Fernanda de Souza Almeida mostra as diferentes possibilidades para expandir o potencial do uso da dança na educação de crianças em 30 sequências didáticas. A autora revela como despertar o interesse por uma educação mais prazerosa, colocando os pequenos como centro do processo, valorizando talentos, imaginações e inteligências criativas.

A criança tem outro campo de percepção. Sua curiosidade, sensibilidade e capacidade de produção simbólica são expressas em gestos e movimentos. Portanto, a valorização do movimento, do brincar, das relações e das interações, oferecendo diversas possibilidades para expandir suas potencialidades, é fundamental. No livro Dança e educação – 30 experiências lúdicas com crianças (128 p., R$ 43,80), lançamento da Summus Editorial, a educadora e mestre em Artes Fernanda de Souza Al­meida apresenta 30 sequências didáticas com­pletas que almejam a expansão da criatividade, da sensibilidade, da expressividade e do conhe­cimento de si, do outro e do meio. Sem reduzir o processo a passos, repetições, elaborações de coreografias para datas festivas ou mímicas de letras de música, a autora inspira o docente a criar novas perspectivas educacionais.

O objetivo é que as experiências socializadas no livro despertem o interesse por uma educação mais prazerosa que coloque os pequenos como centro do processo, valorizando seus talentos, suas imaginações e suas inteligências criativas ao compreender o mundo. “Um passo em direção a uma melhor qualidade do processo educacional infantil, no qual a arte seria um dos pilares centrais”, complementa a professora.

“Em nossas (an)danças por muitos contextos, presenciamos ações que priorizam essa linguagem como lazer, brinquedos cantados, processos de musicalização, catarse para liberar as emoções, gastar energia, desenvolvimento da autoestima, atividade física e em datas comemorativas”, conta a autora. No entanto, diz ela, a dança como arte, com seus elementos próprios, metodologias e processos de criação, ainda está pouco presente nos universos educacionais formais em relação à demanda brasileira com a infância.

A obra nasceu de um dinamismo complexo entre dança, criança, lúdico e educação proveniente de vivências profissionais, especialmente das ações em projetos de extensão e de pesquisa com crianças entre 2 e 10 anos de idade. “Trata-se de um desejo de compartilhar essas experiências, que são propostas em dança ora com seus elementos gerais, ora com o cerne nas danças de rua (breaking e krump), balé, danças brasileiras (coco, cacuriá, capoeira) e creative dance; inundadas de dicas de músicas, vídeos e leituras extras”, conta a autora. Segundo ela, são atividades que privilegiam a expansão da criatividade, da sensibilidade, da pesquisa do movimento, do conhecimento de si, do outro e do meio, além da integração das linguagens e do brincar.

Ao longo do livro, as propostas foram organizadas em cinco nós que compõem a rede dançante: “Corpo: sensações e percepções”; “Movimento e ações corporais”; “Espaço”; “Ritmo e musicalidade”; e “Artes integradas”. Trata-se de uma rede feita a muitas mãos, com laços que anunciam uma organização didática e o foco de cada atividade, sem, contudo, projetar uma hierarquia, ordenação ou fragmentação entre elas ou entre os conceitos e elementos da dança.

Na avaliação da autora, o mundo do conhecimento não está dividido em assuntos escolares. “Desse modo, desejamos investir em uma reconfiguração da educação que categoriza tudo, apostando na arte com sua potência de integrar, romper fronteiras e convidar à experimentação”, diz ela. Para a professora, arte é totalidade. “E não é de totalidade que estamos em falta na educação?”, questiona.

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