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	<title>Arquivos Daniel MacIvor - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>&#8220;As Pequenas Coisas&#8221; é uma equação de rigor e requinte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Apr 2025 12:35:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[As Pequenas Coisas]]></category>
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<p class="has-text-align-center">Quando um espetáculo nos entrega um exercício de argúcia (em forma de diálogo) como &#8220;chamam egoísmo de ansiedade&#8221;, não resta dúvida de que ali existe vontade, potência e ato, num trinômio que, submetido à carpintaria do realismo, produz uma autópsia em corpo vivo da sociedade ao nosso redor. A citação entre aspas acima é um dos achados que a atriz Ana Carbatti extraiu da dramaturgia do canadense Daniel MacIvor ao traduzir a peça &#8220;Small Things&#8221; (  &#8220;Pequenas Coisas&#8221; ) da língua inglesa para a coloquialidade (sem vulgaridades) dos nossos palcos. Sua narrativa faz parte da trilogia &#8220;Try&#8221;, que inclui &#8220;Communion&#8221; e &#8220;Was Spring&#8221;. O tema: vulnerabilidade(s). É desse assunto que MacIvor extraiu pérolas já encenadas aqui como &#8220;In on it&#8221; e &#8220;Cine Monstro&#8221;.<br><br>Concentrado em &#8220;inconveniências&#8221; no dia a dia de três mulheres, &#8220;Pequenas Coisas&#8221; (tradução literal de &#8220;Small Things&#8221;) se estrutura nas vias da elegância, na encenação de Inez Viana, com o design de luz de Lara Cunha a acentuar conflitos e sazonais arejamentos afetivos. A iluminação acentua o clima tenso da convivência entre as protagonistas, numa arena cenografada com fina escolha de elementos por Marieta Spada. </p>



<p class="has-text-align-center"> O triângulo de ação que a direção de Inez arquiteta desossa falas do tipo &#8220;a vida é como uma pétala, uma lágrima&#8221;. São, certamente, desabafos de angústia num mar de farpas que inunda a cena quando a professora aposentada Patricia (papel de Carbatti), mais conhecida por seu sobrenome (Sra. Abrantes), muda-se para uma cidade pequena. Em seu novo lar, ela contrata como governanta Berenice (Liliane Rovaris), uma mulher de origem simples, que fala pelos cotovelos, e prefere ser chamada de Nice. A contratação é apresentada ao público numa entrevista de emprego no qual o alto grau de severidade e todo o cartesianismo da antiga educadora são expostos. </p>



<p class="has-text-align-center">Nice é mãe de Bel (Adassa Martins, num esplendor de atuação). Jovem mãe solteira, ela cria suas duas crianças com dificuldades, mas com muito amor. Seu atual dilema é lidar com uma possível transgeneridade/não-binariedade de seu primogênito, um garoto de 8 anos que só quer ser chamado de Alice. A inspiração por um lado parece ser a heroína de Lewis Carroll, mas há, à frente de tudo, um resquício de disforia. Em seu ofício de avó, Nice rejeita ter um neto (neta ou &#8220;nete&#8221;) que rejeita convenções normativas identitárias. Como divide sua casa com Bel e suas crias, ela vive num estado perpétuo de erupção. Seu vulcão interno aquece ainda mais na interseção com Patrícia, que a trata, de início, com muita impaciência. Rusgas de classe se misturam com terremotos sentimentais domésticos. &nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Uma mudança nessa relação se ensaia quando Bel precisa substituir a mãe, numa diária, na casa de Patrícia, apresentando à patroa de sua mãe o óleo de canabis como uma solução para as dores (até existenciais) que sente, galvanizadas pelas limitações de seus movimentos e pela dependência de uma bengala. Frestas de afetuosidades que eram minúsculas se transformam em vales verdejantes de tolerância conforme a sagacidade de Bel dá&nbsp;<em>match&nbsp;</em>com o racionalismo de armadura de uma docente reformada.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">A aproximação de ambas, nas raias da amizade, desbrava veredas para Nice se encaixar no que se impõe como um estudo da sororidade. Um estudo que nunca perder a maternidade do foco, nem os múltiplos sintomas do que alguns chamam de &#8220;contemporaneidade&#8221;, outros de &#8220;novo normal&#8221; e que, no fundo, é um porvir. </p>



<p class="has-text-align-center">Carbatti e Liliane alcançam covalência plena na equação estequiométrica de forças femininas que a vida surrou sem pena. Adassa é o reator nuclear que depura o som e a fúria de ambas. Taí uma peça que pega a gente pelo rigor, em todos os quesitos. </p>



<p><a href="https://rotacult.com.br/2025/04/as-pequenas-coisas-obra-de-daniel-macivor-estreia-no-sesc-copacabana/">Saiba mais sobre a peça!</a></p>
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