Baseado no livro “Black Klansman: A Memoir”, de Ron Stallworth, o novo filme de Spike Lee, que ganhou o prêmio Grand Prix no Festival de Cannes, conta a história verídica que se assemelha a um thriller policial e a um retrato abrasador de uma América dividida e dos extraordinários heróis que ousam revidar. Com um cinema extremamente atual e um discurso inclusivo, Lee trata o assunto com leveza, bom humor, ironias e relevância histórica.

Produzido por Jordan Peele, e estrelado por John David Washington e Adam Driver, O filme que usa de referencias desde O nascimento de uma nação (1915), de D. W. Griffith,  e E o vento levou …. (1939), de Victor Fleming e George Cukor, recorre à elementos objetivos de uma nação a favor do ódio, capaz de renegar a existência do Holocausto.

Ron Stallworth é o primeiro detetive negro na história do Departamento de Polícia de Colorado Springs que se gradua rapidamente dos registros para a inteligência. Stallworth responde a um anúncio de jornal da KKK, posando ao telefone como um supremacista branco em ascensão. Quando reuniões face-a-face são necessárias, o colega judeu de Stallworth, Flip Zimmerman (Adam Driver em atuação mais contida, porém sem desdenhar do seu talento)  é recrutado para pressionar o terrorismo.

Cabe à David Washington carregar o filme, com uma performance irônica e cheia de nuances, enquanto Lee imprime sua marca na direção, com os jogos de câmeras trazendo sua visão particular da diversidade racial urbana. O que é mais notável é quão bem Lee equilibra as mudanças de tom, provocando risos e suspiros com um filme construído sobre dualidades.

A ambientação, a direção de arte e os figurinos merecem destaque! Infiltrado na Klan evoca elegantemente o cinema de seu cenário! Spike Lee citou em entrevista a influencia de The French Connection, Serpico e Dog Day Afternoon em sua obra. A trilha sonora é  outro ponto que merece destaque também. O funk de guitarra e bateria com cordas clássicas de suspense combina eficientemente às lutas do passado e do presente.

Não há nada de nostálgico em Infiltrado na Klan , muito pelo contrário, a relação à essa evocação de uma era passada que justapõe o ódio racial histórico com notícias chocantes de Charlottesville em 2017.

Mostra: Panorama do Cinema Mundial do Festival do Rio 2018

 

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