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	<title>Arquivos dreams - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>Dreams, capítulo final da trilogia “Sex, Love, Dreams”, do diretor Dag Johan Haugerud, chega aos cinemas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jun 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
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<p class="has-text-align-center">Antes de mais nada, uma constatação e que também é uma carta aberta reclamatória: porque o Festival de Berlim, que é um dos três maiores festivais do mundo (ao lado de Cannes e Veneza), não tem a mesma dedicação da distribuição brasileira? Dos últimos dez vencedores do Urso de Ouro, cinco não estrearam no circuito cinematográfico no Brasil. <em>Dreams</em>, que estreia essa semana, é o primeiro desde <em>Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental</em>, há quatro anos atrás. E ainda bem que o filme de Dag Johan Haugerud chega até nós, de maneira rápida e ainda celebrado também pelo Festival Imovision de Cinema Europeu, onde foi o filme mais assistido. Sua recepção aqui é merecida, e não apenas pelos prêmios que o filme recebeu, mas pela alta qualidade que o filme reluta em assumir ter. </p>


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<figure class="alignright size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="744" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-1024x744.webp" alt="Dreams" class="wp-image-190149" style="width:515px;height:auto" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-1024x744.webp 1024w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-300x218.webp 300w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-768x558.webp 768w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-1536x1116.webp 1536w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-2048x1488.webp 2048w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-578x420.webp 578w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-150x109.webp 150w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-696x506.webp 696w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-1068x776.webp 1068w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-1920x1395.webp 1920w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Dreams-324x235.webp 324w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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<p class="has-text-align-center">O filme faz parte de uma trilogia informal de Haugerud, os anteriores (<em>Sex </em>e <em>Love</em>) foram lançados há alguns meses no circuito. Aliás, não é necessário estar a par de seus capítulos anteriores, porque eles se unem apenas na vontade de seu realizador em investigar as relações humanas e suas idiossincrasias. Embora seja subjetivo, acho que foi escolhido o episódio certo para ser consagrado, o mais equilibrado dos três, onde suas necessidades são atendidas com maior empenho. O mais sensível também, além do que trata-se de uma produção rara norueguesa que alcança uma projeção internacional, tornando seu autor em porta-voz ao lado de Joachim Trier. </p>



<p class="has-text-align-center">O filme parte de uma premissa simples, Johanne é uma jovem com o sonho de escrever profissionalmente, através de uma entrega confessional. Quando sua relação com a professora de francês começa a ficar menos clara na sua cabeça, esse é o ponto de partida para que ela desenvolva sentimentos nada próprios do ponto de vista ético e geracional. No entanto, isso a inspira a escrever uma história inspiradora, que pode transformar-se na voz de uma geração de jovens escritoras. <em>Dreams</em>, que parece se abrir como um painel jovem de elaboração diversa em sua sexualidade, um palco de descobertas sáficas, acaba se mostrando cada vez mais amplo e cheio de significados, graças a um roteiro que esbarra no brilhantismo. </p>



<p class="has-text-align-center">Tudo é alterado pelas costuras que a narrativa faz, entre descoberta de sexualidade e a manutenção da mesma dentro de um&nbsp;<em>status quo&nbsp;</em>social, aceitável e livre de julgamentos. Quando Johanne apresenta seus desejos à sociedade, e eles situam não apenas um desvio de expectativas, como também uma quebra dos padrões morais etários, o filme promove uma discussão que salta da esfera do roteiro de maneira bastante sutil. Aos poucos,&nbsp;<em>Dreams&nbsp;</em>está discutindo o que é o talento, e como as inspirações podem não ser necessariamente um lugar positivo, também sem ser destrutivo. O filme acompanha esse nascimento de uma nova persona, e neste momento não está falando de diversidade sexual, e sim de uma construção ética questionável.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Dreams&nbsp;</em>mostra que nenhum debate é simples o suficiente, ainda que à primeira vista o sejam. Estamos diante de um tempo rico para essa discussão em torno do que é arte, se uma promessa estreante já pode ser tratada com a intensidade de algo concreto, e de como nossas afirmativas podem estar cheias de pressupostos externos, de indicações sociais ditas modernas e o quanto isso pode ou não mudar a voz de um jovem indivíduo. De aparência e apresentação inocente, o filme se mostra cada vez mais cheio de possibilidades de pensamentos, seja no campo pessoal ou no profissional, e isso tem a ver com todos os pontos tocados, que até a derradeira sequência seguem ocupando diferentes colocações na tela.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Depois de investir em situações verdadeiramente mais leves nas duas partes anteriores, Haugerud parece investir na mesma ideia aqui. O espectador, porém, não conseguirá deixar de perceber esse apelo a uma psicologia um pouco mais apurada, que mostra um recorte menos inocente acerca de uma protagonista que tinha tudo para ser vista como vítima. Circunstancialmente,&nbsp;<em>Dreams&nbsp;</em>não julga sua protagonista, apenas a coloca de uma maneira muito empoderada em cena, ao mover as peças do jogo conforme seus interesses. Mas o autor também não se coloca como protetor do que está sendo urdido, a prova disso é o final agridoce dado justamente aos sonhos de Johanne. Teria ela já direito a realização dos seus, justamente depois de tentar destruir alguns?&nbsp;</p>



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