<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Bruno Giacobbo, Autor em Rota Cult</title>
	<atom:link href="https://rotacult.com.br/author/bruno-giacobbo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://rotacult.com.br/author/bruno-giacobbo/</link>
	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
	<lastBuildDate>Tue, 20 Oct 2026 16:55:54 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.10</generator>

<image>
	<url>https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2018/01/cropped-Favicon_3-32x32.png</url>
	<title>Bruno Giacobbo, Autor em Rota Cult</title>
	<link>https://rotacult.com.br/author/bruno-giacobbo/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Mestre Zu: Zelito Viana faz tributo à Zuenir Ventura</title>
		<link>https://rotacult.com.br/2026/10/mestre-zu-zelito-viana-faz-tributo-a-zuenir-ventura/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=mestre-zu-zelito-viana-faz-tributo-a-zuenir-ventura</link>
					<comments>https://rotacult.com.br/2026/10/mestre-zu-zelito-viana-faz-tributo-a-zuenir-ventura/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://rotacult.com.br/?p=205216</guid>

					<description><![CDATA[<p>Eu decidi cursar a faculdade de Jornalismo, entre outros motivos, porque gostava de esportes e queria ser repórter esportivo, mas também muito em função do glamour que permeava essa profissão. Hoje, com um curso a cada esquina e em plena era das fake news, o Jornalismo já não é mais o mesmo. No entanto, Zuenir [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/10/mestre-zu-zelito-viana-faz-tributo-a-zuenir-ventura/">Mestre Zu: Zelito Viana faz tributo à Zuenir Ventura</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Eu decidi cursar a faculdade de Jornalismo, entre outros motivos, porque gostava de esportes e queria ser repórter esportivo, mas também muito em função do glamour que permeava essa profissão. Hoje, com um curso a cada esquina e em plena era das fake news, o Jornalismo já não é mais o mesmo. No entanto, Zuenir Ventura, um dos maiores nomes da história da imprensa brasileira, é de uma época muito diferente da minha, naturalmente, em que a profissão tinha essa aura a que me referi. Uma época, inclusive, em que não havia necessidade de faculdade. Ele próprio estudou Letras e acabou caindo no Jornalismo ao ir trabalhar no arquivo da&nbsp;<em>Tribuna da Imprensa</em>. Lá, teve a chance de escrever uma pequena reportagem sobre seu ídolo, Albert Camus, e chamou a atenção de Carlos Lacerda, proprietário do veículo, que foi seu primeiro professor, como revela o próprio Zuenir no documentário&nbsp;<em>Mestre Zu</em>, do cineasta Zelito Viana.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mestre Zu</em>&nbsp;conta com depoimentos valiosos de jornalistas como, por exemplo, Miriam Leitão, Ancelmo Gois, Gerson Camarotti, Nelson Motta, Joaquim Ferreira dos Santos e Arthur Dapieve. Há também os relatos de familiares, como a irmã Zenir e os filhos Mauro e Elisa Ventura, além de outras personalidades, como a juíza Andrea Pacha, DJ Marlboro e o publicitário Lula Vieira. Nesse ínterim, duas histórias que marcaram a carreira de Zuenir mostram os dilemas pelos quais os jornalistas passam: o suicídio do médico e escritor Pedro Nava, que atentou contra a própria vida porque estava sendo chantageado por um garoto de programa, e a morte do cineasta Leon Hirszman, vitimado pela AIDS. Essas duas situações não eram de domínio público, e o dilema era decidir se, como jornalista, ele deveria revelá-las. A primeira história ele não publicou; a segunda, sim. O resultado foi que a viúva de Leon ficou sentida com ele.</p>



<p class="has-text-align-center">Zuenir Ventura nasceu em Além Paraíba, Minas Gerais, em 1º de junho de 1931. Estudou primeiro em Ponte Nova e, depois, em Nova Friburgo, já no estado do Rio de Janeiro. Adulto e trabalhando na&nbsp;<em>Tribuna da Imprensa</em>, foi para Paris graças a uma bolsa para jornalistas concedida pelo governo francês e estava justamente na cidade quando, após a renúncia de Jânio Quadros, João Goulart chegou, vindo da China. Zuenir acabou servindo de intérprete para o futuro presidente do Brasil. Posteriormente, em 1968, foi preso por três meses, dividindo a cela com o psicanalista Hélio Pellegrino e o cartunista Ziraldo. Para a filha, Elisa, dizia que estava bem, que estava feliz e que jogava basquete nas horas vagas. Ou seja, contou uma história que, de alguma forma, lembra a de&nbsp;<em>A Vida é Bela</em>&nbsp;(1997). Só que isso acabou traumatizando a menina, que começou a achar que o pai não voltava para casa porque estava feliz longe deles.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mestre Zu</em>&nbsp;revela que, já veterano e considerado um decano da profissão, com toda uma carreira construída principalmente na seara do jornalismo cultural, Zuenir acabou indo ao Acre para escrever sobre o seringueiro e ambientalista Chico Mendes. Depois da morte deste, escreveu uma série de reportagens que lhe rendeu o Prêmio Esso. Por causa dessas reportagens, criou um vínculo com Genésio, o menino de 13 anos que depôs contra os assassinos de Chico Mendes, e acabou se tornando seu tutor legal. Durante 40 anos, Zuenir disse a seus alunos que um repórter não deve se misturar com a notícia. Contudo, acabou levando para dentro de casa a notícia.</p>



<p class="has-text-align-center">Zuenir Ventura foi um jornalista literato, ou seja, alguém que transitava com igual facilidade entre o Jornalismo e a Literatura. Não à toa, tornou-se um imortal ao ser eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Todavia, dois de seus livros talvez se destaquem mais do que os outros por serem mais populares e conhecidos pelo público em geral:&nbsp;<em>1968: O Ano que Não Terminou</em>e&nbsp;<em>Cidade Partida</em>. Ao entrar para a ABL, ele foi recebido pela escritora Cleonice Berardinelli, que havia sido sua professora na faculdade, com um discurso engraçado e mordaz, que brincava com uma das situações mais corriqueiras da vida de Zuenir: a excentricidade de seu nome. Não foi uma, nem duas, mas muitas as vezes em que ele foi confundido com uma mulher, como revela um de seus amigos no início do documentário.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mestre Zu</em>&nbsp;é muito mais do que um documentário que se utiliza da técnica tradicional de entrevistas e imagens de arquivo para contar a história de seu biografado. É um exercício de não deixar a memória, em um país tão desmemoriado, morrer. E é também uma aula magna de Jornalismo pelo preço de um ingresso de cinema, além de um tributo a um personagem tão importante que, no último dia 22 de&nbsp; setembro, nos deixou. Eu recomendo.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e ótima diversão.</strong></p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/10/mestre-zu-zelito-viana-faz-tributo-a-zuenir-ventura/">Mestre Zu: Zelito Viana faz tributo à Zuenir Ventura</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://rotacult.com.br/2026/10/mestre-zu-zelito-viana-faz-tributo-a-zuenir-ventura/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title> Zona Zero mistura ação, terror e ficção científica</title>
		<link>https://rotacult.com.br/2026/10/zona-zero-mistura-acao-terror-e-ficcao-cientifica/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=zona-zero-mistura-acao-terror-e-ficcao-cientifica</link>
					<comments>https://rotacult.com.br/2026/10/zona-zero-mistura-acao-terror-e-ficcao-cientifica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://rotacult.com.br/?p=204909</guid>

					<description><![CDATA[<p>Outro dia, eu tive um sonho. Sonhei que estava sentado em uma sala de cinema e, lá pelas tantas, o filme era interrompido. Não é que ele parasse de ser projetado na tela. Ele continuava sendo projetado, mas parava. As portas se abriam, pessoas entravam, se arrastando, correndo de forma claudicante, e eu demorava a [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/10/zona-zero-mistura-acao-terror-e-ficcao-cientifica/"> Zona Zero mistura ação, terror e ficção científica</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Outro dia, eu tive um sonho. Sonhei que estava sentado em uma sala de cinema e, lá pelas tantas, o filme era interrompido. Não é que ele parasse de ser projetado na tela. Ele continuava sendo projetado, mas parava. As portas se abriam, pessoas entravam, se arrastando, correndo de forma claudicante, e eu demorava a entender que, na verdade, eram zumbis. Claro que era um sonho. Ainda bem que acordei um pouco antes de ser devorado por um deles. A particularidade desse sonho é que ele aconteceu logo depois de eu ter assistido a&nbsp;<em>Zona Zero</em>, novo longa-metragem sul-coreano de terror, dirigido por Yeon Sang-ho. Uma curiosidade em relação ao filme é que o diretor é o mesmo realizador de&nbsp;<em>Invasão Zumbi</em>&nbsp;(2016), que também fala sobre, como diz o título, zumbis.</p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, esse é um subgênero do terror muito cultuado. O principal expoente dele, historicamente falando, é George Romero, cineasta norte-americano que fez dezenas de filmes, alguns muito bons, outros nem tanto. O &#8220;nem tanto&#8221; é porque, quando uma coisa no cinema é exaustivamente explorada, como acontece com determinados gêneros, chega uma hora em que a impressão que a gente tem é que está vendo mais do mesmo, e as coisas começam a se repetir. E qual é a graça de ver mais do mesmo? Para isso, eu pego um clássico, um filme antigo de que adoro e revejo trocentas vezes. Faço isso, por exemplo, na seara do terror, com <em>O Sexto Sentido </em>(1999). Dez anos atrás, <em>Invasão Zumbi</em> me causou grande impacto. Lembro que coloquei o filme na minha lista dos dez melhores do ano. E aí me deparo com <em>Zona Zero</em>. A mesma pegada, a mesma vibração, a mesma energia, a mesma coisa tão elétrica, tão estimulante, tão tensa que me fez sonhar que estava dentro de um filme de zumbis, prestes a ser devorado por um. Mas há uma diferença que torna esta obra ainda melhor do que a anterior: a história.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Invasão Zumbi</em>&nbsp;acontece basicamente dentro de um trem que está indo para a cidade de Busan, e toda a ação se desenvolve ali.&nbsp;<em>Zona Zero&nbsp;</em>acontece dentro de um prédio, sede de uma indústria de biotecnologia, durante uma conferência da área. Lá pelas tantas, um personagem injeta um vírus no CEO — o presidente da empresa —, que se transforma em zumbi. A partir dele, outras pessoas serão atacadas e também se transformarão. &#8220;Ah, Bruno, qual é a diferença? O que tem de novo nessa história?&#8221; Tem que&nbsp;<em>Zona Zero</em>&nbsp;trabalha com o conceito de inteligência e consciência coletiva. Se a gente pegar como exemplo as formigas, na biologia, veremos que elas se comunicam por meio de feromônios. É por isso que, quando você vê um grupo de formigas andando, elas fazem tudo a mesma coisa, seguem na mesma direção, tudo sincronizado, como se tivessem ensaiado exaustivamente. Não, não foi nada ensaiado. São formigas. Mas é que, na verdade, existe uma comunicação coletiva. Bem, o vírus desenvolvido no filme faz com que os zumbis se comuniquem coletivamente, sem palavras, obviamente, de forma inconsciente, digamos assim. Então, o que um zumbi vê aqui, o outro vê ali. E aí fica muito mais difícil fugir deles.</p>



<p class="has-text-align-center">Dentro do plot dessa história, um grupo de pessoas fica ilhado, preso ali dentro do prédio, esperando o resgate. Só que o resgate demora a chegar, e eles vão ter que dar um jeito de tentar sair dali. E aí a história segue por caminhos maravilhosos. Não há nenhum ator muito conhecido do público ocidental no elenco de&nbsp;<em>Zona Zero</em>, mas essa é uma daquelas obras em que os nomes não são as coisas mais importantes. A atuação coletiva é muito boa. O pequeno grupo que tenta resistir conta com atores que trabalham muito bem. Todos entregam boas performances. Assim, não importa quem está ali, quem interpreta cada um daqueles papéis. O filme vale pela história, pelo mise-en-scène do diretor, pela ação ininterrupta e, claro, pela maquiagem. A maquiagem de&nbsp;<em>Zona Zero</em>&nbsp;é uma coisa fabulosa.</p>



<p class="has-text-align-center">Não sei se a Coreia do Sul vai escolher <em>Zona Zero</em> para o Oscar, nem se a história é atrativa o suficiente para disputar a estatueta de melhor filme internacional. Mas, caso estreie dentro do prazo da Academia, o filme pode facilmente almejar uma indicação em maquiagem, em efeitos e talvez em direção. Porque, se o elenco não tem nomes de destaque ou que chamem a atenção do público, a grande estrela da companhia aqui é o cineasta Yeon Sang-ho, que, com dez anos de diferença, entrega dois ótimos filmes de um subgênero cinematográfico consagrado por George Romero. Se eu recomendo? É claro que sim! Só cuidado para não sonhar depois com uma invasão zumbi.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e excelente diversão.</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/10/zona-zero-mistura-acao-terror-e-ficcao-cientifica/"> Zona Zero mistura ação, terror e ficção científica</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://rotacult.com.br/2026/10/zona-zero-mistura-acao-terror-e-ficcao-cientifica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Overman, antítese do super-herói clássico, chega aos cinemas</title>
		<link>https://rotacult.com.br/2026/10/overman-antitese-do-super-heroi-classico-chega-aos-cinemas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=overman-antitese-do-super-heroi-classico-chega-aos-cinemas</link>
					<comments>https://rotacult.com.br/2026/10/overman-antitese-do-super-heroi-classico-chega-aos-cinemas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://rotacult.com.br/?p=205182</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aqueles que, como eu, são ou foram leitores de histórias em quadrinhos e de gibis de super-heróis, que ficaram ainda mais famosas aqui no Brasil por meio dos longas-metragens da DC e, principalmente, do Universo Marvel, sabem que, em tempos de grandes dificuldades, nada melhor do que um herói, alguém vestindo uma capa e com [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/10/overman-antitese-do-super-heroi-classico-chega-aos-cinemas/">Overman, antítese do super-herói clássico, chega aos cinemas</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Aqueles que, como eu, são ou foram leitores de histórias em quadrinhos e de gibis de super-heróis, que ficaram ainda mais famosas aqui no Brasil por meio dos longas-metragens da DC e, principalmente, do Universo Marvel, sabem que, em tempos de grandes dificuldades, nada melhor do que um herói, alguém vestindo uma capa e com superpoderes, para tentar salvar a pátria. Só que essas são histórias fictícias. A vida real não tem nada disso, não tem um super-herói de verdade. Acontece também que, de tempos em tempos, a gente entra em uma sala de cinema para se desconectar dessa realidade às vezes tão perversa à nossa volta. E, agora, depois de tantos heróis gringos, finalmente chega aos cinemas brasileiros, o aguardado filme do cineasta Tomás Portella, que adapta os quadrinhos da cartunista Laerte Coutinho. Foram alguns anos de espera, a expectativa era grande e o resultado pode até despertar sentimentos controversos na plateia, mas agradou a este crítico.</p>



<p class="has-text-align-center">Em primeiro lugar, devo dizer que, se vocês forem ao cinema esperando uma história de quadrinhos convencional, como os filmes do Homem-Aranha, por exemplo, há uma grande chance de se decepcionarem. Overman é a antítese do super-herói clássico. Não que ele não tenha superpoderes, pois ele tem. Não que seu universo não seja repleto de super-heróis e de super-heroínas, ou de supervilões e de supervilãs. Tem tudo isso. Overman, interpretado por Caco Ciocler, é um homem superforte, que voa e é à prova de balas, mas não tem visão de raio X. No entanto, ele é um brasileiro como outro qualquer: depressivo, desempregado, com problemas financeiros e que não se sente amado. Um dia, ele conhece Poline, uma influencer interpretada pela atriz trans Maria Lucas, e ali surge a esperança de um amor. Porém, o relacionamento não dá certo e ele volta àquela pasmaceira do dia a dia. Até que, com a eleição de um novo governador, interpretado por Otávio Müller, acaba sendo contratado para ser o super-herói oficial do Estado do Rio de Janeiro. Overman está para o Rio assim como Batman está para a cidade de Gotham City.</p>



<p class="has-text-align-center">A partir daí, começam a aparecer outros personagens. Ele ganha uma parceira, a Mulher Cachorro, vivida por Karina Ramil, e se depara com vários supervilões, entre eles, o Maníaco Flatulento, papel do ator Caio Riscado, e Pane, interpretada pela ótima Marina Provenzzano. Todavia, Overman, esse brasileiro depressivo, com problemas financeiros e que encontra em um emprego estatal a chance de reorganizar a vida, já foi um dia vitorioso — ou pelo menos é o que todo mundo pensa —, quando derrotou um supervilão chamado Capitalista Imundo. Mas será ele que derrotou mesmo? Em tempos de fake news, por conta do clima político que aquece o nosso país, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, a pergunta é: será que a vitória de Overman sobre o Capitalista Imundo aconteceu do jeito que ele conta e a imprensa noticiou na época?</p>



<p class="has-text-align-center">Uma história de super-heróis que não se desconecta em momento nenhum da realidade, até mesmo no que diz respeito ao clima eleitoral que estamos vivendo, confere um timing perfeito para a estreia deste filme. E retoma também aquela questão que levantei lá no início: se vocês forem ao cinema esperando uma obra convencional de heroísmo como as do Homem-Aranha, vão se decepcionar, porque aqui não há qualquer convencionalidade. Ainda assim, uma vez que Overman tem poderes, a lição do Tio Ben para Peter Parker pode ser aplicada aqui: &#8220;Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades&#8221;. Responsabilidade, inclusive, da própria obra para com o público. E o filme de Portella assume esse BO com muita ação e entrega uma comédia escrachada cheia de referências. A abertura de, não por acaso, lembra as aberturas dos filmes da Marvel. Já o roteiro, muito bem escrito, guarda até o final a resposta sobre o confronto passado entre Overman e o Capitalista Imundo.</p>



<p class="has-text-align-center">Já em relação aos aspectos técnicos, há coisas muito boas. Os efeitos especiais, o trabalho de cenografia e o figurino, tudo funciona muito bem, sempre levando em conta, claro, que estamos diante de um filme de super-heróis um tanto quanto diferente. E, ainda que vocês não encontrem aqui a obra convencional com a qual estão acostumados, podem ter certeza de que, no fim, o bem sempre vence o mal.&nbsp;<em>Overman</em>&nbsp;não é o primeiro longa-metragem brasileiro de super-heróis. Na verdade, o histórico é até grande. O último foi&nbsp;<em>O Doutrinador</em>&nbsp;(2018). Antes disso, tivemos Besouro (2009),&nbsp;<em>O Vigilante Rodoviário</em>(1978) e&nbsp;<em>O Judoca</em>&nbsp;(1973). Todos são filmes que transitam pelo universo dos super-heróis ou — ainda que estes não tenham poderes — dos heróis que lutam contra as injustiças. E há ainda o anárquico&nbsp;<em>SuperOutro</em>&nbsp;(1989), de Edgard Navarro. Esse, porém, não é um longa, mas um média-metragem que foi eleito para a lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.</p>



<p class="has-text-align-center">Todos esses filmes, por algum motivo, valem a pena. Contudo,&nbsp;<em>Overman</em>, de Tomás Portella, traz algo novo, um frescor para um subgênero cinematográfico com um número considerável de produções feitas no Brasil, ainda que esse não se constitua uma parte expressiva da nossa indústria. Esse aroma de novidade da produção está no fato de o filme conseguir conjugar simultaneamente ação, humor e crítica política. Está também no fato de não se desconectar da realidade em momento algum, retratando com fidelidade os quadrinhos da Laerte Coutinho. Dito isto, deixe a política um pouco de lado, pegue pela mão esquerda ou direita aquele seu amigo que não pensa igual a você e vá ao cinema assistir a esse filme. Especialmente porque ele é brasileiro e o nosso cinema merece. Eu super recomendo.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e ótima diversão.</strong></p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/10/overman-antitese-do-super-heroi-classico-chega-aos-cinemas/">Overman, antítese do super-herói clássico, chega aos cinemas</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://rotacult.com.br/2026/10/overman-antitese-do-super-heroi-classico-chega-aos-cinemas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Consequências Paralelas: Gabriel França e Cd Vallada misturam ciência e a filosofia em ficção científica</title>
		<link>https://rotacult.com.br/2026/10/consequencias-paralelas-gabriel-franca-e-cd-vallada-misturam-ciencia-e-a-filosofia-em-ficcao-cientifica/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=consequencias-paralelas-gabriel-franca-e-cd-vallada-misturam-ciencia-e-a-filosofia-em-ficcao-cientifica</link>
					<comments>https://rotacult.com.br/2026/10/consequencias-paralelas-gabriel-franca-e-cd-vallada-misturam-ciencia-e-a-filosofia-em-ficcao-cientifica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://rotacult.com.br/?p=204981</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vocês já pararam para pensar no que fariam se tivessem à disposição uma máquina do tempo? O que mudariam na própria vida? Eu já me peguei pensando nisso algumas vezes. A última foi em uma sala de cinema, confortavelmente sentado, com o ar-condicionado na temperatura certa, assistindo a&#160;Consequências Paralelas, de Gabriel França e CD Vallada. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/10/consequencias-paralelas-gabriel-franca-e-cd-vallada-misturam-ciencia-e-a-filosofia-em-ficcao-cientifica/">Consequências Paralelas: Gabriel França e Cd Vallada misturam ciência e a filosofia em ficção científica</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Vocês já pararam para pensar no que fariam se tivessem à disposição uma máquina do tempo? O que mudariam na própria vida? Eu já me peguei pensando nisso algumas vezes. A última foi em uma sala de cinema, confortavelmente sentado, com o ar-condicionado na temperatura certa, assistindo a&nbsp;<em>Consequências Paralelas</em>, de Gabriel França e CD Vallada. Acho que não mudaria muita coisa. Talvez uma escolha ou outra na vida profissional, mas é complicado mexer nisso, porque, se hoje estou aqui falando com vocês por meio deste texto, é porque fiz determinadas opções ao longo da vida. Se tivesse feito outras, talvez não tivesse visto esse filme nem estivesse aqui escrevendo sobre ele. Mas, pensando bem, eu voltaria no tempo para dançar com aquela colega que achava muito bonita, mas com quem minha timidez, a de um tatu dentro de uma toca, me impediu de aceitar dançar. Eu tinha 13 anos e ainda estudava no Colégio Sion. Também teria conversado mais com a Juliana, essa eu lembro o nome. Quando fiquei doente, ela organizou uma carta com letras coloridas, recolheu as assinaturas dos colegas e me desejou melhoras e um rápido retorno às aulas. Eu teria sido menos tímido e aproveitado algumas oportunidades. Mas não dá para voltar no tempo. Não na vida real. Na ficção, sim.</p>



<p class="has-text-align-center">Consequências Paralelas, salvo algum engano deste crítico, é o terceiro filme brasileiro sobre viagem no tempo, depois de&nbsp;<em>O Homem do Futuro</em>&nbsp;(2011) e&nbsp;<em>Branco Sai, Preto Fica</em>&nbsp;(2014). Fui ao cinema com uma expectativa sinistra, porque gosto muito de um desses filmes e não gosto nada do outro. Não vou dizer aqui qual é qual. Ao assistir à produção de Gabriel França e CD Vallada, fui gostando aos poucos, devo confessar. Não foi um filme que me conquistou de cara, mas também não me afastou definitivamente logo no início. Minhas reações foram mistas, e fiquei tentando entender aonde aquela história queria chegar. Uma das primeiras consequências foi achar meio absurda a ideia de uma poltrona como máquina do tempo. Mas, levando em conta que a viagem no tempo é apenas uma teoria, sem comprovação científica, tanto faz se a máquina é um carro, um DeLorean, uma poltrona de sala ou uma cabine telefônica.</p>



<p class="has-text-align-center">Com apenas três atores e uma estrutura que poderia facilmente ser adaptada para o teatro,&nbsp;<em>Consequências Paralelas</em>&nbsp;tem uma característica que me agrada. Quem me acompanha sabe que gosto de filmes com estruturas teatralizadas. Carol Macedo interpreta Bruna, João Fenerich vive Pedro e Felipe Hintze dá vida a Max. Bruna e Pedro são namorados, enquanto Max é o melhor amigo do casal. Os três vão para uma cabana no interior onde a mãe de Bruna (voz over de Camila Morgado), uma cientista, costumava ficar quando precisava pensar, refletir ou ter alguma ideia. Bruna acaba de passar pelo trauma da morte da mãe e precisa se recuperar, contando com o apoio do namorado e do melhor amigo. Chegando lá, porém, eles descobrem que a tal poltrona é uma máquina do tempo e decidem experimentar a bichana que estava quietinha em um canto. Os três viajam, cada um por sua vez e várias vezes, e começam a descobrir as consequências dessas experiências. Afinal, segundo a teoria, interferir no passado pode modificar o presente. E não é só isso: viajar para o futuro, sabendo o que vai acontecer, também pode condicionar nossas decisões a partir do momento presente. O resultado é uma confusão danada entre os três, difícil de explicar em poucas linhas.</p>



<p class="has-text-align-center">Um filme com essa estrutura, sustentado por apenas três atores, depende muito das atuações e do roteiro. Podemos falar da direção de arte de Daniela Aldrovandi, que é boa, embora nada espetacular ou particularmente criativa, e da fotografia de Rodrigo Prata, que alterna closes dos atores com enquadramentos mais abertos e distantes. Mas são o texto e o trabalho do trio que seguram a produção. Nesse sentido, é preciso elogiar Carol Macedo, João Fenerich e Felipe Hintze, que dão conta do recado. Como disse anteriormente, demorei a me envolver com o filme, em parte por causa das minhas experiências anteriores com produções brasileiras sobre viagem no tempo. Tinha receio de que, por ser um filme de baixo orçamento, ele repetisse a experiência negativa que tive com um dos dois títulos mencionados. Tudo bem, vou dizer: não gosto nada de <em>Branco Sai, Preto Fica</em>, que me desculpe o diretor Adirley Queirós.</p>



<p class="has-text-align-center">Mas <em>Consequências Paralelas</em> foi me ganhando e conquistou minha simpatia principalmente no desfecho. Afinal, quando falamos de viagens no tempo, consequências paralelas, possibilidades e realidades alternativas criadas pelas mudanças que fazemos, estamos diante de um universo de finais possíveis. Havia inúmeras alternativas para encerrar essa história, e considero que Gabriel França e CD Vallada escolheram o melhor desfecho possível. Pelo menos, foi aquele que mais me satisfez e que fez mais sentido diante de todos os desdobramentos da narrativa. O filme tem 80 minutos, e a impressão que fica é a de que talvez tenha nascido como um curta-metragem e alguém tenha sugerido aos diretores que o transformassem em longa. Ainda assim, não ficou tão longo assim, e a duração me parece precisa. Esticar a história significaria correr o risco de encher linguiça. <em>Consequências Paralelas</em> é um filme que foi me conquistando aos poucos e que encontrou no final o caminho para me convencer.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e boa diversão.</p>



<p>*<strong>Filme visto durante o Festival do Rio 2026</strong></p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/10/consequencias-paralelas-gabriel-franca-e-cd-vallada-misturam-ciencia-e-a-filosofia-em-ficcao-cientifica/">Consequências Paralelas: Gabriel França e Cd Vallada misturam ciência e a filosofia em ficção científica</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://rotacult.com.br/2026/10/consequencias-paralelas-gabriel-franca-e-cd-vallada-misturam-ciencia-e-a-filosofia-em-ficcao-cientifica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Digger: Alejandro G. Iñárritu transforma Tom Cruise em personagem obscuro</title>
		<link>https://rotacult.com.br/2026/09/digger-alejandro-g-inarritu-transforma-tom-cruise-em-personagem-obscuro/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=digger-alejandro-g-inarritu-transforma-tom-cruise-em-personagem-obscuro</link>
					<comments>https://rotacult.com.br/2026/09/digger-alejandro-g-inarritu-transforma-tom-cruise-em-personagem-obscuro/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Digger]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Cruise]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://rotacult.com.br/?p=204459</guid>

					<description><![CDATA[<p>Digger, o novo, interessantíssimo e instigante filme do cineasta mexicano Alejandro G. Iñárritu, é facilmente o melhor filme de Iñárritu desde Birdman, de 2014. Saí do cinema com a certeza de que o filme, por exemplo, é muito melhor do que O Regresso, de 2015, que foi uma obra badaladíssima. E talvez seja ainda o segundo melhor [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/09/digger-alejandro-g-inarritu-transforma-tom-cruise-em-personagem-obscuro/">Digger: Alejandro G. Iñárritu transforma Tom Cruise em personagem obscuro</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Digger</em>, o novo, interessantíssimo e instigante filme do cineasta mexicano Alejandro G. Iñárritu, é facilmente o melhor filme de Iñárritu desde <em>Birdman</em>, de 2014. Saí do cinema com a certeza de que o filme, por exemplo, é muito melhor do que <em>O Regresso</em>, de 2015, que foi uma obra badaladíssima. E talvez seja ainda o segundo melhor filme da carreira do diretor, que tem algumas obras excelentes da época em que não era um diretor oscarizado.</p>



<p class="has-text-align-center">Deixando esses pormenores de lado, do que fala <em>Digger</em>? Esse título faz referência ao nome do personagem principal, interpretado pelo ator Tom Cruise. Impressionante: 64 anos de idade e o filme precisou envelhecer o intérprete para o papel. É como se ele tivesse um quadro envelhecendo no porão de casa. Mas isso aí é outra história. Digger Rockwell é o homem mais rico do mundo, um milionário, dono de uma megacorporação, explorador de petróleo. E, no dia em que uma catástrofe ambiental acontece por causa de uma das suas empresas, ele se vê em uma encruzilhada: não fazer nada por conta do prejuízo ou tentar, de algum modo, remediar a situação, para que o mundo não o veja como um destruidor da humanidade, e sim como o seu salvador? Com um grande elenco, além de Tom Cruise, o filme tem John Goodman interpretando um inescrupuloso presidente dos Estados Unidos, Michael Stuhlbarg, ótimo como sempre, na pele de um acovardado vice-presidente, e Riz Ahmed como um cientista e principal consultor para assuntos ambientais de <em>Digger</em>. O elenco é uma das melhores coisas do filme, com todos trabalhando muito bem e de forma coesa.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Em Digger, para ficar irreconhecível na pele do personagem Cruise usou próteses, muita maquiagem e também usou um enchimento corporal.</h2>



<p class="has-text-align-center">Eu já falei do plot e poderia destrinchá-lo mais. Só que&nbsp;<em>Digger</em>&nbsp;é um desses filmes que, quanto menos você souber, melhor. Então, na verdade, me agradeçam por estar dando tão poucos detalhes em relação à história. O longa-metragem tem um, não, dois plot twists. Por isso, não posso dizer mais nada para vocês. Agora, além de ser o melhor filme de Iñárritu desde&nbsp;<em>Birdman</em>, essa é a produção que, de várias maneiras, dialoga melhor com a obra mais famosa do diretor mexicano. Tanto por questões técnicas — Iñárritu tem mais uma vez como parceiro o melhor diretor de fotografia do mundo, Emmanuel Lubezki, o homem que fotografou&nbsp;<em>Birdman</em>&nbsp;e fotografa&nbsp;<em>Digger</em>&nbsp;— quanto pelo próprio espírito do filme.</p>



<p class="has-text-align-center">Indo contra aquela lógica de que quanto mais roteiristas, pior o roteiro, de que os melhores textos são escritos por apenas uma pessoa, aqui, assim como em <em>Birdman</em>, <em>Digger</em> tem quatro roteiristas: o próprio diretor, Alexander Dinelaris e Nicolás Giacobone, ambos co-roteiristas de Birdman e ganhadores do Oscar com Iñárritu, e Sabina Berman. O roteiro é baseado em uma ideia do cineasta e de Berman, mas não é só isso. Há um outro aspecto que alimenta o diálogo. Eu vou tentar dizer de um jeito que não seja considerado um spoiler, já que não quero estragar a experiência dos leitores: essa é a obra mais teatral de Iñárritu desde <em>Birdman</em>. E aí, vocês que estão me lendo agora, entendam esse teatral como quiserem. Se alguém chegar à conclusão do que seria essa teatralidade que aproxima os dois filmes, não conte para o amiguinho.</p>



<p class="has-text-align-center">Por fim, para além do universo da cinematografia de Iñárritu, outro diálogo, para mim muito claro, de <em>Digger</em> é com <em>Doutor Fantástico</em>, de 1964, de Stanley Kubrick. A grandiosidade almejada é a mesma, a capacidade de nos entreter e de nos capturar visualmente também e, lá pelas tantas, as duas histórias se encontram no seu viés destrutivo da humanidade. Um como uma dura, irônica, debochada e sarcástica crítica à maneira como a humanidade lida com o meio ambiente. Já o outro como uma dura, irônica, debochada e sarcástica crítica aos arroubos bélicos da Guerra Fria.</p>



<p class="has-text-align-center"> Talvez tenhamos aqui um dos grandes filmes do ano e eu vou matutar nos próximos dias, porque talvez seja o meu filme favorito deste ano. Ele está dividindo a crítica e, sinceramente, não posso fazer nada. Uma vez, um crítico carioca disse que <em>Gente de Sicília</em>, de 1999, de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, era um filme para críticos, e ali havia uma contradição, porque ele estava dizendo que o público não gostaria, só os críticos. No entanto, ele era crítico e não gostou do que viu. Dito isto, correndo o risco de soar contraditório como o meu colega, pois eu gostei do que vi, vou dizer que esse é um filme mais para o público do que para os críticos. Não que críticos não possam gostar, mas a complexidade que Iñárritu e a sua turma tentam colocar talvez seja encarada pela maior parte da crítica especializada como uma papagaiada, um rebuscamento pedante. No final das contas, eu recomendo demais. Vejam no cinema e em tela grande, pelo amor de Deus!</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e excepcional diversão.</strong></p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/09/digger-alejandro-g-inarritu-transforma-tom-cruise-em-personagem-obscuro/">Digger: Alejandro G. Iñárritu transforma Tom Cruise em personagem obscuro</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://rotacult.com.br/2026/09/digger-alejandro-g-inarritu-transforma-tom-cruise-em-personagem-obscuro/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Antártida transforma tema urgente e doloroso em suspenseAntártida</title>
		<link>https://rotacult.com.br/2026/09/antartida-transforma-tema-urgente-e-doloroso-em-suspense/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=antartida-transforma-tema-urgente-e-doloroso-em-suspense</link>
					<comments>https://rotacult.com.br/2026/09/antartida-transforma-tema-urgente-e-doloroso-em-suspense/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://rotacult.com.br/?p=204010</guid>

					<description><![CDATA[<p>Apesar de amar o cinema brasileiro, acho que preciso acompanhar um pouco mais o calendário de estreias, afinal, na última segunda, fui a uma cabine de imprensa em Botafogo, aqui no Rio de Janeiro, cidade que ultimamente tem parecido mais Londres do que uma metrópole dos trópicos, e assisti a um filme que não estava [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/09/antartida-transforma-tema-urgente-e-doloroso-em-suspense/">Antártida transforma tema urgente e doloroso em suspenseAntártida</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Apesar de amar o cinema brasileiro, acho que preciso acompanhar um pouco mais o calendário de estreias, afinal, na última segunda, fui a uma cabine de imprensa em Botafogo, aqui no Rio de Janeiro, cidade que ultimamente tem parecido mais Londres do que uma metrópole dos trópicos, e assisti a um filme que não estava no meu radar:&nbsp;<em>Antártida</em>. Por não saber o que viria pela frente, essa foi uma produção que me surpreendeu bastante por alguns motivos, mas principalmente porque conjuga, em uma obra só, a urgência de um tema extremamente importante, que é a questão da violência contra a mulher, infelizmente cada vez mais em voga, e o suspense como gênero fílmico, por sinal, muito bem arquitetado e amarrado ao longo de toda a projeção.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Antártida</em>&nbsp;é dirigido por Bruno Safadi, um dos talentos mais evidentes do nosso cinema nacional, mas saiu principalmente da cabeça da roteirista e diretora Cláudia Jouvin. E aí é importante dizer que ser uma obra pensada e criada por uma mulher dá a esse filme um olhar, uma camada e um tratamento que um roteirista homem sozinho não conseguiria dar. Cláudia Jouvin é a criadora, é a artífice principal do longa-metragem em questão, mas divide o roteiro com Dennison Ramalho, reeditando uma parceria de muito sucesso no filme&nbsp;<em>Morto Não Fala</em>&nbsp;(2018). Se Cláudia traz aqui a visão fundamental da mulher sobre o tema, Dennison colabora com sua experiência em obras de terror e suspense.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Antártida</em>&nbsp;conta a história de militares brasileiros na base Comandante Ferraz, (óbvio) na Antártida. Inês, interpretada por Marina Ruy Barbosa, é uma cientista, uma pesquisadora formada nos Estados Unidos, que se junta ao grupo que trabalha no local para estudar mudanças climáticas. Só que, desde o início, ela não é bem recebida. Um dos grandes méritos do roteiro de Cláudia Jouvin e Dennison Ramalho é o fato de que vamos vendo, desde a primeira cena com a atriz, pinceladas aqui e acolá de misoginia. O filme faz questão de mostrar como aquela cientista não é aceita ali logo de cara. E essa construção bem engendrada descamba no verdadeiro plot da trama: Inês — e aqui não é spoiler — será vítima de um crime, mais precisamente de um estupro. E, assim, a partir do momento em que ela é violentada, temos uma ótima história de mistério que tem como objetivo esclarecer esse crime hediondo.</p>



<p class="has-text-align-center">Se a construção da tensão até a cena do crime é muito bem engendrada, após a violência, essa mesma tensão escala a níveis altíssimos. Todo o elenco masculino é colocado no rol dos suspeitos. A gente ainda não conhece direito essas pessoas, não sabemos a história pregressa delas. Desta forma, como em toda boa trama de mistério, todos podem ser culpados e qualquer desfecho parece viável. Nesse ínterim, uma das situações colocadas pelo roteiro é a relação entre a médica Marina, vivida por Leandra Leal, e o capitão Vicente, personagem de Lázaro Ramos. No primeiro contato com esse casal, percebemos que essa é uma relação tóxica. Em outra situação, Inês é tratada pelo seu futuro chefe de um jeito extremamente machista. Apesar de ela ter um currículo impecável, o sujeito a trata como se fosse qualquer pessoa, uma ajudante que veio fazer trabalhos menores no laboratório que ele comanda. Tudo isso, repito, é bastante eficaz.</p>



<p class="has-text-align-center">O elenco é uma das coisas mais importantes de <em>Antártida</em>. Inicialmente, é Inês que está no foco. Todavia, logo após o crime, é a personagem de Andréa Beltrão, a capitã Elizabeth, subcomandante da base, que vai se responsabilizar pelas investigações, uma vez que, sendo um crime contra uma mulher, até o comandante Barros, interpretado por Antônio Calloni, pode ser culpado. E o roteiro nos leva a suspeitar dele, assim como de Vicente, de Viriato (Adélio Lima), de Dimas (Gero Camilo), de Josué (João Vitor Silva) e de todos os demais militares. O único senão em relação ao elenco talvez seja o mau aproveitamento da personagem de Mariana Sena. </p>



<p class="has-text-align-center">De resto, um belo trabalho de fotografia, principalmente nas cenas que parecem filmadas na Antártida, e uma esmerada direção de arte, nas tomadas realizadas em estúdio, completam bem o conjunto. Nessa toada, a história nos conduz, presos à cadeira da sala de cinema, por um caminho tortuoso de tensão e emoção.</p>



<p class="has-text-align-center">Após o roteiro apontar para aqui e para acolá, a resolução do crime vem, claro, com uma reviravolta. Não que ela seja das mais surpreendentes, inclusive, a solução para o caso chegou a passar pela minha cabeça. Mas isso não significa que o final não tenha sido bem arquitetado. Como escrevi anteriormente,&nbsp;<em>Antártida</em>, longa-metragem de Bruno Safadi, com a marca autoral de Cláudia Jouvin em parceria com Dennison Ramalho, surpreende justamente por conseguir transformar um tema urgente e doloroso em uma trama de suspense que funciona, conduzindo o espectador até a resolução do crime. É a prova de que o cinema brasileiro pode falar de assuntos importantes sem abrir mão de construir boas histórias. E, para mim, isso já é motivo suficiente para pedir que vocês deem uma chance ao filme assim que ele estrear.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e uma ótima reflexão.</strong></p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/09/antartida-transforma-tema-urgente-e-doloroso-em-suspense/">Antártida transforma tema urgente e doloroso em suspenseAntártida</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://rotacult.com.br/2026/09/antartida-transforma-tema-urgente-e-doloroso-em-suspense/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pressão aborda o Dia D, da invasão da Normandia, pelo lado da meteorologia</title>
		<link>https://rotacult.com.br/2026/09/pressao-aborda-o-dia-d-da-invasao-da-normandia-pelo-lado-da-meteorologia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=pressao-aborda-o-dia-d-da-invasao-da-normandia-pelo-lado-da-meteorologia</link>
					<comments>https://rotacult.com.br/2026/09/pressao-aborda-o-dia-d-da-invasao-da-normandia-pelo-lado-da-meteorologia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 14:00:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://rotacult.com.br/?p=203192</guid>

					<description><![CDATA[<p>Alguns episódios históricos, alguns acontecimentos da humanidade, já foram retratados 1.300 vezes no cinema. E aí achar um ângulo diferente, encontrar uma maneira nova de contar a mesma história só porque ela é importante é muito difícil. O risco de filmar pela enésima vez um episódio histórico é fazer apenas mais um filme qualquer, que [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/09/pressao-aborda-o-dia-d-da-invasao-da-normandia-pelo-lado-da-meteorologia/">Pressão aborda o Dia D, da invasão da Normandia, pelo lado da meteorologia</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Alguns episódios históricos, alguns acontecimentos da humanidade, já foram retratados 1.300 vezes no cinema. E aí achar um ângulo diferente, encontrar uma maneira nova de contar a mesma história só porque ela é importante é muito difícil. O risco de filmar pela enésima vez um episódio histórico é fazer apenas mais um filme qualquer, que não acrescente absolutamente nada ao que já foi contado. Esse era o meu receio quando fui assistir a&nbsp;<em>Pressão</em>, novo filme do diretor Anthony Maras, baseado em uma peça teatral de David Haig, que também assina o roteiro ao lado do cineasta. O longa-metragem fala do Dia D, da invasão da Normandia, aquela batalha que ajudou a definir o destino da Segunda Guerra Mundial e, consequentemente, o futuro da humanidade. Eu já tinha visto essa história no cinema. Vocês também provavelmente já viram. Só que, felizmente, o meu medo não se confirmou. O que encontrei foi a mesma história, com a mesma importância, contada por um prisma completamente diferente: o da meteorologia.</p>



<p class="has-text-align-center">A meteorologia é importante no nosso dia a dia. A gente precisa saber se vai chover ou fazer sol para decidir que roupa vestir, se leva ou não um guarda-chuva, se pode praticar uma atividade ao ar livre. Para ganhar uma guerra, certamente, não poderia ser diferente. Uma vez marcada a data do Dia D, as forças aliadas precisavam saber se as condições meteorológicas na Normandia, na costa francesa, eram adequadas para a invasão. E é aí que entra James Stagg, personagem interpretado por Andrew Scott. Capitão escocês e meteorologista, Stagg é um cientista enviado por Churchill para aconselhar o general Dwight Eisenhower, comandante das forças aliadas, brilhantemente interpretado por Brendan Fraser. Só que, ao chegar ao quartel-general da força expedicionária aliada, Stagg encontra resistência, principalmente do coronel Irwin P. Crick, vivido por Chris Messina, um militar que já acompanha Eisenhower há três anos e que também é meteorologista.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-center">Suspense histórico retrata as 72 horas tensas que antecederam o Dia D na Segunda Guerra Mundial.</h2>



<p class="has-text-align-center">O embate entre os dois é um dos motores de&nbsp;<em>Pressão</em>. Stagg é meticuloso. Não trabalha com hipóteses fáceis nem com padrões pré-estabelecidos. Estuda, estuda e estuda, porque sabe que o tempo e a natureza são imprevisíveis. Crick é o avesso disso. Ele parece um daqueles vendedores americanos que querem empurrar para você o melhor carro pelo melhor preço, ainda que nem o carro nem o preço sejam os melhores. É uma guerra de egos, mas também é uma disputa entre duas maneiras de enxergar a ciência. E, no fim das contas, Eisenhower precisa decidir em quem acreditar. O filme, então, transforma algo que poderia parecer absolutamente banal para quem está sentado na cadeira do cinema — uma previsão do tempo — em uma questão de vida ou morte para milhares de soldados e, em última instância, para o destino da guerra.</p>



<p class="has-text-align-center">O mais interessante é que&nbsp;<em>Pressão</em>&nbsp;é um filme sobre o Dia D em que praticamente não vemos guerra. As cenas de tiros, explosões e combate, aquilo que estamos acostumados a encontrar nesse tipo de produção, aparecem apenas nos minutos finais. E isso não é um problema. Muito pelo contrário. Elas estão exatamente onde deveriam estar: no fim, depois de toda a tensão construída dentro daquele quartel-general, para mostrar o resultado da decisão tomada por Eisenhower. Cerca de três quartos do filme acontecem dentro de salas, em reuniões, discussões e embates entre os personagens. E nem por isso ele é menos tenso. Muito pelo contrário. A guerra de egos, a pressão sobre quem precisa tomar uma decisão e a dúvida sobre qual dos meteorologistas está certo são material suficiente para manter o espectador preso à cadeira. Entre os personagens que ajudam a construir essa tensão estão a tenente Kay Summersby, interpretada por Kerry Condon, secretária e braço direito de Eisenhower, e o general britânico Bernard Montgomery, vivido por Damian Lewis.</p>



<p class="has-text-align-center">Todos esses personagens, muito bem construídos pelo roteiro de Anthony Maras e David Haig e muito bem interpretados, convergem para uma cena que, para mim, é uma das melhores coisas que vi no cinema neste ano. É o momento em que Eisenhower decide adiar a invasão da Normandia, baseado nos estudos de Stagg. É uma cena que depende quase exclusivamente do roteiro e das atuações. Há muitas palavras, muitos diálogos, alguns bem verborrágicos, e isso pode não agradar a todo mundo. Porém são diálogos muito bem escritos e deliciosamente cuspidos pelas bocas dos atores que estão em cena. E é aí que o filme prova que não precisa de tiros, explosões ou grandes batalhas para construir tensão. Basta colocar bons atores dentro de uma sala, entregar bons diálogos a eles e permitir que o conflito aconteça.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Pressão</em>, portanto, é um filme de guerra diferente daqueles aos quais estamos acostumados. E talvez por isso algumas pessoas possam criar certa resistência depois de ler esta crítica ou descobrir que não se trata de uma produção convencional sobre guerra. Só que eu garanto: se vocês não forem ver, podem se arrepender. Assim como Eisenhower provavelmente teria se arrependido se não tivesse seguido o conselho do capitão James Stagg. Por último, preciso destacar duas coisas antes de terminar. A primeira é a fotografia de Jamie D. Ramsay. Se o mundo for justo, essa fotografia estará na próxima temporada do Oscar. Contudo, parece que não estará, já que o filme não teve uma boa recepção lá fora. Sinceramente, não quero saber o porquê e estou me lixando para os críticos americanos. A segunda é Brendan Fraser. Sua atuação como Dwight Eisenhower é a prova de que esse homem sempre foi um grande ator. Ele apenas escolheu, durante boa parte da carreira, os papéis errados. Pressão é diferente, é tenso, é inteligente e encontrou uma maneira muito interessante de contar uma história que o cinema já contou inúmeras vezes. Eu recomendo demais.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e excepcional diversão.</strong></p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/09/pressao-aborda-o-dia-d-da-invasao-da-normandia-pelo-lado-da-meteorologia/">Pressão aborda o Dia D, da invasão da Normandia, pelo lado da meteorologia</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://rotacult.com.br/2026/09/pressao-aborda-o-dia-d-da-invasao-da-normandia-pelo-lado-da-meteorologia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Gonzaguinha: Suzanna Lira constrói retrato de um personagem peculiar da música brasileira</title>
		<link>https://rotacult.com.br/2026/09/gonzaguinha-suzanna-lira-constroi-retrato-de-um-personagem-peculiar-da-musica-brasileira/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=gonzaguinha-suzanna-lira-constroi-retrato-de-um-personagem-peculiar-da-musica-brasileira</link>
					<comments>https://rotacult.com.br/2026/09/gonzaguinha-suzanna-lira-constroi-retrato-de-um-personagem-peculiar-da-musica-brasileira/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://rotacult.com.br/?p=203447</guid>

					<description><![CDATA[<p>Gonzaguinha, o novo documentário da cineasta Susanna Lira, investe principalmente naquela fórmula de usar imagens de arquivo e narração em off. Por incrível que pareça, não há nenhum depoimento atual. Não há uma pessoa que tenha conhecido Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior falando sobre o músico, que faleceu precocemente, aos 45 anos, vitimado por um [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/09/gonzaguinha-suzanna-lira-constroi-retrato-de-um-personagem-peculiar-da-musica-brasileira/">Gonzaguinha: Suzanna Lira constrói retrato de um personagem peculiar da música brasileira</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Gonzaguinha</em>, o novo documentário da cineasta Susanna Lira, investe principalmente naquela fórmula de usar imagens de arquivo e narração em off. Por incrível que pareça, não há nenhum depoimento atual. Não há uma pessoa que tenha conhecido Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior falando sobre o músico, que faleceu precocemente, aos 45 anos, vitimado por um acidente de carro em 1991. Uma receita batida que visa construir um mosaico e, surpreendentemente, funciona muito bem. Apesar de ser filho do nordestino Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, Gonzaguinha é retratado como um típico malandro carioca. Nascido no Morro de São Carlos, no Estácio, na Zona Central do Rio de Janeiro, ele é aquela figura que desce o morro para ganhar a vida. E isso é alimentado pelo próprio discurso do personagem-título, que fala que, na rua, as pessoas precisam aprender a se virar, a sobreviver, sempre dando um jeito. Não, isso não é apologia a cometer pequenos delitos ou a praticar ilegalidades. Claro que não. É aquela coisa do jeitinho brasileiro, como escrevi anteriormente, do malandro carioca: faço o que for preciso, dentro da lei, para ganhar a vida.</p>



<p class="has-text-align-center">Diferentemente de outros malandros, Gonzaguinha tinha um dom. Ele não era filho de quem era à toa. A música estava no seu sangue. E estava no seu sangue por parte de pai, por parte de mãe, Odaléa, uma cantora de boate que não pôde criá-lo, e também por parte de seu padrinho, Henrique Xavier. Ainda pequeno, Gonzaguinha foi entregue pela mãe aos compadres Dona Dita e Seu Henrique. Foram eles os verdadeiros pais do protagonista. Henrique era músico, dava aulas de violão e incentivou o filho adotivo a seguir essa carreira. Uma das coisas mais interessantes do documentário é que, ao longo de seus 78 minutos, a obra é toda pontuada por músicas, e a diretora teve a preocupação de colocar as datas de cada canção.&nbsp;<em>O Que Será</em>, de 1974,&nbsp;<em>Como o Dia Nascerá</em>, de 1978,&nbsp;<em>Recado</em>, de 1979,&nbsp;<em>Achados e Perdidos</em>, de 1980,&nbsp;<em>Eu Queria Apenas que Você Soubesse</em>, de 1981 e por aí vai. Escrevi as músicas em ordem cronológica, mas no filme elas não estão dispostas assim. De qualquer forma, mesmo não seguindo uma ordem cronológica e linear rigorosa, elas servem para pontuar os diversos momentos da carreira do protagonista, que não só foi um grande músico, mas também uma figura peculiar.</p>



<p class="has-text-align-center">Chamam a atenção em&nbsp;<em>Gonzaguinha</em>&nbsp;duas cenas que abordam passagens interessantes da carreira do músico. Uma delas é quando ele reencontra o pai nos palcos e cantam juntos. Esse é o momento em que os dois ensaiam uma reaproximação. E aí o interessante é que Luiz Gonzaga se ressentia um pouco do filho por ele não ser um músico do mesmo estilo. Gonzaguinha, então, diz: &#8220;Bom, se você quisesse que eu fosse como você, que você tivesse me criado, coisa que não aconteceu.&#8221; Já na outra passagem, uma censora do regime militar chamada Marina implica com a palavra &#8220;Maracanã&#8221; presente na música&nbsp;<em>Geraldinos e Arquibaldos</em>, de 1978. Estupefato, o protagonista pergunta para ela: &#8220;Mas como assim a palavra Maracanã é um problema?&#8221; Ela responde que sim, que era um problema. E ele devolve: &#8220;Você já foi ao Maracanã alguma vez na sua vida?&#8221; Ela retruca: &#8220;Não, nunca fui.&#8221; Aí estava o problema. E antes que a censora falasse mais alguma coisa, Gonzaguinha vira e diz: &#8220;Olha só, eu censuro a minha própria música. Chega, acabou, deixa aqui. Eu censuro essa música.&#8221; É óbvio que depois a canção acabou sendo liberada e se tornou um dos sucessos do cantor.</p>



<p class="has-text-align-center">Por fim, eu queria dizer que <em>Gonzaguinha</em> não é composto só de imagens de arquivo formando um mosaico, como destaquei no início da crítica. O ator André Dale aparece interpretando o personagem-título em uma reprodução de uma entrevista ao jornal Pasquim, em que o músico foi sabatinado por dois jornalistas do veículo. A dramatização dessa sabatina é muito boa e é inclusive por meio dela que temos acesso às duas passagens descritas acima, com o pai e a censora. A interpretação do ator é tão crível que qualquer um que já tenha visto Gonzaguinha alguma vez na vida, na tela ou em imagens de arquivo — e a gente vê várias delas aqui — percebe que Dale está a cara do músico. Dá até para confundir, gerando um bug no nosso sistema.</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Gonzaguinha</em>, de Susanna Lira, é uma das ótimas estreias da semana. Um documentário que, mesmo escolhendo uma fórmula aparentemente simples, consegue construir um retrato muito interessante de um personagem peculiar da música brasileira. Longe de ser um problema, a ausência de depoimentos atuais acaba sendo um trunfo por prescindir das habituais muletas desse gênero fílmico. As imagens de arquivo, a narração e, principalmente, as próprias palavras de Gonzaguinha constroem esse mosaico e permitem que o próprio personagem conte a sua história. Já a interpretação de André Dale é um plus valioso. E quando um documentário consegue fazer tudo isso de maneira tão eficiente, a simplicidade da fórmula deixa de ser uma mera limitação e passa a ser uma das suas maiores qualidades. Eu certamente recomendo para vocês.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e ótima diversão.</strong></p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/09/gonzaguinha-suzanna-lira-constroi-retrato-de-um-personagem-peculiar-da-musica-brasileira/">Gonzaguinha: Suzanna Lira constrói retrato de um personagem peculiar da música brasileira</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://rotacult.com.br/2026/09/gonzaguinha-suzanna-lira-constroi-retrato-de-um-personagem-peculiar-da-musica-brasileira/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ponto Sem Retorno: Ridley Scott convida o espectador a observar cada detalhe</title>
		<link>https://rotacult.com.br/2026/08/ponto-sem-retorno-ridley-scott-convida-o-espectador-a-observar-cada-detalhe/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=ponto-sem-retorno-ridley-scott-convida-o-espectador-a-observar-cada-detalhe</link>
					<comments>https://rotacult.com.br/2026/08/ponto-sem-retorno-ridley-scott-convida-o-espectador-a-observar-cada-detalhe/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://rotacult.com.br/?p=203139</guid>

					<description><![CDATA[<p>Quando vamos ao cinema, quando assistimos a um filme, o cartaz e o título costumam gerar uma expectativa. É natural. A gente lê a sinopse, vê as imagens, entende que determinado filme pertence a determinado gênero e começa a imaginar aquilo que vai encontrar na sala escura. O problema é quando o filme resolve não [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/08/ponto-sem-retorno-ridley-scott-convida-o-espectador-a-observar-cada-detalhe/">Ponto Sem Retorno: Ridley Scott convida o espectador a observar cada detalhe</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Quando vamos ao cinema, quando assistimos a um filme, o cartaz e o título costumam gerar uma expectativa. É natural. A gente lê a sinopse, vê as imagens, entende que determinado filme pertence a determinado gênero e começa a imaginar aquilo que vai encontrar na sala escura. O problema é quando o filme resolve não corresponder ao que esperávamos. Essa quebra de expectativa pode ser extremamente benéfica ou pode atrapalhar toda a experiência cinematográfica. É preciso estar com a mente aberta. Foi exatamente isso que aconteceu comigo recentemente ao assistir a&nbsp;<em>Chopin: Uma Sonata em Paris</em>. E acontece novamente com&nbsp;<em>Ponto Sem Retorno</em>, o mais novo filme do grande Ridley Scott. Quando vemos o cartaz e lemos a sinopse, somos apresentados a um mundo pós-apocalíptico em que uma pequena parcela da humanidade sobreviveu a uma pandemia. As pessoas vivem isoladas em pequenas comunidades, tentando sobreviver enquanto o perigo está sempre à espreita. Só que as primeiras cenas deste filmaço — já vou adiantar que é um filmaço — são completamente diferentes do que eu imaginava.</p>



<p class="has-text-align-center">São cenas contemplativas, com planos abertos, em que a câmera não tem pressa de chegar a lugar nenhum. Ela amplia o campo de visão e convida o espectador a observar cada detalhe. Um avião decola, sobrevoa um mundo verdejante e selvagem e, pouco a pouco, somos apresentados a Hig, interpretado por Jacob Elordi, um mecânico que vive em uma pequena base de aviões ao lado de Bangley, vivido por Josh Brolin, um ex-fuzileiro naval. Eles têm tudo o que precisam: mantimentos, armas e até energia elétrica. De tempos em tempos, ele pega o avião e vai até Denver, a metrópole mais próxima, em busca de mais suprimentos. Só que, em uma dessas viagens, capta uma transmissão de rádio. Bangley recomenda que ele não se meta nisso, mas Hig é curioso. Eu sou curioso, então entendo perfeitamente. E essa curiosidade, agravada pelo fato de ter perdido a esposa e viver apenas com o cachorro Jasper, fala mais alto e o faz ir atrás.</p>



<p class="has-text-align-center">Quando o avião apresenta um problema, Hig acaba encontrando Pops, interpretado por Guy Pearce, e sua filha Cima, vivida por Margaret Qualley. Eles também vivem isolados, em uma fazenda, tentando sobreviver com os recursos que conseguiram preservar. A conexão entre Hig e Cima é imediata: ela também perdeu o seu companheiro. E, a partir desse encontro, a história começa a tomar caminhos que algumas vezes correspondem àquilo que esperávamos e outras vezes nos surpreendem completamente. Eles terão de enfrentar grupos de sobreviventes que parecem ter sido transformados pela pandemia, pessoas que vivem de maneira quase animalesca, saqueando e atacando quem aparece pelo caminho. Só que há uma outra surpresa.&nbsp;<em>Ponto Sem Retorno</em>&nbsp;tem uma alma de western, de um faroeste antigo. E aqui eu vou me apropriar do insight de um amigo: Hig é um cavaleiro solitário. A diferença é que ele não monta um cavalo, pilota um avião.</p>



<p class="has-text-align-center">E essa comparação com o Western não para aí. Uma das tribos nômades se veste e age como os indígenas dos antigos filmes de faroeste. Eles atacam, perseguem e querem tomar aquilo que encontram pelo caminho. Há também outro grupo que parece formado por zumbis, embora não sejam zumbis. São pessoas que agem com a fúria e a pouca inteligência que estamos acostumados a encontrar nos filmes de mortos-vivos. Portanto, temos um filme pós-apocalíptico que tem um quê de western, um quê de filme de zumbi, mas que oficialmente não é nada disso. E Ridley Scott faz tudo isso de uma maneira belíssima. <em>Ponto Sem Retorno</em> dura 1h59 e começa devagar. Essa lentidão não me incomodou nem um pouco, embora talvez incomode parte do grande público. O importante é que o filme vai ganhando forma, vai acelerando e, quando percebemos, estamos completamente presos à cadeira.</p>



<p class="has-text-align-center">E aí vem uma das grandes cenas do filme, envolvendo a excelente Allison Janney. Não vou falar praticamente nada sobre ela porque a graça está justamente na surpresa. Tudo nasce, mais uma vez, da curiosidade de Hig. Quando ele consegue descobrir a origem daquela transmissão de rádio e chega ao local acompanhado de Cima e Pops, eles — e nós, espectadores — têm uma surpresa enorme. É uma das melhores cenas que vi no cinema neste ano e, em alguns momentos, chega a flertar com o surrealismo. Allison Janney aparece pouco, mas, como quase sempre, entrega uma grande atuação. E o restante do elenco também está muito bem: Jacob Elordi, Josh Brolin, Margaret Qualley e Guy Pearce formam um conjunto bastante homogêneo, com atuações maiores ou menores, mas todas muito boas. A fotografia já impressiona nas primeiras tomadas abertas e permanece belíssima durante todo o filme. A montagem funciona perfeitamente e a direção do velho mestre Ridley Scott é segura, como se poderia esperar.</p>



<p class="has-text-align-center">Só faço uma observação final sobre o título. Em inglês, <em>Ponto Sem Retorn</em>o se chama <em>The Dog Stars</em>. Já em Portugal, país famoso por alguns títulos muito peculiares, recebeu o seguinte nome: <em>Na Companhia das Estrelas</em>. Dito isso, vocês precisam assistir ao filme para entender o porquê de os dois nomes lá de fora fazerem mais sentido e serem melhores do que <em>Ponto Sem Retorno</em>. Contudo, isso é apenas um detalhe. Aliás, o que importa é que Ridley Scott fez uma obra belíssima, diferente do que a expectativa inicial poderia sugerir e capaz de misturar pós-apocalipse, Western, suspense, sobrevivência e até um pouco de surrealismo sem perder a mão.  </p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Desliguem os celulares e excepcional diversão.</strong></p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/08/ponto-sem-retorno-ridley-scott-convida-o-espectador-a-observar-cada-detalhe/">Ponto Sem Retorno: Ridley Scott convida o espectador a observar cada detalhe</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://rotacult.com.br/2026/08/ponto-sem-retorno-ridley-scott-convida-o-espectador-a-observar-cada-detalhe/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte! reinventa uma franquia de terror</title>
		<link>https://rotacult.com.br/2026/08/acampamento-miasma-adolescencia-sexo-e-morte-reinventa-uma-franquia-de-terror/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=acampamento-miasma-adolescencia-sexo-e-morte-reinventa-uma-franquia-de-terror</link>
					<comments>https://rotacult.com.br/2026/08/acampamento-miasma-adolescencia-sexo-e-morte-reinventa-uma-franquia-de-terror/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://rotacult.com.br/?p=202226</guid>

					<description><![CDATA[<p>Como ser diferente e, ao mesmo tempo, atender às expectativas do público? Em uma época em que os slashers voltaram à moda, franquias como Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado ganharam novos capítulos e foram revitalizadas, parece difícil encontrar uma maneira de fazer algo novo dentro de um gênero que [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/08/acampamento-miasma-adolescencia-sexo-e-morte-reinventa-uma-franquia-de-terror/">Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte! reinventa uma franquia de terror</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Como ser diferente e, ao mesmo tempo, atender às expectativas do público? Em uma época em que os slashers voltaram à moda, franquias como <em>Pânico </em>e <em>Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado</em> ganharam novos capítulos e foram revitalizadas, parece difícil encontrar uma maneira de fazer algo novo dentro de um gênero que já foi explorado tantas e tantas vezes. Ao que tudo indica, a cineasta e roteirista norte-americana Jane Schoenbrun encontrou uma resposta em seu terceiro e aguardadíssimo longa-metragem, <em>Acampamento Miasma – Adolescência, Sexo e Morte</em>.</p>



<p class="has-text-align-center">A premissa da história não é alguma coisa exatamente complicada. Kris, interpretada por Hannah Einbinder, é uma jovem cineasta queer contratada para ressuscitar uma antiga franquia slasher de sucesso que, com o passar do tempo, caiu no esquecimento, começou a dar prejuízo e passou a ser acusada de misoginia e transfobia. Para fazer esse reboot, ela quer contar com Billy Presley, vivida por Gillian Anderson, a estrela do primeiro filme da fictícia franquia&nbsp;<em>Acampamento Miasma</em>. E é aí que começa a ficar interessante.</p>



<p class="has-text-align-center">Depois de fazer muito sucesso e ser banhada pelas luzes dos holofotes, Billy misteriosamente abandonou tudo e se tornou uma personalidade reclusa. Kris consegue uma reunião com ela e vai ao seu encontro. O que ela não sabe — e que vai descobrir de maneira estupefata, assim como nós, espectadores — é que a antiga estrela vive justamente no acampamento que serviu de locação para os filmes da franquia. A partir daí, Jane Schoenbrun brinca com tudo aquilo que os fãs de slashers conhecem. Não dá para falar em um acampamento de verão sem lembrar imediatamente de&nbsp;<em>Sexta-Feira 13</em>&nbsp;e do suposto afogamento de Jason. Jamie Lee Curtis, a eterna final girl de&nbsp;<em>Halloween</em>, e Neve Campbell, a protagonista de tantos filmes de&nbsp;<em>Pânico</em>, também são citadas. Os easter eggs estão espalhados pelo caminho, e a diretora não tenta escondê-los. Pelo contrário, parece se divertir com eles.</p>



<p class="has-text-align-center">Mas onde Jane Schoenbrun consegue ser diferente? Primeiro, na metalinguagem. E ela é uma arma fundamental em <em>Acampamento Miasma – Adolescência, Sexo e Morte</em>. Boa parte daquilo que acompanhamos pelos olhares de Billy e Kris é justamente o filme original da fictícia franquia <em>Acampamento Miasma</em>. Ou seja, temos dois filmes diante de nós: aquele que estamos assistindo no cinema e aquele que existe dentro da própria história e que Kris pretende reconstruir. E há ainda outra camada.</p>



<p class="has-text-align-center">O filme fictício que a jovem diretora quer fazer é queer. E o filme que Jane Schoenbrun fez também é queer. Apresentado no último Festival de Cannes, onde recebeu boa recepção crítica, ele ganhou a Palma Queer, prêmio destinado a obras com temática LGBTQ+. A brincadeira metalinguística vai ainda mais longe porque Kris funciona praticamente como um alter ego da diretora. As duas são jovens cineastas, cresceram assistindo a filmes de terror, se identificam como pessoas queer, praticam o poliamor e não mantêm relações particularmente próximas com suas famílias. Fica difícil não enxergar o paralelo.</p>



<p class="has-text-align-center">E existe ainda outra referência que me chamou a atenção. Billy Presley, a antiga estrela da franquia, parece ter saído diretamente de&nbsp;<em>Crepúsculo dos Deuses</em>. Ela é, de certa maneira, a Norma Desmond de Jane Schoenbrun. Assim como a personagem de Gloria Swanson, Billy vive reclusa, cercada pelas lembranças de uma carreira que já foi muito mais gloriosa. Até o visual ajuda a estabelecer essa conexão. Portanto, se o filme brinca com referências aos slashers, também dialoga com um clássico que muitos consideram um drama, mas que não estaria completamente errado se fosse chamado de filme de terror. É mais uma camada de uma obra que parece estar o tempo inteiro brincando com o cinema dentro do próprio cinema.</p>



<p class="has-text-align-center">E não esperem respostas fáceis.&nbsp;<em>Acampamento Miasma – Adolescência, Sexo e Morte</em>&nbsp;não é um filme interessado em explicar tudo ao espectador. Pelo contrário. Se a intenção é se afastar das franquias tradicionais de slasher, Jane Schoenbrun consegue fazer isso justamente ao abandonar a obrigação de entregar respostas para todas as perguntas. Você vai sair do cinema e provavelmente ficará quebrando a cabeça, tentando entender o que aconteceu. É isso mesmo? Foi aquilo? E sabe de uma coisa? Todas as respostas podem ser válidas.</p>



<p class="has-text-align-center">Não existe necessariamente certo ou errado em&nbsp;<em>Acampamento Miasma – Adolescência, Sexo e Morte</em>. Existe interpretação. A própria filmografia da diretora parece caminhar nessa direção. O objetivo não é explicar. É confundir. Mas confundir no bom sentido: fazer o público pensar. Eu fui assistir ao filme e passei boa parte dele com uma palavra na cabeça. Quando Kris se reúne com os produtores, alguém fala que ela está fazendo uma obra surrealista. Era exatamente essa a palavra que eu procurava. Surrealismo. Uma obra surrealista.</p>



<p class="has-text-align-center">Eu senti falta apenas de uma coisa na nova obra de Jane Schoenbrun: um pouco mais de tensão sexual. Acho que o filme pedia. Sem essa dose extra de tensão, parece uma obra saída de uma viagem distópica pelos estertores da Nova Hollywood. Com ela, se assemelharia mais a um clássico da Boca do Lixo e talvez tivesse problemas com a classificação por parte da censura nos Estados Unidos. De qualquer forma, essa característica peculiar é reforçada pela belíssima fotografia de Eric Yue, parceiro da diretora, e esse é um longa que, definitivamente, não parece nada interessado em ser igual aos outros.</p>



<p class="has-text-align-center">Se você espera encontrar um slasher igual a tantos outros por aí, esqueça. Jane Schoenbrun, certamente, está interessada em outra coisa. Se todo mundo vai gostar, eu sinceramente não sei. É uma proposta bastante particular e provavelmente dividirá o público. Porém, para quem gosta de filmes que não entregam tudo mastigado, que provocam, confundem e continuam na cabeça mesmo depois dos créditos finais, <em>Acampamento Miasma – Adolescência, Sexo e Morte</em> é uma experiência que vale muito a pena.</p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e excelente diversão.</p>
<p>O post <a href="https://rotacult.com.br/2026/08/acampamento-miasma-adolescencia-sexo-e-morte-reinventa-uma-franquia-de-terror/">Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte! reinventa uma franquia de terror</a> apareceu primeiro em <a href="https://rotacult.com.br">Rota Cult</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://rotacult.com.br/2026/08/acampamento-miasma-adolescencia-sexo-e-morte-reinventa-uma-franquia-de-terror/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
