Por Pedro Marques

O filme de Emanuelle Bercot (premiada em Cannes pela atuação em “Meu Rei’’) trabalha muito bem com a contradição existente na relação médico-paciente, sob a vigilância constante da indústria farmacêutica. Na pele de Irene Frachom, Sidse Babett Knudse nos convida a ouvir a voz da pneumologista francesa, na guerra contra os laboratórios de remédios.

Como médica pneumologista, Irene percebe um padrão em pacientes usuários do mediator, um remédio usado por diabéticos para emagrecer, como causa direta de doenças cardiovasculares. Baseado em fatos reais, a história se desenvolve na persistência em tirar o remédio de circulação, e todos os incômodos que essa cansativa tarefa traz consigo. Com a ajuda do professor Le Bihan(Benoit Magimel), um médico amigo que auxilia quais caminhos tomar, cercada pelo carinho com seus pacientes, vista com estranheza e admiração pela equipe ao seu redor, percebemos como que a luta foi muito mais solitária, pelo medo de todos em disputar no tribunal com toda a grande industria.

Em contraste com a beleza, diálogos divertidos, músicas que aliviam a tensão, entre taças de vinho e doces constantemente, e um jazz familiar delicioso, a pesquisa sobre o remédio continua. Tida como uma caipirona nos meios acadêmicos, a atuação de Sidse Babett knudse é fantástica e irreverente, dando a potência necessária a uma personagem cheia de vida e carisma, desacreditada por suas intenções, desacreditada pela mídia, vista com estranheza por seus colegas de equipe, quanto mais as evidências dos males do remédio estão claras, com maior angustia percebemos todas as formas de intimidação que Irene Frachom foi submetida. Se trata de uma guerra entre pequenos médicos locais, e os grandes do laboratório, com seus argumentos elaborados, advogados muito bem pagos, amparados pela panelinha do mundo acadêmico, seguindo a ordem natural do lucro acima das relações humanas, onde a ética médica foi esquecida, em uma narrativa que vivemos no dia a dia.

Uma prova disso é o tempo que demora entre a investigação e a proibição, onde os defensores do remédio, não se chocam com a possível causa de mortes. Pelo contrário, tudo seria absurdo, e tentam defender a todo o remédio. Um pouco de cegueira, um pouco de conivência, a voz de Irene Frachom consegue deixar sua mensagem, por mais que tentem a todo custo calá-la ou simplesmente falar por ela. Sem dizer o que os outros pretendem ouvir, se tornando um incomodo muitas vezes, contra as garras desse sistema doente, que matou tantas mulheres sem justiça alguma, percebemos quanto medo é necessário, para ter a coragem suficiente de nos rebelarmos.

O caso que se tornou um escândalo federal, testa com as nossas percepções. Sem pecar em nada, com uma narrativa muitas vezes pesada e angustiante, conseguiu lidar com fidelidade, com os riscos de quem ousar bater de frente com um sistema poderoso. Um filme para ser visto Como lição ao que estamos submetidos, que nenhum caso é isolado, e que a luta é diária e constante, contra um sistema que ajuda, e ao mesmo tempo denigre.

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