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	<title>Arquivos Dostoiévski - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Arquivos Dostoiévski - Rota Cult</title>
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		<title>&#8220;Noites Brancas&#8221;, obra-prima lírica de Dostoiévski, ganha nova edição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rota Cult]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 13:46:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lançamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA["Noites Brancas"]]></category>
		<category><![CDATA[Dostoiévski]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Escrito em 1848, &#8220;Noites Brancas&#8221; é considerado um dos textos mais sensíveis e poéticos de Fiódor Dostoiévski. Em contraste com os romances densos e filosóficos que marcam a carreira do autor, a obra apresenta uma narrativa profundamente emotiva, revelando um olhar compassivo sobre as fragilidades humanas.  Publicada pela Via Leitura (Grupo Editorial Edipro), a edição apresenta uma tradução direta do [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Escrito em 1848, &#8220;Noites Brancas&#8221; é considerado um dos textos mais sensíveis e poéticos de Fiódor Dostoiévski. Em contraste com os romances densos e filosóficos que marcam a carreira do autor, a obra apresenta uma narrativa profundamente emotiva, revelando um olhar compassivo sobre as fragilidades humanas. </p>



<p class="has-text-align-center">Publicada pela Via Leitura (Grupo Editorial Edipro), a edição apresenta uma tradução direta do russo, assinada por Rafael Bonavina, doutorando em Letras Estrangeiras e Tradução pela FFLCH-USP. Desta forma, a cadência lírica e a sutileza das palavras escolhidas por Dostoiévski são preservadas e permitem ao leitor brasileiro se conectar com a musicalidade e a delicadeza da prosa. </p>



<p class="has-text-align-center">A Noite Branca é um fenômeno comum em locais próximos às regiões polares, nos quais o Sol, mesmo se pondo, permanece pouco abaixo da linha do horizonte, resultando em noites iluminadas e oníricas. Nesse cenário, um jovem sonhador que, durante quatro noites de encontros fortuitos, vive uma intensa história de amor e esperança ao lado de Nástienka, uma jovem dividida entre a espera pelo retorno de um antigo amor e a possibilidade de um novo começo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Essa aproximação entre dois é marcada pelo contraste entre a paixão idealizada e a realidade frustrante. É um retrato da delicadeza dos encontros humanos, mas também da dor de quem ama sozinho.  </p>



<p class="has-text-align-center">Para os amantes de romance, a narrativa é um mergulho intenso na solidão, nos desejos inatingíveis e nas ilusões que muitas vezes sustentam a vida cotidiana. Ao mesmo tempo em que emociona, questiona a fronteira entre os delírios de amor e os fatos, temas que atravessam grande parte da produção literária do autor.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, nova edição de &#8220;Noites Brancas&#8221; reafirma a atualidade e a força de Dostoiévski, aproximando novas gerações de um texto que, mesmo escrito há quase dois séculos, continua a ressoar com intensidade nos corações dos apaixonados. </p>
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		<title>Os Irmãos Karamázov: Dostoiévski passa por um filtro pop</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jan 2025 18:39:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Caio Blat]]></category>
		<category><![CDATA[Dostoiévski]]></category>
		<category><![CDATA[Os Irmãos Karamázov]]></category>
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<p class="has-text-align-center">Documentarista sem câmera, responsável pela película sem sal de prata de uma época no qual um império olhou(-se) para o precipício, Fiódor Dostoiévski (1821-1881) virou peça. Ganhou uma engenharia jogralesca em que atrizes e atores fazem da fricção uma forma de acender uma centelha contemporânea numa fogueira moderna. &#8220;Os Irmãos Karamázov&#8221;, o tal espetáculo, muito crocante, começa numa ladainha e se abre a autopsias em corpo vivo não da História (como faz o livro homônimo de onde brota), mas de gente(s). <br><br>Não cabe falar no pleito pós-moderno ao analisar o que se vê, pois essa rotulação soa como etiqueta <em>noventista</em>, como rótulo dos paradigmas de simulacro em voga nos anos de 1990. Hoje se fala em fluidez e o que Marina Vianna e Caio Blat trazem para a direção é líquido, atento ao evangelho das concepções fluidas do presente. <br><br>Aliás, sua maior destreza (e o espetáculo tem muitas, a começar do esplendor no desenho de luz de Sarah Salgado e Gustavo Hadba) é portar a voz de sua época, retratar o hoje. Como teatro é (sempre) proveta, pela essência que essa arte tem de ser instantânea (e conseguir, ainda assim, ser perpétua em sua momentaneidade), o que se extrai da ciranda multimídia executada é uma investigação daquilo que a sociedade ocidental (do agora) fez da ideia de ruína, de onipotência e de desamparo. O século XIX de Dostoiévski vira Mate Leão na montagem. Os rearranjos de uma Europa entre unificações e revoluções é passado num filtro Pop. O resultado é, certamente, refrescante e nada esquecível. <br><br>Houve uma maleabilidade das artes cênicas com Dostoiévski que o cinema não soube ter, à exceção do belíssimo filme brasileiro &#8220;Nina&#8221; (2004), de Heitor Dhalia, que deriva de &#8220;Crime e Castigo&#8221;. Ali, mascava-se uma massa sólida (sobre o ranço de culpa e de perdão que baliza as culturas do Velho Mundo, da Eurásia e de um Brasil colonial) qual um chiclete Bubbaloo com recheio de desilusão. Marina e Blat fazem a mesma coisa, só que de forma mais dionisíaca. <br><br>O clã Karmázov dela e dele é mais iluminado. Reflete a polifonia vaga e gaga dos dias atuais, ou seja, a palavra se esgarça, num puxa-estica-solta-e-enrola que relativiza o que lhe é absoluto.   <br>Na telona isso jamais aconteceu, ainda que Dostoiévski tenha contado com o olhar de um titã, Luchino Visconti, ganhando dele um filme definitivo: o &#8220;Noites Brancas&#8221; de 1957. <br><br>Nos tempos em que o Estado socialista assumiu o cinema como a mais potente engenhoca de propaganda do século XX, &#8220;Os Irmãos Karamázov&#8221; fizeram parte essencial do repertório fílmico da União Soviética numa fase já outonal de sua produção audiovisual épica a partir de uma adaptação dirigida por Ivan Pyryev, em parceria com Kirill Lavrov e Mikhail Ulyanov, em 1969. </p>



<p class="has-text-align-center">O sucesso de bilheteria em terras eslavas, somada a uma indicação ao Oscar em 1970, permitiu que o longa-metragem passasse pelas franjas da Cortina de Ferro de um mundo polarizado pela Guerra Fria. No entanto, esse mastodonte (com três horas e 52 minutos) não preservou seu relevo na memória daquela filmografia associada à Revolução de Outubro, empalidecendo no tempo, sobretudo diante de conterrâneos como &#8220;Quando Voam As Cegonhas&#8221; (Palma de Ouro de 1958) ou &#8220;Andrei Rublev&#8221; (1966).<br><br>Melhor sorte teve uma versão lançada por Richard Brooks, um americano da Filadélfia, em 1958, graças à escalação de Yul Brynner (o curió de &#8220;O Rei e Eu&#8221;) e de um William Shatner (o Capitão Kirk) ainda num período de galeto a belo canto, antes de assumir os controles da nave Enterprise. Mesmo popular, essa adaptação hollywoodiana nunca chegou a dar à prosa de Dostoiévski uma tradução cinematográfica à altura do que sua escrita produziu para a consolidação da Modernidade. <br><br>O legado dele vai além da retidão do verbo na descrição da perplexidade humana. Sua herança mais valiosa é a postulação da tolerância como acordo moral para viabilizar a sobrevivência. É desse postulado que parte a montagem dos Karmázov em cartaz na Arena do Sesc Copacabana até 25 de janeiro. Blat assina a dramaturgia com Manoel Candeias. Tira dela uma frase que lhe (e nos) serve de astrolábio (para a vida): &#8220;Não sei o que eu faria com quem inventou essa história de Deus&#8221;.<br><br>Blindados em figurinos alvíssimos de Isabela Capeto (também responsável pela direção arte), o elenco de 13 artistas parte para cena para entender o que vai ser do nosso futuro sem lastros e sem o Rivotril da fé. O que será do mundo quando se instaurar a certeza de que &#8220;livre arbítrio&#8221; deixou de ser um patrimônio épico da Humanidade com a hipótese da Morte (ou inexistência) do Divino, do Absoluto? É Dostoiévski quem faz a pergunta. Em seu romance sobre fraternidade (ou a falta dela), o escritor desafia sua Rússia a viver sem o colete salva-vidas da existência do Senhor. Se Deus não é por nós, quem será? Fiódor Pavlovitch Karamázov, personagem interpretado com esplendor por Babu Santana na peça de Marina e Blat #squn <em>(só que não)</em>.</p>



<p class="has-text-align-center">Na canhestra soberba de coronel que tem, esculpida com arrogância por Babu, o patriarca dos Karamázov é o signo de um viver que a população russa desaprendeu a ter quando Lênin chegou. Antes do Outubro de 1917 (data do supracitado levante revolucionário leninista), ele era o retrato de uma mesquinharia crônica. Era um sovina orgulhoso dos tostões em sua algibeira, tratando os filhos (Dmitri, Ivan e Aliêksei), os manos do título, como fardos que dispensa carregar. A aridez com que os trata piora quando embarca numa espiral de paixão cega por Gruchénka. A personagem carrega a flama tempestuosa da transição de séculos, flertando com o empoderamento dos modernos.&nbsp;<br><br>Gruchénka simboliza contornos de ruptura com a objetificação na montagem de Marina e de Blat, que assegura às atrizes Luisa Arraes e Sol Miranda sucessivas apoteoses. Delas recebemos uma ligeireza que atualiza um debate urgente contra submissões, livrando Dostoiévski de um verniz historicista de solenidade.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">A cada corrida pelas escadas da Arena do Espaço Sesc vem uma lufada de incerteza, questionando instituições (a família, sobretudo) há muito enferrujadas. Quando baixa Eurythmics em cena aí o pagode russo baixa em&nbsp;<em>Copa</em>&nbsp;de vez, fazendo reinar a irreverência de uma encenação inquieta, viva. &nbsp;</p>



<p><a href="https://rotacult.com.br/2025/01/os-irmaos-karamazov-classico-da-literatura-mundial-chega-aos-palcos/">Saiba mais sobre a peça!</a></p>
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