A atriz Maria Padilha está comemora seus 40 anos de carreira, estreando seu primeiro monólogo, que é uma adaptação da obra de uma das maiores escritoras do Brasil, Maura Lopes Cançado.

A peça, em cartaz no CCBB- RJ,  é a adaptação do “diário” que Maura escreveu enquanto esteve internada em diversas clínicas psiquiátricas, vivenciando o horror dos tratamentos da época. “Hospício é Deus” foi o livro que Pedro Brício transformou em “Diários do Abismo”, uma adaptação para o teatro.

  Você está estreando seu primeiro monólogo, ainda existe aquele friozinho no estomago antes de entrar no palco?

Maria Padilha – Friozinho na barriga tem sempre. O dia que eu deixar de ter é por que eu não estou me arriscando, não estou fazendo nada que eu desconheça.

 “Diários do Abismo” é uma adaptação do livro “Hospício de Deus” de Maura Lopes Cançado, um relato biográfico sobre ela. Como foi o encontro com o texto? Você teve liberdade para criar em cima dele?

Maria Padilha – Eu tive acesso ao neto da Maura, o Cesar Lage, ele deu total liberdade para gente, total liberdade artística para gente fazer como achasse melhor.

Você está sendo dirigida por Sergio Módena, diretor renomado de teatro, como está sendo essa troca para construção da narrativa e da personagem?
Maria Padilha – A gente se afina muito. Ele é pratico, ele é lúdico, eu também. Mesmo no começo, a gente às vezes pedia ao Pedro para mudar alguma coisa, lia, relia. Durante os ensaios a gente ia propondo, a gente não sofreu muito, não. Foi uma troca muito legal! Eu encontrei um grande parceiro no Sergio.

Shakespeare, Bretch e Chaplin são exemplos e grandes escolas para a formação do ator, no mercado atual é cada vez mais fácil se tornar ator. Como você vê essa renovação de novos talentos?

Maria Padilha – A renovação de talentos é necessária, né. Eu não vejo como uma renovação de talentos, eu acho esse termo um pouco estranho. Eu acho que o mundo não para, o tempo não para. O mundo gira. Das tais distintas Fernandas, as Nathalia Timberg, os grandes atores que ainda estão vivos e que são geniais. No meio disso, estão surgindo novos talentos incríveis. Graças a Deus, que essa família não está morrendo, que a profissão do ator ainda atrai muitas pessoas, quer dizer que o teatro ainda está vivo, que a televisão está viva e que o cinema está
vivo.

Teatro, cinema, televisão, você já atuou em diferentes formatos e diferentes estilos de texto, tem algum personagem que ainda não fez? E tem algum que você tem um carinho especial?

Maria Padilha – Eu acho que tem vários personagens que ainda não fiz. Eu acho que nunca fiz populares muito populares, eu fiz no cinema, em Praça Saens Pena, uma dona de casa tijucana, bem classe média. Mas têm tantos personagens que posso fazer, a gente vai mudando de idade, vão surgindo novos personagens.

Foram muitos, muitos. Posso citar em teatro, O Despertar da Primavera, A Falecida, do Nelson Rodrigues, posso citar, A Marcha das Três Irmãs, a Pórcia, do O Mercador de Veneza, são muitos. Em televisão, tem a Karen de “O Dono do Mundo”, de Gilberto Braga, a Estela de “Anjo Mau”, a Dinorá de “O Cravo e a Rosa”, a Hilda de “Mulheres Apaixonadas. É uma galeria boa! E em cinema, eu gosto muito da Helena, de Os Matadores e a Teresa de Praça Saens Pena.

Hoje em dia muitos atores tem seu próprio canal no YouTube, além de exporem suas vidas no Instagram, queria saber o que você acha desse movimento cibernético e tecnológico que tomou conta das nossas vidas?

Maria Padilha – Eu acho muito interessante esse movimento novo, eu acho bacana, ao mesmo tempo em que, temos que tomar cuidado, as vezes, a gente se ferra, se expõe demais, mas faz parte do jogo, acho que a gente ainda está aprendendo a usar essas ferramentas à nosso favor. E acho que tem muita coisa à ser regulada. São novos canais, novas formas de expressão que dão voz a pessoas. Eu gosto das coisas construtivas.

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