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	<title>Arquivos nazismo - Rota Cult</title>
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	<description>Aqui você encontra dicas culturais na cidade do Rio de Janeiro!</description>
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	<title>Arquivos nazismo - Rota Cult</title>
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		<title>Stella: Vítima e Culpada, um drama real sobre o Nazismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Giacobbo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Jun 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vocês já pararam para pensar no que fariam para salvar a sua família? O que um homem ou uma mulher seriam capazes de fazer para salvar a vida de seus pais, de seus irmãos ou de um amor? E se levarmos essa situação para o extremo? Ao longo de toda a Segunda Guerra Mundial, no [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center">Vocês já pararam para pensar no que fariam para salvar a sua família? O que um homem ou uma mulher seriam capazes de fazer para salvar a vida de seus pais, de seus irmãos ou de um amor? E se levarmos essa situação para o extremo? Ao longo de toda a Segunda Guerra Mundial, no período de 1939 a 1945, muitas pessoas foram perseguidas. A Alemanha Nazista, sistematicamente, caçou, prendeu e matou aqueles que eram considerados diferentes. No entanto, Adolf Hitler elegeu um inimigo número um: os judeus. Estes, mais do que qualquer outros, foram mandados para campos de concentração e exterminados. Assim, voltando a pergunta que abre este texto, se vocês fossem judeus, lá por volta do ano de 1943, seriam capazes de entregar o seu próprio povo para salvar a sua família? É partindo dessa situação nada hipotética e absolutamente real, que o filme <em>Stella: Vítima e Culpada</em>, dirigido pelo cineasta alemão Kilian Riedhof, começa a contar a sua história. </p>



<p class="has-text-align-center">Baseado na vida de Stella Goldschlag (Paula Beer), a trama acompanha essa mulher, jovem, loira, deslumbrante e dona uma voz de anjo. Seu sonho é se mudar para os Estados Unidos e cantar Jazz do outro lado do Atlântico, mas enquanto não o realiza, ela tem a sua banda em casa mesmo. E é neste grupo que conhece o seu marido, Manfred Kübler (Damian Hardug). No início da história, em 1939, a vida da protagonista parece uma grande festa e o filme tem esse ar: frugal, bem leve e festivo. São muitas cenas musicadas, todas bastante animadas. Com o aumento da perseguição, a vida de Stella e de todos a sua volta muda. Após a prisão do esposo, ela adota uma nova identidade e passa a vender documentos falsos para outros judeus. Nessa atividade acaba conhecendo o seu segundo marido, Rolf Isaaksohn (Jannis Niewöhner). Juntos, cheios de tesão, parecem felizes, mas, aqui, o filme já tem outra cara, muito mais tensa, só que uma nova virada se aproxima. </p>



<p class="has-text-align-center">Essa nova virada ou guinada, como vocês preferirem, ocorre em 1943, quando Stella e seus pais, Gerhard Goldschlag (Lukas Miko) e Toni Goldschlag (Katja Riemann), são presos pela Gestapo. Duramente espancada, com medo de ser enviada para o campo de concentração de Auschwitz, ela reluta um pouco, mas acaba aceitando colaborar com os nazistas entregando outros judeus. Em troca da garantia de que seus progenitores permaneceriam em segurança, Stella usa da beleza para atrair as suas vítimas. Aí é óbvio que essa traição gera enorme revolta entre os membros da comunidade judaica. Neste momento da trama, o clima que já era tenso fica ainda mais tenso. São várias as cenas de&nbsp;<em>Stella: Vítima&nbsp; e Culpada</em>&nbsp;impregnadas de muita ação, quase elétricas, tudo favorecido pela montagem da editora Andréa Mertens. E a edição não se destaca somente neste momento, pois nas cenas alegres já dá para antever a importância do trabalho de Mertens em relação ao ritmo pretendido pelo cineasta para a obra como um todo.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Tudo ligado ao regime nazista é deplorável. As ações de Adolf Hitler e seus bitoladas estão entre as páginas mais perversas da história da humanidade. Dito isto, a pergunta que fiz lá no começo até empalidece, afinal, alguma coisa seria capaz de justificar os atos de Stella? Não, aliás, muita gente diria que talvez fosse melhor ela ter morrido com dignidade do que fazer o que fez. Todavia, o trabalho da atriz Paula Beer pode levar alguns espectadores a terem sérias dúvidas. Em uma atuação viceral, Beer justifica o título do filme em português. A personagem é, em muitos momentos, vítima e, em outros tantos, culpada. O ser humano é dotado de um senso de sobrevivência e de autopreservação absurdo, o que pode levar uma pessoa a fazer coisas antes impensáveis só para sobreviver. Desta forma, acaba sendo bastante difícil colar nela o rótulo de mártir ou de monstro. No final das contas, o que temos é um estudo de personagem de extrema complexidade e relevância.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Assistir ao longa-metragem <em>Stella: Vítima e Culpada</em> e não pensar em <em>A Espiã, </em>do holandês Paul Verhoeven, é quase impossível. Há muitas semelhanças, a começar pela trama que tem como protagonista uma mulher judia e o seu envolvimento muito particular com os inimigos nazistas. Há também uma questão que passa pela semelhança física das atrizes Paula Beer e Carice van Houten, respectivamente, e pela caracterização das personagens. E, em uma comparação bem isenta, o filme do cineasta alemão talvez não seja tão badalado quanto o do holandês, em função somente dos currículos dos seus dois realizadores. Afinal, em termos de técnica e dramaturgia, o primeiro não deve nada ao segundo. Fiquem de olho na última cena da protagonista e na forma como ela se liga de modo análogo a uma outra tomada anterior. </p>



<p class="has-text-align-center">Desliguem os celulares e ótima diversão.</p>
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		<title>&#8220;Bent&#8221; expõe o horror homofóbico num libelo romântico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2025 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[BENT]]></category>
		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[nazismo]]></category>
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<p class="has-text-align-center">Dirigida por Luiz Furlanetto numa taquicardia de perigo imediato, com riscos contínuos a seus protagonistas, a atual montagem de &#8220;Bent&#8221;, no Teatro Vannucci, sublinha com inteligência a dimensão ultra romântica de um texto encenado pela primeira vez em Londres, em 1979, com <em>sir </em>Ian Mckellen (o eterno Gandalf). Filmada por Sean Mathias, em 1997, numa adaptação coroada com o Prix De La Jeunesse na Semana da Crítica do Festival de Cannes, a peça ganhou esse título em referência à gíria europeia que designa homossexuais. Foi batizada assim num empenho de flagrar violências históricas sofridas pela comunidade <em>queer</em>, sobretudo durante o jugo hitlerista, a partir de 1934. Seu autor, o americano da Filadélfia Martin Gerald Sherman, é um cronista de corpos em condição de vulnerabilidade sob a prática da intolerância, sobretudo gays e judeus.</p>



<p class="has-text-align-center">&nbsp;Suas peças de sucesso, como &#8220;Rose&#8221; (1999) e &#8220;Gently Down The Stream&#8221; (2017), falam de vivências vetorizadas por exclusões ou agressões, seja na luta contra a homofobia ou o antissemitismo, arranhando muitas vezes uma estrutura narrativa de painel de época. Seu olhar sobre os campos de concentração nazistas ganhou, no tempo, o viés de metáfora, usando os espaços de contenção gerido por forças de Hitler como signo do silenciamento da população LGBTQIAPN+. Sua releitura brasileira de 2025 expõe como esse simbolismo pode representar os homicídios contínuos de gays e lésbicas neste país, num gesto de alerta.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Realizado por Hermes Frederico (idealizador da montagem ao lado de Gustavo Rodrigues da Procenium Produções Artísticas e de Augusto Zacchi), o &#8220;Bent&#8221; de Furlaneto se apoia numa cenografia funcional, de poucos elementos, para recriar a Alemanha perfumada a pólvora dos anos 1930. Nela, o jovem Max (Daniel Dalcin, em delicada atuação) leva uma rotina hedonista sob os lençóis, com múltiplos amantes, a despeito do carinho que recebe de seu companheiro, Rudy (Pedro Marques). Quando o cerco do nazismo se amplia, declarando o confinamento de homossexuais, o casal tenta escapar do país e partir para a Holanda, até ser capturado. Max acaba no campo de Dachau, na Bavária.&nbsp;<br><br>Apresenta-se os oficiais da SS como judeu e não como gay, com medo da fúria homofóbica das tropas de Hitler, que, a seu ver, sem conhecimento específico, parece ser mais feroz do que o ódio a grupos judaicos. No cárcere, carregando pedras, o jovem conhece Horst, que foi detido sob o rótulo de pederasta. É uma figura afetuosa que San Lima executa com rigor.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center">Pouco a pouco, dia após dia, Max se encanta com a coragem de Horst e se apaixona por sua determinação em assumir o que sente (e o que é) a despeito da brutalidade a seu redor. Numa encenação que evita excessos trágicos, Furlanetto explora a conexão entre esses homens como um libelo do benquerer em época de cólera. Os figurinos de Reinaldo Patrício, sob a luz criada e operada por Marcão, estampam o realismo cru buscado pelos diálogos de Sherman, em cenários delineados pelo já citados Gustavo Rodrigues e Augusto Zacchi.&nbsp;</p>



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