No próximo dia 18, às 19h30, no Espaço Itaú de Cinema (Rua Augusta, 1475, sala 1), o Instituto Moreira Salles lançará a nova edição da revista de ensaios serrote. Para comemorar os cinco anos da revista, será exibido The New York Review of Books: Uma reflexão de 50 anos (The 50 Year Argument), longa-metragem dirigido por Martin Scorsese e Dacid Tedeschi que homenageia a publicação americana. Após o filme, haverá um debate com a participação de Marcos Augusto Gonçalves, editor do caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, e de Paulo Werneck, curador da Flip, com mediação de Paulo Roberto Pires, editor da serrote. As senhas poderão ser retiradas na bilheteria a partir das 18h30.

Um dos destaques desta edição da revista é o ensaio “Viver bem é a melhor vingança”, do crítico de arte e colaborador daNew Yorker Calvin Tomkins (1925). O texto surgiu de uma reportagem sobre Gerald e Sara Murphy, em que Tomkins destaca a influência do casal na chamada “geração perdida”. Os personagens Dick Diver e sua mulher Nicole, do clássicoSuave é a noite, de F. Scott Fitzgerald, são fortemente inspirados em Gerald e Sara. Tomkins descreve a curta carreira de pintor de Gerald e o melancólico destino do casal, que perdeu dois de seus três filhos nos anos 1930 e retirou-se da vida mundana e do mercado de arte. Reeditado pelo MoMA em 2013, “Viver bem é a melhor vingança” foi publicado no Brasil em 1972 e está, desde então, esgotado. O autor notabilizou-se pelos perfis de artistas contemporâneos, que dosam com mestria reportagem e análise. É autor de Duchamp – Uma biografia (Cosac Naify, 2005) e As vidas de artistas (Beĩ, 2009).
No ensaio “Por que os escritores param de escrever?”, Joan Acocella (1945) discute se o bloqueio de escritor é um conceito moderno. É provável que muitos escritores tenham sofrido para trabalhar desde que começaram a assinar suas obras, mas seria apenas no século 19 que essa inibição criativa se tornaria uma questão para a literatura, tópico que se inseriu nas conversas sobre arte do período. Joan é crítica de dança e literatura, contribui para a revista New Yorker e sua obra é inédita no Brasil.
Num momento em que a banalidade das tragédias tornou corrente o termo “genocídio”, a serrote publica o texto do historiador Michael Ignatieff (1947) em que ele conta a história do homem que dedicou sua vida para fazer do extermínio um crime internacional, após perder sua família no campo de concentração. O holocausto também permeia o trabalho do pintor e gravador Zoran Music (1909-2005), artista que assina as imagens que ilustram o texto.
O ensaio visual desta edição é o trabalho “Quase aurora” do artista plástico Tunga (1952). As aquarelas, produzidas entre 2005 e 2009, foram reunidas em livro homônimo publicado em tiragem limitada pela Galeria Milan.
Joseph Epstein (1937), um dos principais nomes do ensaísmo americano, volta às paginas da serrote com “Infantocracia: cada menino, um delfim”, em que aborda o controle que as crianças têm na vida doméstica contemporânea. Crítico de valores e comportamentos alinhados com o que convencionalmente chamamos de “politicamente correto”, Epstein muitas vezes assume posições abertamente conservadoras.
O arquiteto Francesco Perrotta-Bosch (1988), vencedor do 2º Prêmio de Ensaísmo serrote, fez duas visitas ao recém-erguido Templo de Salomão, em São Paulo, reduto imponente da Igreja Universal do Reino de Deus, para tentar entender a réplica da construção bíblica. As imagens que acompanham o ensaio são da artista israelense Yael Bartana (1970), e fazem parte do vídeo Inferno, obra que está exposta na 31ª Bienal Internacional de São Paulo.
E mais:
– T.J. Clark (1943) em seu texto “O ímpeto de estrangular ou A criação” discorre sobre a série de colagens de Henri Matisse, em cartaz no MoMA.
– A serrote publica nesta edição o clássico “Sobre a essência e a forma do ensaio: carta a Leo Popper”. No texto, György Lukács (1885-1971) lembra que o gênero se caracteriza por “não extrair coisas novas a partir do vazio, mas simplesmente reordenar coisas que, em algum momento, aconteceram”.
– O escritor Pascal Quignard (1948), um dos principais nomes da literatura francesa contemporânea, analisa em “Pagina” o que é e de onde vem o conceito de página.
– O ensaio “Curtindo a dor dos outros”, de Bruno Simões (1977), examina, a partir de Diante da dor dos outros, de Susan Sontag, o perverso compartilhamento de imagens que exploram o sofrimento humano. O ensaio visual que acompanha o texto faz parte da série Eletric Chairs, realizada por Andy Warhol em 1971, inspirada nas execuções que aconteceram nos anos 1960 em Nova York.
– John Updike (1932-2009), um dos mais prolíficos escritores da sua geração, fala da maturidade de um escritor e como isso nem sempre é sinônimo de segurança, já que sempre resiste a esperança de que o último livro possa ser o melhor.
– O clássico filme Limite de Mário Peixoto é o tema de Saulo Pereira de Mello (1933). Para ele, a película só pode ser considerada difícil se analisada a partir das convenções do cinema narrativo clássico.
– O alfabeto serrote desta edição traz verbetes de Cássio Loredano (1948) e Fernando Santoro (1968).
– Uma carta de Nicolau Maquiavel (1469-1527) sobre uma aventura amorosa desastrosa ocupa as últimas páginas desta edição de serrote.
– Ilustram ainda a revista Henri MatisseGiorgio MorandiGuto LacazAna Elisa EgrejaGerald MurphyMan Ray,Henry Moore e David Levine.
serrote #18
240 páginas
R$ 42,50
Sobre o filme
The New York Review of Books nasceu em 1963 como uma revista e, como o próprio nome diz, se dedicava a resenhas literárias. Em pouco tempo, a publicação se tornou uma das principais referências para autores do mundo todo, não apenas publicando artigos, contos e ensaios, mas também se engajando politicamente, como aconteceu durante a Guerra do Vietnã. Em 2013, quando a publicação comemorou 50 anos, o diretor Martin Scorsese, fã da revista desde o início, uniu-se a David Tedeschi (montador de filmes como Shine a Light) para prestar sua homenagem e celebrar a data. O filme foi exibido no Festival de Toronto 2014.
Lançamento serrote #18
Exibição do filme The New York Review of Books: Uma reflexão de 50 anos (The 50 Year Argument) de Martin Scorsese e David Tedeschi, 90’, 2014.

Após a exibição, haverá um debate com a participação de Marcos Augusto Gonçalves, editor do caderno Ilustríssima, daFolha de S. Paulo, e de Paulo Werneck, curador da Flip, com mediação de Paulo Roberto Pires, editor da serrote.

Dia 18 de novembro, às 19h30
Sala 1 do Espaço Itaú de Cinema
Rua Augusta, 1475
11 3288-6780

As senhas poderão ser retiradas na bilheteria a partir das 18h30.


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