Em uma sessão muito especial com presença do elenco e de Leandra Leal, estreante na direção, a apresentação de Divinas Divas causou o furor que uma diva merece e teve tons muito especiais, daqueles que a gente só presencia em tempos de festival. O documentário foi ovacionado pelo público que se emocionou, chorou, riu e aplaudiu ao longo do filme todo como se estivesse em uma peça de teatro.

divas

A sessão fez parte do Cine Encontro de domingo (09/10) no Odeon e após a exibição a equipe se reuniu no palco para falar sobre o filme e responder algumas perguntas do público.

Leandra falou sobre a trajetória do filme, que, de certa forma, surgiu ao reencontrá-las no espetáculo divinas divas no Rival e o quanto vê-las, todas juntas em cena, a força e o talento delas a teria impactado. A história do Teatro Rival, do avô de Leandra, a história do espetáculo e a vida dessas mulheres está diretamente entrelaçada às memórias da diretora. Leandra afirmou durante a entrevista que antes de mais nada esse filme era sobre ela, sobre suas memórias e sobre recuperar sua história.Uma grande motivação ao fazer o filme era conhecer as Divas, e acreditar que o “mundo”, devia conhecer essas mulheres e suas vivências. Além de eternizar o talento e a história de vida de cada uma esse filme funciona como um registro sobre a história da cultura trans, da cultura LGBT no Brasil, o que é uma lacuna. Existe muito pouco registro sobre essa época.

O processo de construção do filme durou cerca de 9 anos e passou por muitas dificuldades, principalmente financeiras, sendo inclusive dividido em mais de um projeto (espetáculo e filme) para que conseguisse a captação que viabilizaria sua realização. Durante esses anos Leandra afirma ter amadurecido, o que teria sido crucial para o amadurecimento também do filme que ao longo do tempo seguiu vários caminhos entre diferentes focos e linhas narrativas até que chegasse ao formato final.

O debate contou com a participação do Diretor de fotografia David que afirmou que ser convidado para um projeto tão rico imageticamente, que foi um presente e que sua única preocupação era ser aceito por elas. Existia uma necessidade de estar muito próximo para realizar esse trabalho, para conseguir através da câmera passar esse universo e conseguir entrar, saindo do lugar de admiração e começar a ver o ser humano. O fato de se sentir acolhido por elas possibilitou que isso fosse feito, e isso está refletido na tela.

Com mais de 400 horas o trabalho de montagem também foi um longo processo na construção do filme. Natara Ney falou sobre as dificuldades de selecionar 2 horas de material entre tanto material extraordinário, e sobre o fato do filme ter seguido varios caminhos diferentes ao longo do processo até chegar ao longa pronto. Ela falou ainda sobre a importância da preservação da memória através da manutenção dos acervos e de materiais.

Parte do divino elenco estava presente. Valéria, Jane Di Castro e Camille K. deram alguns depoimentos repletos de sentimentos em que falaram sobre a emoção de ser imortalizadas por esse filme belíssimo,sobre envelhecer e a importância de estar depois de mais de 50 anos tendo, por fim, sua história sendo retratada de forma tão delicada e humana. Elas exaltaram ainda o trabalho de Leandra Leal que consideram delicado e respeitoso, além de importante ao ser um retrato de um tempo para a juventude e que agora ficará eternizado. E apesar de em muitos momentos ao longo do tempo, muitas vezes, elas terem pensado em desistir e achado que não ia dar certo elas sentem que finalmente aconteceu, que por fim receberam algum reconhecimento por sua trajetória.

O filme aborda questões políticas muito atuais que foram abordadas por elas, sem o toque de humor que lhes é tão característico, acreditam estarmos vivendo um retrocesso mas deixam um recado “Nós não somos mais minorias. Se todo mundo se unir a gente derruba o governo. É só sair do armário todo mundo”. E foram mais uma ovacionadas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here