Como parte das comemorações do centenário da animação brasileira, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e o Canal Brasil fecham o ano de 2017 anunciando uma nova parceria, desta vez para a edição do livro “Animação Brasileira – 100 Filmes Essenciais”. O título será lançado no segundo semestre de 2018, em conjunto com a Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) e com o Grupo Editorial Letramento.

O ponto de partida para “Animação Brasileira – 100 Filmes Essenciais” foi a eleição recém-realizada entre os críticos associados da Abraccine e convidados, que consagra o longa “O Menino e o Mundo” (2013), de Alê Abreu, como a melhor animação brasileira de todos os tempos. Indicado ao Oscar em 2016 e vencedor do Festival de Annecy em 2014, foi o único filme citado por todos os votantes. Em segundo lugar ficou “Uma História de Amor e Fúria” (2013), de Luiz Bolognesi, também vencedor de Annecy. Na terceira posição, o curta-metragem “Meow!” (1981), de Marcos Magalhães, prêmio do júri no Festival de Cannes.

O levantamento também revelou que o diretor gaúcho Otto Guerra é o principal nome da animação brasileira, com quatro filmes na lista, dois deles entre os dez primeiros: Até que a Sbórnia nos Separe (2013), codirigido por Ennio Torresan Jr., em quarto lugar; e Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll (2006), em nono. Guerra ainda aparece na lista com o curta “Novela” (1992), em 32º, e o longa “Rocky & Hudson, os Caubóis Gays” (1994), em 50º.

Além de “Meow!”, Marcos Magalhães surge com outro filme no top ten da Abraccine: o curta “Animando” (1983), décimo colocado. Completando a presença dos curtas entre os dez mais aparecem “Dossiê Rê Bordosa” (2008), de Cesar Cabral, e “Guida”, (2014), de Rosana Urbes, respectivamente quinto e sétimo colocados.

A lista contempla filmes de diversas épocas, gêneros e formatos, sendo considerados apenas os trabalhos com cópias ainda existentes. Lançado em 1928, Macaco Feio… Macaco Bonito... (30ª posição), de João Stamato e Luis Seel, é a animação brasileira mais antiga presente no ranking. Compõem a lista também outras obras historicamente importantes, como o primeiro longa animado Sinfonia Amazônica (1953), de Anélio Latini Filho, em sexto; o primeiro longa colorido, Piconzé (1973), de Ippe Nakashima, em 18º; e “As Aventuras da Turma da Mônica” (1982), 12º colocado, assinado pelo diretor que mais longas animados dirigiu no país: Maurício de Sousa. Do criador de personagens como Mônica, Cebolinha e Cascão também foi listado “A Princesa e o Robô” (1983), 34º posto.

A lista final apresenta ainda produções recentes, três delas deste ano – “Torre”, de Nádia Mangolini, em 16º, “Vênus – Filó, a Fadinha Lésbica”, de Sávio Leite, em 67º, e “História Antes de uma História”, de Wilson Lazaretti, em 90º.

 A eleição das 100 melhores animações brasileiras é fruto de uma parceria da ABCA com a Abraccine. Num primeiro momento, a associação de animadores escolheu internamente os 100 trabalhos mais representativos de sua história, sem qualquer ordem de preferência no resultado final. Em seguida, a Abraccine montou uma comissão especial para incluir mais alguns títulos, ausentes na lista original, mas que pareciam importantes de serem considerados. A partir dessa lista de 115 títulos, os votantes escolheram os 50 melhores, em ordem de preferência. Os 100 mais bem posicionados compõem o ranking.

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