Após quatro anos afastado do cinema, o aclamado diretor Roman Polanski está de volta com o thriller psicológico Based On A True Story, que por mais que não seja tão intrigante quanto aparenta, pode satisfazer parte do público.

Tomando como base o livro de mesmo nome da autora francesa Delphine de Vigan, fica claro que esse é um retorno forçado de Polanski a suas raízes do suspense. Apresentando uma previsível trama onde acompanhamos Delphine (Emmanuelle Seigner) uma autora de um best-seller super pessoal sobre a relação com sua mãe. A autora começa a ficar cansada das exaustivas sessões de autografo, entrevistas e assédio dos fãs, além de começar a receber cartas anônimas a acusando de usar seus dramas familiares como forma de lucrar. Delphine começa a entrar em um bloqueio criativo e fica paralisada com a ideia de escrever novamente.

Até o momento a trama se mostrava interessante e com potencial, podendo seguir um caminho de comentário crítico sobre a fama e o que fazemos para obtê-la. Ou até mesmo levantar questões de como o excesso de exposição pode afetar na criatividade do artista.

Nesse momento ela cruza caminho com a misteriosa e bela Elle (Eva Green), muito inteligente e intuitiva Elle entende o que Delphine está passando e elas logo criam um forte vínculo. Só que cada vez mais Elle (que no português seria Ela) parece cruzar os limites da amizade, cada vez mais invadindo o espaço da autora. Só que não a mistério para a relação, afinal, Elle representa um claro problema e o público percebe isso no primeiro momento dela em cena. Sua caracterização elegante e provocante que faz contraste a Delphine, o excesso de vermelho na composição da personagem e até mesmo a trilha sonora de Alexandre Desplat que cresce em tensão a cada momento da personagem em cena.

Filmes como Louca Obsessão e O Escritor Fantasma do próprio Polanski, são referencias claras nas construções do segundo e terceiro ato. Fazendo o filme perder a oportunidade de ser uma obra mais interessante que flerta com esses comentários sobre a fama e acaba se tornando uma obvia e repetitiva metáfora para o processo criativo de uma escritora onde o grande twist do filme já pode ser percebido nos primeiros momentos.

Based On A True Story pode ser considerado um dos filmes mais fracos da carreira do diretor, mas ainda sim ele consegue trazer duas sólidas atuações, Seigner e Green tem uma química perfeita e fazem a tela pegar fogo quando estão juntas. Um acerto também e construir uma tensão sexual e não explorar, afinal às vezes você se perde muito mais em uma amizade do que no amor.

 

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