A Coordenação de Pesquisa e Educação do Instituto Moreira Salles promove no dia 10 de abril, às 17h, encontro com Nelson Brissac Peixoto na exposição William Eggleston, a cor americana, em cartaz no Centro Cultural do IMS no Rio de Janeiro.

Brissac Peixoto é filósofo, foi curador do Arte/Cidade e corroteirista com João Moreira Salles da série América. Atualmente, é professor de tecnologias da inteligência e design digital na PUC-SP e coordena o projeto ZL Vórtice, em São Paulo.

Conversas na galeria são encontros que acontecem nos espaços expositivos, estimulando o debate em contato com as obras de arte com artistas, críticos de arte e especialistas convidados. As conversas são gratuitas e abertas ao público.

Conversa na galeria | 10 de abril | 17h
Nelson Brissac Peixoto (PUC-SP)

Sobre a exposição

Desde 14 de março o Instituto Moreira Salles apresenta William Eggleston, a cor americana, a maior exposição individual dedicada ao fotógrafo norte-americano William Eggleston. A mostra, uma das maiores empreitadas do IMS em 2015, apresenta 172 fotografias, pertencentes a coleções prestigiosas como a do Museu de Arte Moderna de Nova York, a do Museum of Fine Arts de Houston, do acervo pessoal do artista e das galerias Cheim & Read e Victoria Miro.

William Eggleston é um dos maiores nomes da história da fotografia do século XX. Suas famosas imagens coloridas apresentam o cotidiano e a paisagem das pequenas cidades e subúrbios do sul dos Estados Unidos, a região natal do fotógrafo, durante os anos 1960 e 1970. Eggleston abriu novos caminhos para a fotografia ao mirar suas lentes nos elementos que simbolizavam a modernização americana (carros, estradas, supermercados, outdoors, shopping centers, estacionamentos, motéis), ao apresentar essa realidade em cores vibrantes, e ao registrar o próprio dia a dia, apresentando amigos, familiares e outros personagens em imagens que combinam intimidade e estranhamento. Nos anos de Elvis Presley e Martin Luther King, o sul dos Estados Unidos ainda vivia as cicatrizes do passado escravocrata, com intensos conflitos raciais e uma classe média interessada em usufruir dos novos padrões de consumo.

William Eggleston descobriu o sucesso em 1976, quando o influente John Szarkowski, na época diretor do departamento de fotografia do MoMA/NY, organizou uma exposição de suas fotografias coloridas na instituição. Até então, o preto e branco dominava a fotografia de arte. A exposição, que apresentava cenas prosaicas, uma liberdade na composição das imagens e apostava na sedução da cor – até então mais presente na fotografia amadora e publicitária –, tornou-se objeto de intenso debate entre a comunidade fotográfica, e foi duramente criticada. Ao longo dos anos, no entanto, a mostra se transformou num marco.

Hoje, as imagens de Eggleston estão entre as mais célebres da história da fotografia, com uma lista de admiradores que vai da fotógrafa Nan Goldin ao músico David Byrne, do cineasta Wim Wenders ao brasileiro Karim Aïnouz. Filmes como Elefante, de Gus Van Sant, foram notoriamente inspirados no universo visual do fotógrafo. Tanto Van Sant quanto David Byrne convidaram Eggleston para colaborar em seus projetos.

William Eggleston, a cor americana é a maior exposição já realizada sobre o artista e traz ao Brasil, pela primeira vez, uma extensa seleção de fotografias produzidas durantes as décadas de 1960 e 1970, considerados os anos de ouro do fotógrafo. Um dos núcleos da mostra reunirá boa parte das fotografias presentes na lendária exposição de 1976, no MoMA. Outras duas salas reunirão as imagens da série Los Alamos, resultado de diversas viagens de carro pelo sul dos Estados Unidos, do Delta do Mississippi à Califórnia, entre 1965 e 1974. Os dois conjuntos são formados por cerca de 150 raras e delicadas fotografias feitas através do processo de dye-transfer, uma técnica de impressão fotográfica quase extinta, que se tornou marca registrada do artista por permitir um controle preciso das cores e intensa saturação.

Mesmo os fãs de Eggleston se supreenderão com a exposição, que também trará obras menos conhecidas, mas não menos importantes, do período. É o caso do formidável conjunto de retratos feito com uma câmera de grande formato em 1974 e conhecido como 5×7, em referência ao tamanho das chapas usadas. É também o caso de um conjunto de cinco fotografias em preto e branco, feitas antes que Eggleston abraçasse definitivamente a cor. O filme experimental Stranded in Canton (Encalhado em Cantão), rodado em preto e branco entre 1973 e 1974, com registros íntimos e de noitadas com amigos nos bares de New Orleans será exibido em uma das salas da casa da Gávea.

William Eggleston, a cor americana tem curadoria de Thyago Nogueira, editor da revista ZUM e coordenador de fotografia contemporânea do IMS. O projeto expográfico é de Martin Corullon, do escritório Metro Associados, e a identidade visual é da artista gráfica Luciana Facchini.

William Eggleston, a cor americana
Formato: 22,5 x 31cm
Número de páginas: 156
ISBN: 978-85-8346-021-3
Preço: R$ 129,90

A exposição será acompanhada de um catálogo com textos inéditos do músico David Byrne, do escritor Geoff Dyer, do crítico de arte Richard Woodward e do curador Thyago Nogueira, além da primeira tradução para o português do texto seminal de John Szarkowski, publicado no catálogo William Eggleston´s Guide (1976).

Sobre o fotógrafo

William Eggleston nasceu em 1939 em Memphis, Tennessee. O MoMA/NY apresentou em 1976 a exposição Fotografias. Em 1998, Eggleston ganhou o prestigioso prêmio Hasselblad, e, em 2004, o Infinity Awards, do International Center of Photography. Sua obra foi objeto de inúmeros livros, entre eles William Eggleston´s Guide (1976), Chromes (2011) e Los Alamos (2012). Em 2008, o Whitney Museum of American Art fez uma das maiores retrospectivas de sua obra. Em 2002, a dOCUMENTA de Kassel apresentou uma seleção de suas fotografias. O Eggleston´s Artistic Trust, que preserva e divulga o trabalho do fotógrafo, foi fundado em 1992, em Memphis, onde o artista vive e trabalha.

Por que William Eggleston é importante para a fotografia?

– Em vez de temas “nobres”, Eggleston documentou o cotidiano aparentemente banal do sul dos Estados Unidos, com sua profusão deshoppings de estrada, supermercados, estacionamentos e vitrines;
– O olhar sobre o cotidiano também se estendeu aos amigos e à família, objeto de fotografias que apresentam uma combinação de mistério e intimidade
– Foi objeto de uma polêmica exposição de fotografia colorida no Museu de Arte Moderna de Nova York em 1976, num período em que a fotografia em preto e branco ainda dominava as exposições de arte;
– Trouxe para a fotografia autoral o colorido da fotografia publicitária e a liberdade formal da fotografia amadora;
– Seu inventário fotográfico do sul dos Estados Unidos se tornou sinônimo do modo de vida americano dos anos 1960 e 1970;
– Sua visão do sul do Estados Unidos e seu uso da cor na fotografia influenciou gerações subsequentes de fotógrafos, cineastas e outros artistas visuais.

Alguns artistas influenciados por William Eggleston:

– os cineastas Wim Wenders, David Lynch, Sofia Coppola, Gus Van Sant e Karim Aïnouz, entre muitos outros;
– os fotógrafos Alec Soth, Nan Goldin, Wolfgang Tillmans, Ryan McGinley, entre muitos outros.

Serviço:
William Eggleston, a cor americana
Curadoria de Thyago Nogueira
De 14 de março a 28 de junho
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca – Classificação livre
Visitas monitoradas para escolas: agendar pelo telefone (21) 3284-7400.
Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500

www.ims.com.br

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