olivier Laxe apresenta road movie  claustrofóbico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Olivier Laxe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sirât, do cineasta espanhol Olivier Laxe, começa no meio de um deserto, em uma rave que parece saída de outro mundo com luzes piscando, música pulsando, corpos suados, tudo sob um sol de rachar. Luís e Esteban, pai e filho, serpenteiam entre a multidão distribuindo fotos da filha e irmã desaparecida há seis meses. A [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center"><em>Sirât</em>, do cineasta espanhol Olivier Laxe, começa no meio de um deserto, em uma rave que parece saída de outro mundo com luzes piscando, música pulsando, corpos suados, tudo sob um sol de rachar. Luís e Esteban, pai e filho, serpenteiam entre a multidão distribuindo fotos da filha e irmã desaparecida há seis meses. A angústia já está lá, quieta, mas afiada, como um fio esticado. Quando o exército irrompe e tudo vira caos, o filme vira estrada: eles seguem cinco amigos franceses — Bigui, Steph, Josh, Tonin e Jade — rumo à próxima festa, em uma jornada que mistura busca desesperada com um pós-apocalipse fashion.</p>



<p class="has-text-align-center">O que, certamente, impressiona é como Laxe transforma o que seria apenas um <em>road movie</em> igual a tantos outros em algo quase claustrofóbico. A câmera não larga os carros, o calor, o suor e o barulho. É <em>Mad Max</em> sem explosões, mas com a mesma sensação de mundo em colapso: figurinos rasgados, maquiagem borrada, olhares vazios. Aliás, a tensão não vem da ação; vem do vazio. A cada nova curva, a esperança morre mais um pouquinho, devagar. O pai, vivido por Sergi López, carrega o peso no rosto; o filho, interpretado por Bruno Nuñez, parece sempre a um passo de quebrar.</p>



<p class="has-text-align-center">Tecnicamente,&nbsp;<em>Sirât</em>&nbsp;é um soco no estômago desferido com toda a força por Immortan Joe. A fotografia captura o deserto de forma vívida e deveria ter sido indicada ao Oscar, mas não foi. Já o som foi indicado, e sua nomeação soa como justiça. Sob a batuta de Laia Casanovas e de uma equipe quase inteiramente feminina, o som é o verdadeiro protagonista — um personagem que respira, grita e engole a conversa. Os graves da rave e os ruídos da imensidão desértica batem no peito. O vento corta a fala, e o silêncio depois do caos dói. Se algum Oscar devesse ser&nbsp;<em>hors concours</em>, seria esse.</p>



<p class="has-text-align-center">Mas o que segura o espectador em <em>Sirât</em> é o aspecto emocional. Não é só uma busca, é o que acontece quando o amor vira obsessão, quando pai e filho se perdem tentando encontrar a menina. Sentimos a exaustão, a culpa e o medo de que ela já não exista mais. São 115 minutos que não deixam respirar, mas também não deixam desistir.</p>



<p class="has-text-align-center">Por último, ignorem toda e qualquer birra alimentada por declarações irresponsáveis — Olivier Laxe pode ter falado besteira sobre&nbsp;<em>O Agente Secreto</em>&nbsp;e os brasileiros, mas isso verdadeiramente não importa.&nbsp;<em>Sirât</em>, representante da Espanha indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional, não precisa de militância para brilhar. É um dos melhores filmes de 2025, ponto. Vá assistir: entre sem saber nada, saia com o peito apertado — e, quem sabe, um pouco mais vivo.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e excepcional diversão.</strong></p>
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		<item>
		<title>(Des)controle: Rosane Svartman e Carol Minêm abordam o alcoolismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2026 14:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[(Des)controle]]></category>
		<category><![CDATA[Carolina Dieckmmann]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O filme (Des)controle, dirigido pelas cineastas Rosane Svartman e Carol Minêm, abre com uma imagem forte: Carolina Dieckmann, dormindo num chafariz no Rio de Janeiro, acordada por um guarda municipal. Seis meses antes, Kátia Klein, sua personagem, era só sucesso — escritora de livros infanto-juvenis, mãe, esposa amorosa, vida perfeita. Mas a gente sente logo que [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">O filme <em>(Des)controle</em>, dirigido pelas cineastas Rosane Svartman e Carol Minêm, abre com uma imagem forte: Carolina Dieckmann, dormindo num chafariz no Rio de Janeiro, acordada por um guarda municipal. Seis meses antes, Kátia Klein, sua personagem, era só sucesso — escritora de livros infanto-juvenis, mãe, esposa amorosa, vida perfeita. Mas a gente sente logo que aquilo estava tudo ralo. A pressão para entregar o novo livro, a crise com o marido Zeca (Caco Ciocler), a voz na cabeça que sussurra &#8220;só um gole&#8221;&#8230; aí, ela que não bebia há 15 anos, recai feio. O tom é leve, tem graça, mas dá um aperto no peito.</p>



<p class="has-text-align-center">Aí surge aquela outra Kátia no espelho — não é fantasma, é ela mesma, só que pior. Em&nbsp;<em>(Des)controle</em>, Carolina faz duas vozes numa só: uma que implora, outra que tenta se segurar. Duas personagens distintas que só reforçam a ótima atuação da atriz. Eu ri em várias cenas, como quando a Léo (Julia Rabello), agente literária e amiga de infância, tenta arrumar a bagunça antes que a editora se canse de tudo aquilo. Mas ri e engoli seco, porque é engraçado, sim, porém real demais. O filme joga isso na cara sem ser panfletário.</p>



<p class="has-text-align-center">O roteiro, assinado por Iafa Britz e Felipe Sholl, costura casamento em ruínas, filhos assustados e carreira em risco. Já a trupe de atores conta com Daniel Filho como Levi, o pai divertido, Irene Ravache como Esther, a mãe protetora, ambos em grande forma cênica, assim como o elenco inteiro. </p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, Rosane e Carol dirigem sem exagerar: o drama não vira novela, a piada não vira stand-up. Fica na medida, sabe? Parece que a gente está espiando a janela da Kátia, não assistindo a um filme.</p>



<p class="has-text-align-center">E no fim de tudo&#8230; não vou estragar. Mas aquela última imagem? Dividiu a crítica e, ainda assim, funciona. É como se a Kátia botasse o demônio para fora de vez, mas não de graça. Quem viu, sabe. Quem não viu, corre para ver. Porque&nbsp;<em>(Des)controle</em>&nbsp;não é só para rir e chorar — é para encarar que, às vezes, o chafariz é o fundo do poço, e subir dali exige mais do que força: exige espelho.</p>



<p class="has-text-align-center">Resumindo: se você quer uma comédia que não seja só zoeira e quer ver Carolina Dieckmann num papel que dói e cura (de novo), porque este ano ela também está voando em <em>Pequenas Criaturas</em> —, <em>(Des)controle</em> é o filme certo. Recomendo sem medo. E, olha, quase todo mundo conhece ou já ouviu falar de alguém como os personagens dessa história&#8230; vai que vira assunto de mesa de bar, só que sem bebida, claro.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e excelente diversão.</p>



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