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	<title>Arquivos Backrooms: Um Não-Lugar - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>Backrooms: Um Não-Lugar alimenta o horror do presente explorando traumas e violências emocionais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Backrooms: Um Não-Lugar]]></category>
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<p class="has-text-align-center">Em um mês especial para os fãs de cinema de gênero, o circuito cinematográfico guardou não apenas excelentes opções para o espectador, como o fez através dos menos óbvios títulos, talvez do ano. Em comum narrativamente, nenhum deles tem consonância de histórias, mas algo os reúne além de um possível encontro de sua formação: a sensação constante de estar em um sonho ruim, angustiante. Se isso não é um elogio suficiente para atribuir a um filme de terror, resta acrescentar também que o incômodo generalizado é uma mola propulsora de, entre outros,&nbsp;<em>Backrooms: Um Não-Lugar</em>, estreia na direção de longas de Kane Parsons. De uma maneira sutil e verdadeira, Parsons consegue projetar os seus próprios pesadelos (talvez) em planos regados a uma estranheza contínua e ininterrupta.&nbsp;</p>


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<figure class="alignright size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="650" height="351" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Backrooms.jpg" alt="Backrooms" class="wp-image-199879" style="width:464px;height:auto" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Backrooms.jpg 650w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Backrooms-300x162.jpg 300w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Backrooms-150x81.jpg 150w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /></figure>
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<p class="has-text-align-center">Como, em matéria jornalística, <em>Backrooms: Um Não-Lugar </em>acabou de ser descoberto como o gênero de filme preferido do público brasileiro na hora de escolher algo para assistir, é salutar que algo como <em>Backrooms: Um Não-Lugar </em>dê as caras, vez por outra. Não apenas pela originalidade do que é proposto, das suas saídas gráficas, mas igualmente por uma aproximação de algo que não é abordado por essa saída. A atmosfera aqui é herdada da série de vídeos que Parsons produziu para o youtube com a mesma forte carga de estranheza que tais imagens se estabelecem, mas também seu entendimento da obra enquanto material cinematográfico passa por uma descoberta narrativa. O insólito não é apenas uma maneira de carregar a ambiência correta para o projeto, mas exatamente a nova camada que é adquirida ali a partir do olhar na direção de algo menos entrincheirado pelas imagens. </p>



<p class="has-text-align-center">Saindo de um conceito mais direto, e talvez até tradicional do gênero, seu autor revela uma faceta psicológica que é redefinida (e até amparada) pela presença de uma profissional da área como personagem. Porque&nbsp;<em>Backrooms&nbsp;</em>se espelha em uma espécie de caixa de Pandora fílmica, cujas descobertas são feitas de maneira gradual por quem assisti. O que é acessado pelos personagens, em diferentes estágios de entrega e revelação, é um outro corpo estranho do que o espectador devaneia; o inferno que Parsons apresenta é um mais perigoso do que sua leitura real, porque ele é desenvolvido por cada um de nós. Dessa maneira, o inferno não são os outros, mas cada um de nós e nossas cabeças perturbadas, que promovem imagens cujo apavoramento é apresentado pelo vazio, pela ausência, pelo eco de si mesmo.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Dessa maneira subjetiva,&nbsp;<em>Backrooms&nbsp;</em>não facilita a vida do espectador que espera que o cinema de gênero ofereça catarse gratuita e vazia. Assim como&nbsp;<em>Obsessão&nbsp;</em>e&nbsp;<em>Hokum</em>, dois outros ótimos filmes em cartaz &#8211; muito mais diretos &#8211; a experiência do espectador, prévia e dentro da sala em particular, induzem às interpretações. Ainda que isso seja um chamamento para qualquer filme, o que acontece na narrativa de Parsons é apenas organizar uma base para que sua dupla de protagonistas (os indicados ao Oscar Renate Reinsve, por&nbsp;<em>Valor Sentimental</em>, e Chiwetel Ejiofor, por&nbsp;<em>12 Anos de Escravidão</em>) se permitam uma linha de raciocínio; mínima. Mas nas entrelinhas da informação, o filme deixa escapar que nossas próprias experiências definem não apenas quem somos, mas a maneira como encaramos a solução dos problemas, e a forma como eles assombrarão nossa vida, além do que as fugas de tais medos representam para o futuro, a longo ou curto prazo.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Um labirinto de salas vazias é descoberto. Onde eles estão? São de ordem física ou metafísica? Materialmente, ficam conectados a uma loja de móveis que não vende, mas através de um portal desconhecido é possível encontrá-lo e perder-se nele. Esses quartos dos fundos, como diz o título original, são inacessíveis ao olho nu &#8211; porque precisam ser descobertos pela reflexão, pelo que as dores pregressas fizeram questão de esconder.&nbsp;<em>Backrooms&nbsp;</em>se alimenta do que os seus personagens viveram no passado para alimentar o horror do presente, os traumas, as violências emocionais, a sensação de derrota que nos leva ao esconderijo da alma. Estarão nesse lugar abandonado as motivações para que sejamos vítimas do horror, todos os dias, porque a falência literal ou emocional estão vívidas para esse encontro final, entre o que nos tornamos e o que nos deixamos ser.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Ejiofor e Reinsve, grandes atores que são, não exatamente tem aqui um veículo, porque podemos dizer que <em>Backrooms: Um Não-Lugar </em>é, certamente, um acordo tácito entre seu realizador e o espectador. Ele fornece a energia e o estranhamento necessários para que uma hipnose se inicie, e do lado de fora da tela percorremos o labirinto da memória torcendo para conseguir escapar do que passamos tanto tempo tentando esquecer. Aliás, Nenhum &#8216;jump scare&#8217; é capaz de contribuir para a perturbação gradual da experiência coletiva do desconhecido que está abrigado nas dores de um passado que parecia enterrado. Com a construção da atmosfera certeira, que une cenários vazios com as possibilidades dele ser habitado (e pelo quê), o espectador que se deixar levar encontrará as consequências do que Charlie Kaufmann faria numa madrugada de horror. Investigar a si mesmo é a porta de entrada para revelações que não gostaríamos de ter, e ainda que não aceitemos a ideia de montanha-russa de Kane Parsons, a beleza de sua estrutura é inebriante demais para ignorar. </p>
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