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	<title>Arquivos Homem com H - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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		<title>Homem com H: Esmir Filho expõe biografia de Ney Matogrosso, com um recorte questionador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco Carbone]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Apr 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma criança se aventura pela floresta, que parece adensar até engoli-la &#8211; ou seria ela um chamado ancestral para um novo ser, sendo gestado de maneira híbrida: meio homem, meio bicho, meio flora, totalmente selvagem. A abertura de&#160;Homem com H&#160;é uma forma de seu cineasta Esmir Filho nos olhar e dizer: &#8220;vocês vieram até aqui [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Uma criança se aventura pela floresta, que parece adensar até engoli-la &#8211; ou seria ela um chamado ancestral para um novo ser, sendo gestado de maneira híbrida: meio homem, meio bicho, meio flora, totalmente selvagem. A abertura de&nbsp;<em>Homem com H&nbsp;</em>é uma forma de seu cineasta Esmir Filho nos olhar e dizer: &#8220;vocês vieram até aqui para assistir uma biografia né?, pois aguarde; esse filme é meu&#8221;. Não se trata de uma apresentação vazia para nos enganar logo em seguida; ao contrário do que podíamos imaginar ou do que o gênero nos acostumou, é melhor preparar-se para uma ligeira saída dos padrões. Se como convém ao formato o filme precisa bater ponto em certas necessidades, elas parecem estar em cena para possibilitar a gradual natureza de seu cineasta, inquieto e questionador como seu objeto de leitura.&nbsp;</p>


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<figure class="alignright size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="888" height="549" src="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/homem-com-h.webp" alt="Homem com H" class="wp-image-188125" style="width:534px;height:auto" srcset="https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/homem-com-h.webp 888w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/homem-com-h-300x185.webp 300w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/homem-com-h-768x475.webp 768w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/homem-com-h-679x420.webp 679w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/homem-com-h-150x93.webp 150w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/homem-com-h-696x430.webp 696w, https://rotacult.com.br/wp-content/uploads/2025/04/homem-com-h-356x220.webp 356w" sizes="(max-width: 888px) 100vw, 888px" /></figure>
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<p class="has-text-align-center">O título já diz que a figura em questão é Ney Matogrosso, um dos grandes artistas de todos os tempos da música brasileira. Além da beleza do intérprete ainda estar em plena forma física, na ativa e ainda manter suas características essenciais enquanto de contestador aos 83 anos, a proximidade dele ao projeto como uma espécie de consultor liberta a produção de certas necessidades narrativas, e de questões menos prosaicas de arranjo de roteiro. A própria natureza de Ney não permitiria um olhar para sua vida e obra que não representasse os valores que ele ainda defende e honra. Na tela, caminham em paralelo as obrigações desse recorte a uma vontade de responder apenas ao que é arte, ao que é essência e furor.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Filho tem uma carreira de vinte anos, mas <em>Homem com H </em>é apenas seu quarto longa metragem. Logo em sua estreia, com <em>Os Famosos e os Duendes da Morte</em>, o diretor ganhou o Festival do Rio. Aqui, ele parece introduzir uma atmosfera de sonho a sua obra que já estava na estreia, criando a raiz de voz autoral dentro de uma produção de larga comunicação. O resultado é uma tentativa de integração de públicos que eu entendo como bem sucedida, no sentido de que são universos que o autor conseguiu aproximar. Graças às inspirações do artista, Filho aproxima-se de uma selvageria visual que não é o que se imagina de um título de pretensões populares. </p>



<p class="has-text-align-center">Contribuem para essa atmosfera que passeia entre camadas de sonho tanto a fotografia de Azul Serra (de&nbsp;<em>Aos Teus Olhos</em>) quanto a direção de arte de Thales Junqueira (de&nbsp;<em>Bacurau&nbsp;</em>e&nbsp;<em>Aquarius</em>), dois dos melhores em suas áreas hoje. Eles não apenas reproduzem com fidelidade momentos de um passado documentado, criando texturas de imagens condizentes com o período e um aspecto reconhecível ao que está em cena, como eles conduzem essa jornada de descobertas de Ney ao longo de três décadas, conjurando realismo e fantasia de maneira profunda. Existe tanto a sensação de ser arremessado para um outro tempo-espaço perdido no calendário, como também a certeza de descobertas profundas na cadência entre luzes e cores.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Aliás, existe a certeza de estarmos diante do que conseguimos acompanhar, que é a auto descoberta de um artista fora do comum, sua ascensão e suas posteriores quedas emocionais. Acompanhando em paralelo, a construção emocional de um homem que assistiu de perto o horror da violência desde cedo, e com isso criou as próprias armas de defesa. <em>Homem com H,</em> certamente, tem a inteligência de não se conformar com as amarras de uma biografia tradicional, além de ambicionar o voo de seu personagem através da sua liberdade artística.</p>



<p class="has-text-align-center">Além disso, consegue compor um quadro de beleza inequívoca a partir de um homem que fez da própria imagem uma bandeira e uma máscara. Conseguir capturar as rédeas de uma biografia e transformá-la em material autoral é uma prova de que Filho ainda não mostrou todos os predicados que lapida ao longo da carreira. </p>



<p class="has-text-align-center">Com um elenco irrepreensível e em excelência, que incluem as presenças brilhantes de Rômulo Braga e Hermila Guedes, o filme não funcionaria se seu protagonista não fosse uma extensão daquele corpo e daquela gênese. Jesuíta Barbosa nos desnorteia há muitos anos, tendo já participado de momentos antológicos em <em>Praia do Futuro </em>e <em>Tatuagem</em>. Sua encarnação de Ney Matogrosso não apenas é um retrato de sobrevivência dentro do risco, como uma carta de amor ao seu personagem, tamanho é a entrega, dedicação e finesse com que compõe o que vemos. Diante de uma performance sem amarras como essa, Jesuíta Barbosa nos convida a adentrar a sua sabedoria cênica em cada momento do longa, é um mergulho de verdade dentro da história de Ney Matogrosso. <em>Homem com H</em> é um bálsamo que tanto Filho quanto Barbosa fazem juntos ao prestar uma homenagem pulsante por ser tão genuína enquanto peça cinematográfica, sem jamais tentar domar a incandescência de um homem sem par. </p>



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